segunda-feira, 29 de maio de 2023

“Axel Merckx vê João Almeida como "bom embaixador" do ciclismo: «Mantém-se muito calmo e composto»”


Ciclista português fechou Volta a Itália no terceiro lugar, um pódio inédito no Giro para Portugal

 

Por: Lusa

Foto: EPA

O belga Axel Merckx, que encabeça a 'fábrica de talentos' norte-americana Hagens Berman Axeon, por onde passaram João Almeida e outros ciclistas lusos, elogiou o terceiro classificado da Volta a Itália, um "bom embaixador" da modalidade.

"[O pódio conseguido no Giro] foi muito entusiasmante de ver. Traz sempre boas memórias, e ele sempre foi um embaixador muito bom para o ciclismo em Portugal, mas também um bom exemplo para jovens e os novos ciclistas que estão a surgir", explicou, em entrevista à Lusa, o antigo ciclista, filho da 'lenda' Eddy Merckx.

João Almeida fechou domingo a 106.ª Volta a Itália no terceiro lugar final, um pódio inédito no Giro para Portugal e o quarto em grandes Voltas, ficando atrás apenas do esloveno Primoz Roglic (Jumbo-Visma), primeiro, e do britânico Geraint Thomas (INEOS), segundo,

Desde 2015 que a Hagens Berman Axeon 'pesca' em Portugal por talentos, tendo já lançado para o World Tour nomes como Almeida, que no domingo também conquistou a classificação da juventude, feito igualmente inédito para o ciclismo português, mas também Ruben Guerreiro, Ivo Oliveira, Rui Oliveira e André Carvalho.

Ao lado de 'figuras' como Jasper Philipsen ou Tao Geoghegan Hart, dois nomes proeminentes na longa lista de 'formandos' nesta espécie de ponte entre os juniores e o pelotão profissional, está o 'olho clínico' de Merckx, que tinha visto em João Almeida um corredor "desde cedo muito maduro".

"Era muito maduro, mas também noto o seu temperamento, mantendo-se sempre muito calmo. [...] Mantém-se muito calmo e composto, em qualquer situação. É a personalidade dele", revela.

Se o ciclista de A-dos-Francos, Caldas da Rainha, agora com 24 anos, "mostra algumas emoções" junto de quem o conhece, procura manter essa compostura "em qualquer situação", com o ex-ciclista a lembrar "as suas entrevistas".

A ligação a Portugal faz-se por intermédio de João Correia e da Corso Sports, numa parceria que começou a partir de Ruben Guerreiro, hoje na Movistar e com uma carreira que inclui a vitória na classificação da montanha, e numa etapa, no Giro de 2020, o dos 'sonhos cor-de-rosa' de João Almeida, 15 dias líder e quarto na geral final.

"Sempre que o João me sugere um corredor, é um prazer de trabalhar, é sempre um ciclista muito bom, mas alguém com quem se pode trabalhar, respeitoso e disponível", elogia Axel Merckx.

A conversa segue inevitavelmente para António Morgado, vice-campeão mundial júnior de fundo, que, aos 19 anos, é um dos grandes valores sub-23 do ciclismo mundial, tendo dado em 2023 o salto do Bairrada para a Hagens Berman Axeon.

Como João Almeida, é das Caldas da Rainha, e até 'iniciou' o bigode que o mais experiente dos dois também 'estampa' por cima dos lábios, mas a personalidade, essa, "é mais próxima da do Guerreiro".

"Sei que admira esses ciclistas [João Almeida e Ruben Guerreiro, entre outros]. O António é um talento muito grande e demonstrou isso no domingo, também", declara, aludindo à vitória na etapa final do Grande Prémio das Nações, não pela equipa, mas pela seleção nacional.

Os dois ciclistas têm "personalidades diferentes", mas o mesmo potencial e talento mostrado desde cedo, podendo o belga ter noutro caldense um futuro "embaixador do projeto, do programa e do desporto", esperando que o sucesso de tantos antigos ciclistas possa render publicidade e financiamento a uma formação várias vezes ameaçada pela falta de fundos.

"É sempre uma batalha em curso", desabafa Axel Merckx.

Fonte: Record on-line

“Irmãos Oliveira orgulhosos do feito do amigo João Almeida: «É um marco no ciclismo»”


Companheiros de equipa da Emirates exaltam pódio no Giro

 

Por: Lusa

Foto: REUTERS

Os ciclistas portugueses Ivo e Rui Oliveira, amigos e colegas de equipa de João Almeida na UAE Emirates, disseram à Lusa estarem orgulhosos do "resultadão" do companheiro, que conseguiu um inédito terceiro lugar na Volta a Itália.

Almeida venceu a classificação da juventude e fechou o pódio da prova ganha pelo esloveno Primoz Roglic (Jumbo-Visma), conseguindo o primeiro 'top 3' no Giro para Portugal e o quarto de sempre em grandes Voltas.

Os gémeos Oliveira, por seu lado, correram na mesma 'fábrica' de formação do português, a Hagens Berman Axeon, e antes disso no Bairrada, e agora partilham com ele a UAE Emirates.

Ivo Oliveira, que fechou em quarto a corrida francesa Boucles de La Mayenne, defendido pelo irmão, disse à Lusa que "muita gente não tem noção do que ele acabou de conquistar". "É um marco no ciclismo. As pessoas metem o foco em ganhar, ganhar, ganhar, e não têm noção do que é termos um ciclista a lutar por um pódio em grandes Voltas e vencer uma camisola branca. Temos de ser realistas, fez terceiro atrás de dois corredores [Primoz Roglic e Geraint Thomas] bastante mais experientes. Isto foi um 'resultadão'", atira.

