Por: José Morais
Falta de documentação
essencial leva Tribunal de Felgueiras a adiar deliberação sobre a
admissibilidade de testemunhas num dos processos relacionados com a operação
Prova Limpa.
O Tribunal Local de Felgueiras
decidiu suspender, sem nova data definida, a sessão que estava prevista para a
próxima segunda-feira e que deveria determinar se várias figuras ligadas à
antiga equipa W52-FC Porto poderiam prestar depoimento no julgamento em curso.
A decisão foi tomada depois de
o tribunal verificar que ainda não recebeu os elementos documentais
considerados necessários para esclarecer a situação processual de diversas
pessoas indicadas como testemunhas pela acusação. Sem essa informação, o juiz
optou por adiar a análise da questão.
No centro da controvérsia
estão o ex-diretor desportivo Nuno Ribeiro e um conjunto de antigos corredores
da formação portista, cuja intervenção no processo foi contestada pela defesa
de Adriano Quintanilha. Os advogados sustentam que estes intervenientes
continuam associados ao processo Prova Limpa na qualidade de arguidos, situação
que, na sua perspetiva, os impede de depor como testemunhas enquanto esse
estatuto se mantiver.
Face às dúvidas levantadas, o
tribunal determinou a recolha de informação oficial destinada a confirmar se os
processos em causa permanecem pendentes e qual a posição processual atual dos
envolvidos. Enquanto essas verificações não forem concluídas, a decisão sobre a
validade dos testemunhos ficará em suspenso.
O julgamento em Felgueiras
incide sobre alegadas manobras destinadas a proteger responsáveis ligados à
estrutura da equipa de ciclismo. De acordo com a acusação do Ministério
Público, terá sido elaborado um código de conduta fictício com o objetivo de demonstrar
que determinados dirigentes e entidades associativas desconheciam práticas
ilícitas que viriam a ser investigadas no âmbito da operação Prova Limpa.
O contexto do processo ganhou
nova relevância após uma decisão do Tribunal da Relação do Porto, que
determinou recentemente a repetição do julgamento principal relacionado com a
rede de dopagem no ciclismo português. Os juízes consideraram inválida uma das
peças de prova utilizadas na primeira instância, ordenando a reformulação do
acórdão anteriormente proferido.
Recorde-se que a decisão
inicial, emitida pelo Tribunal de Penafiel, tinha resultado em condenações para
vários dos envolvidos, entre eles Adriano Quintanilha e Nuno Ribeiro, além de
diversos antigos ciclistas da equipa, que receberam penas suspensas.
Com a audiência agora
interrompida, o processo regressa a uma fase de espera. A futura apreciação do
estatuto das testemunhas e o prosseguimento dos trabalhos judiciais dependerão
da chegada da documentação solicitada, cabendo ao tribunal anunciar oportunamente
a data da próxima sessão.

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