Por: José Morais
Com o encerramento da
temporada de 2026, ficou finalmente definido o ranking internacional que
determinará quais as equipas profissionais elegíveis para lutar pelos desejados
convites das Grandes Voltas e das principais corridas do calendário mundial em 2027.
A reta final da época foi marcada por uma intensa batalha por pontos, levando
várias formações a competir em provas distantes na tentativa de assegurar um
lugar entre as 30 melhores equipas do mundo.
Ranking
fecha portas a algumas equipas e abre oportunidades a outras
A presença nas grandes provas
do ciclismo internacional não depende apenas do prestígio ou da tradição. Para
ambicionar um convite para o Giro d'Italia, Tour de France ou Vuelta a España,
uma equipa Professional Continental tem obrigatoriamente de terminar a
temporada entre as 30 primeiras do ranking mundial.
Foi precisamente essa
exigência que provocou uma verdadeira corrida aos pontos nas últimas semanas. A
Euskaltel Euskadi apostou em deslocações a provas realizadas fora dos
principais circuitos europeus, enquanto outras equipas procuraram oportunidades
em diferentes continentes para reforçar a sua posição classificativa.
A estratégia revelou-se
decisiva. A formação basca conseguiu assegurar a permanência no grupo das 30
melhores equipas, enquanto a histórica Bardiani CSF ficou abaixo da linha de
corte, perdendo o direito de ser considerada para os convites das Grandes Voltas
em 2027.
World
Tour mantém estabilidade até 2028
As 18 equipas pertencentes ao
WorldTour continuam com presença garantida nas três Grandes Voltas da próxima
temporada. Não são esperadas alterações na principal divisão do ciclismo
mundial, uma vez que o atual ciclo de avaliação de três anos apenas termina no
final de 2028.
Apesar dos rumores que
apontavam para uma eventual saída voluntária da Picnic PostNL do World Tour
devido a dificuldades financeiras e desportivas, a equipa rejeitou esse
cenário, mantendo-se tudo inalterado para 2027.
Convites
automáticos e wildcards continuam a decidir o pelotão
Aos 18 conjuntos World Tour
juntam-se equipas Pro Team através de um sistema de convites automáticos e
wildcards atribuídos pelos organizadores.
As formações Pinarello Q36.5,
Tudor e Cofidis voltaram a garantir automaticamente o direito de participar nas
provas World Tour graças à sua posição no ranking. Estas equipas podem alinhar
em todas as corridas da principal categoria e, ao contrário das formações World
Tour, têm a possibilidade de recusar algumas participações.
Já os restantes convites serão
distribuídos pelas organizações das corridas, que tradicionalmente privilegiam
equipas dos seus próprios países. Entre as equipas elegíveis encontram-se a
TotalEnergies, Unibet Rose Rockets, Caja Rural, Burgos Burpellet BH, Polti
VisitMalta, Solution Tech Nippo Rali, MBH Bank CSB e Euskaltel Euskadi.
A lista poderá, contudo,
sofrer alterações caso se confirme o desaparecimento da Kern Pharma, cenário
que tem sido apontado nos bastidores do ciclismo profissional.
Bardiani paga caro a quebra no ranking
A grande derrotada desta
disputa foi a Bardiani CSF. A equipa italiana terminou a época no 31.º lugar da
classificação mundial, ficando a cerca de 150 pontos da Euskaltel. Nem os
esforços finais em provas italianas permitiram recuperar o atraso.
A consequência é pesada para
uma estrutura com mais de quatro décadas de história: será apenas a segunda vez
em 45 anos que a equipa fica impedida de sonhar com uma presença no Giro
d'Itália.
Mais do
que Grandes Voltas: ranking define toda a época
As implicações do ranking não
se limitam às Grandes Voltas. A TotalEnergies conquistou o estatuto de quarta
melhor equipa profissional e garantiu presença automática em todas as corridas
de um dia do calendário World Tour.
Além disso, Pinarello Q36.5,
Tudor, Cofidis, TotalEnergies e Unibet Rose Rockets asseguraram lugares
garantidos nas provas Pro Series, o escalão intermédio entre o e as corridas da categoria .1.
Com os lugares elegíveis
definidos, a atenção vira-se agora para os organizadores das grandes corridas,
que nos próximos meses anunciarão os wildcards que completarão o pelotão das
principais provas de 2027. Até lá, algumas equipas respiram de alívio, enquanto
outras ficam obrigadas a repensar o futuro.

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