Sem dúvidas, o companheiro de equipa e amigo, para quem trabalha em várias corridas, não encontra "palavras para descrever como é que um português chegou a este nível", mas depois o medalhado em Mundiais e Europeus, na pista, rapidamente se corrige. "Eu treino com ele e sei, vi o que ele estava a andar na Volta à Catalunha [em que foi segundo, atrás de Roglic]. Disse ao meu irmão, nessa altura, que depois do estágio de altitude estaria a andar ainda melhor", confessa.

Para já, os muitos resultados honrosos de ciclistas portugueses este ano, de Ruben Guerreiro, António Morgado ou Iúri Leitão, ao 'fenómeno' João Almeida, dos feitos na pista que conseguiu, como o irmão e outros ciclistas, passando pela boa temporada na Bélgica de Maria Martins e sem esquecer Nelson Oliveira e Rui Costa, dão motivação extra e a sensação de um período de exceção no ciclismo português além-fronteiras. "A federação tem de apostar nesta fornada e nos jovens, é daí que sai cada vez mais talento. Vivemos numa época em que cada corrida a que se vai há um português a fazer resultados", resume.

Por seu lado, Rui esteve já com o ciclista de A-dos-Francos, Caldas da Rainha, no Giro2022, que abandonou por covid-19, e tinha "plena confiança no que o João podia fazer". "Estava a ficar cada vez melhor a caminho do Giro. Vê-lo fazer estes resultados não foi nenhuma surpresa. Já sabíamos da qualidade dele, no ano passado faria pódio se não fosse a covid-19", comenta.

Segundo Rui Oliveira, o resultado tem de encher todos "de muito orgulho", porque é "um feito histórico, tantos anos depois do Joaquim Agostinho". "Demonstrou que é dos melhores do mundo, da atualidade, e fechar pódio numa grande Volta... para quem sabe o que é o ciclismo, tem de dar mérito e tirar o chapéu ao João. Isto não acontece todos os dias", garante.

O corredor de 26 anos, um especialista da pista com títulos europeus em seu nome, como o irmão, fica "sempre contente quando um português vence ou faz coisas boas", o que alimenta "o querer sempre fazer mais e melhor". "Foi com muita tranquilidade que vi que o João, semana após semana, se sentia melhor, com melhores resultados. Aquela etapa que venceu foi um grande orgulho para nós todos", afirma.

Fonte: Record on-line

“Ivo Oliveira “feliz, mas um bocado frustrado" com 4º lugar nas Boucles de La Mayenne”


Ciclista português da UAE Emirates queria ter acabado no pódio

 

Por: Lusa

Foto: UAE Team Emirates

O ciclista português Ivo Oliveira (UAE Emirates) disse este domingo à Lusa estar “feliz, mas um bocado frustrado" com o quarto lugar final nas Boucles de La Mayenne, após vencer o prólogo.

"Estou feliz, mas um bocado frustrado de não ter conseguido o pódio. Mas fiz tudo o que consegui, incluindo sprintar nos sprints intermédios, tentar também no final", analisou, em entrevista à Lusa.

O português foi ultrapassado na luta pelo pódio já na quarta e última etapa ganha pelo neerlandês Arvid de Kleijn (Tudor), após ter vencido o contrarrelógio que deu início à prova do circuito ProSeries, o segundo escalão. O ciclista da Tudor completou os 167 quilómetros entre Montsûrs e Laval em 3:55.22 horas, batendo sobre a meta o francês Arnaud Démare (Groupama-FDJ), segundo, e o francês Axel Zingle (Cofidis), terceiro.

Zingle ultrapassou Ivo Oliveira, hoje 15.º a três segundos, graças às bonificações e por ter chegado com o mesmo tempo, com Ivo Oliveira a acabar a 38 segundos do vencedor da prova, o espanhol Oier Lazkano (Movistar).

Este prólogo estava nas contas há muito tempo para o ciclista, campeão nacional da especialidade em 2020 e com medalhas em Mundiais e Europeus na pista, ainda à procura de uma vitória, fora dos Nacionais, pela UAE Emirates. "Faço poucas promessas, mas as que faço, cumpro. Disse à equipa para me deixarem preparar o contrarrelógio ao máximo porque podia ganhar o dia e tentar a geral. Cumpri com o que disse", atira.

O triunfo deu-lhe "bastante confiança", e mesmo que não tenha conseguido defender o pódio, com uma equipa de velocistas, sem a colaboração de outras formações, e reduzida a quatro para a última tirada, mostrou que "quando há uma oportunidade não é desperdiçada". "Trabalho para os outros, mas quando me dão oportunidades, não a desperdiço. Os meus companheiros confiavam em mim, se calhar faltava-me eu ter essa confiança em mim", admite.

Para a frente, os objetivos passam pelos Nacionais e pela Volta a Espanha, além de provas em que trabalhará como gregário ou lançador para outros ciclistas.

Rui Oliveira, irmão gémeo e companheiro de equipa de Ivo, ficou em 90.º e André Carvalho (Cofidis) foi 96.º. "O Ivo já tinha este objetivo em mente há mais de um mês. [...] Tínhamos partido só com quatro na última etapa, foi lutarmos os quatro para uma coisa que seria muito difícil. Fizemos de tudo e saímos daqui satisfeitos e orgulhosos. O Ivo defendeu a camisola com unhas e dentes e nós estivemos lá para o ajudar", analisou Rui Oliveira, à Lusa.

Fonte: Record on-line

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