domingo, 28 de maio de 2023

“Delmino Pereira considera João Almeida um "atleta excecional": «Temos um corredor que é um ídolo»”


Presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo enaltece pódio inédito no Giro

 

Por: Lusa

Foto: REUTERS

O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) definiu este domingo como "um momento de grande felicidade" a subida de João Almeida ao pódio final do Giro, elogiando o "ídolo" que é também "um atleta excecional".

"É um momento de grande felicidade, porque temos um corredor que é um ídolo, que começa a apaixonar os portugueses com os seus feitos desportivos, em grandes Voltas, especialmente. E isto é fundamental. As modalidades vivem de ídolos, crescem com ídolos a todos os níveis", destacou Delmino Pereira, em declarações à Lusa.

O presidente da FPC viajou para Roma, onde hoje presenciou a subida ao terceiro lugar do pódio de João Almeida, o também vencedor da classificação da juventude que se tornou no primeiro português de sempre a ficar entre os três primeiros da 'corsa rosa'. "Foi com orgulho e imensa satisfação e também com discrição. Acho que os nossos corredores devem ser os nossos heróis, [devemos] elevar ao máximo um feito notável, e nós dirigentes vamos ser discretos e estar no sítio certo à hora certa", respondeu ao ser questionado sobre o que sentiu ao presenciar a festa do corredor de 24 anos após a conclusão da 106.ª edição da Volta a Itália.

Para Delmino Pereira, o terceiro lugar do português da UAE Emirates no Giro, atrás dos consagrados Primoz Roglic (Jumbo-Visma), o esloveno que se sagrou vencedor, e Geraint Thomas (INEOS), que foi segundo, é "um feito desportivo excecional". "No início do meu mandato, também não esperava ter um campeão do mundo [de fundo] e também tivemos [Rui Costa]. Ninguém esperava ter tantos bons resultados na pista... trabalhamos e os resultados, felizmente, têm uma certa regularidade no ciclismo, mas ter um voltista é algo fantástico", assumiu.

O ciclista de 24 anos, que também conquistou a classificação da juventude, é o primeiro português a 'fechar' o Giro no pódio e o segundo corredor luso a ficar entre os três melhores de uma grande Volta, depois de Joaquim Agostinho ter sido terceiro nas edições de 1978 e 1979 da Volta a França e segundo na Vuelta1974. "Acho que é fruto de toda uma comunidade, que dá bons corredores e desportistas. Temos aqui um atleta excecional. Vamos desfrutar [dele] o máximo possível", concluiu.

Fonte: Record on-line

“A-dos-Francos celebra histórico pódio de João Almeida na Volta a Itália”


Avós, tios, outros familiares e amigos todos juntos a ver a prova

 

Por: Lusa

Foto: REUTERS

Na hora em que João Almeida subia ao pódio da Volta a Itália, um festival de ranchos disputava as atenções da população de A-dos-Francos, terra do ciclista que vai ser homenageado com uma prova com o seu nome.

Enquanto o pelotão cumpria, em Roma, os 126 quilómetros da 21.ª e última etapa do Giro, transmitidos no ecrã gigante da Sociedade de Instrução e Recreio de A-dos-Francos, no concelho das Caldas da Rainha, as atenções centravam-se hoje na praça do outro lado da estrada, onde um festival de ranchos animava a terra do primeiro ciclista português a conseguir um pódio final na Volta a Itália. "Isto hoje são favas contadas, o terceiro lugar já está garantido", comenta-se numa das mesas, entre rodadas de cerveja, uns cânticos de "SLB, SLB" e uma idas até ao palco por onde vão desfilando ranchos de vários pontos do país.

A festa em torno de João Almeida (UAE Emirates), "já se fez ontem [sábado], com os avós, tios, outros familiares e amigos todos juntos na associação a ver a prova", contou à agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia de A-dos- Francos, Paulo Sousa, também ele hoje dividido entre a corrida do jovem ciclista da terra e os ranchos que animavam a praça.

Para o autarca não restam dúvidas de que o desempenho de João Almeida "mudou a terra onde ele nasceu". A vila já tinha "alguma visibilidade devido à equipa de futebol feminino que chegou a estar na primeira divisão", porém, "nada comparável com aquilo que o João trouxe, porque vai além-fronteiras e o nome de A-dos-Francos é falado em todo o mundo". A terra agradeceu com a inauguração, em junho do ano passado, de uma estátua de homenagem ao ciclista que em 2020 pôs A-dos-Francos nas bocas do mundo ao longo dos 15 dias em que envergou a camisola rosa.

Hoje, como em praticamente todos os dias desde o início da 'corsa rosa', "há romarias de ciclistas ao monumento para tirarem fotografias", constata Paulo Sousa. "Vêm pessoas do Porto, de Coimbra, ciclistas amadores e até alguns profissionais que por aqui passam nos seus treinos, e que depois vão aos cafés, à associação e acabam também por dinamizar a economia local e tornar A-dos-Francos um ponto de referência", conta o presidente da junta.

Bicicletas cor-de-rosa pintadas nas estradas da vila marcam o percurso que leva à casa de João Almeida, ponto obrigatório de passagem para os admiradores do ciclista. "Só hoje já cá passaram dois grandes grupos, que não sei de onde vinham, mas que disseram que ainda tinham que fazer 100 quilómetros para regressar a casa", conta a avó, Luísa Gonçalves.

Admiradora ferrenha do neto, Luísa não perde pitada da prova "muito boa que ele tem estado a fazer este ano", nem a esperança de que "num dos próximos anos ele termine o Giro, a Volta a Portugal ou outra grande prova com a camisola rosa". "O ano passado foi um grande desgosto, porque ele apanhou covid. Este ano cheguei a pensar que ele ia conseguir, mas há outros ciclistas muito bons e ele ainda é novo, não foi este ano, mas há de lá chegar", afirma a avó que segue o neto "em todas as etapas de todas as provas que ele faz em Portugal".

Hoje, é pela televisão que assiste à subida de João Almeida ao pódio, no final de uma prova em que vai gritando frases de incentivo: "vai João, força, tu és forte". Em casa é ela que 'faz a festa e deita os foguetes', ao lado do marido, Júlio, "mais calado, mais reservado, mas que está a vibrar por dentro". Ou não continuasse o ciclista agora "um homem, que até já tem bigode e é famoso", a ser, no seio da família, "o mesmo menino que sempre foi, que cresceu nesta terra pacata e que a todos enche de orgulho pelo percurso que está a fazer".

Um percurso que hoje sagrou João Almeida como o primeiro português a pisar o pódio final na Volta a Itália, num momento assinalado em A-dos- Francos, com grande parte do público dos ranchos a trocar a praça pela associação para aplaudir o ciclista de 24 anos. A terra vai voltar a agradecer ao atleta, desta vez não com uma estátua mas com a organização do primeiro Prémio João Almeida, uma prova realizada pela Federação Portuguesa de Ciclismo em parceria com a Ecosprint (a escola de ciclismo onde o ciclista começou a carreira).

Uma homenagem marcada para o dia 8 de junho e que, segundo o presidente da junta, irá repetir-se todos os anos.

Fonte: Record on-line

“Campeão do Mundo de BTT lembra "entusiasmado" João Almeida: «Era notório que isso o levaria longe»”


Christopher Blevins foi colega do português na Hagens Berman Axeon

 

Por: Lusa

Foto: REUTERS

O ciclista norte-americano Christopher Blevins, campeão do mundo de 'short track' no BTT em 2021, lembrou este domingo à Lusa como João Almeida era em jovem um aprendiz com "muito entusiasmo".

Blevins, de 25 anos, correu com Almeida, que hoje acabou a Volta a Itália no terceiro lugar, na Hagens Berman Axeon, 'fábrica de talentos' norte-americana que, em 2018, albergava este duo, mas também os gémeos portugueses Ivo Oliveira e Rui Oliveira. "Éramos os dois muito jovens. Já me tinha cruzado com ele antes, quando éramos juniores. Ele era ainda muito 'verde', nessa altura. Ainda não tinha tido a oportunidade de participar em muitas corridas, mas era claro que era talentoso", recorda o nativo de Durango, em entrevista à Lusa.

Em 2018, os dois coincidiram na Hagens Berman Axeon, equipa criada por Axel Merckx, ex-ciclista e filho da 'lenda' Eddy Merckx, que desde a formação se tem dedicado a lançar campeões para o World Tour, como o britânico Tao Geoghegan Hart, vencedor do Giro em 2020, mas também Almeida ou Ruben Guerreiro. "Estivemos juntos logo no estágio de início de época da Axeon. O João tinha muito entusiasmo para se tornar profissional, e era notório que isso o levaria longe", avalia.

Segundo Blevins, esse entusiasmo "é um traço valorizado" no mundo do ciclismo, sobretudo "quando se ama o que se faz". "Ele tinha amor por isto, posto de forma simples. Tenho a certeza que já aprendeu muitas outras coisas enquanto profissional, mas na altura éramos tão novos que estávamos só entusiasmados e disponíveis para trabalhar", recorda.

Christopher Blevins cruzou-se, naqueles dois anos na Axeon, com ciclistas como o belga Jasper Philipsen, o irlandês Eddie Dunbar (Jayco-AlUla), que também hoje fechou 'top 10' no Giro, e numerosos outros nomes agora no World Tour.

Seguiu outro caminho, o do 'cross country', e chegou aos Jogos Olímpicos Tóquio2020, em 2021, ano em que venceu o título mundial de 'short track' (XCC), estando agora dedicado a 100% ao BTT. "Com Paris2024 a pouco mais de um ano de distância, é um grande objetivo. A Taça do Mundo é algo muito entusiasmante para o BTT. Ocupa muito tempo, mas é um bom momento para se ser ciclista no geral", analisa.

O trio português que agora está na UAE Emirates, e com quem se cruzou nos Estados Unidos, nunca está longe da conversa e lembra um encontro com os irmãos Oliveira em Andorra, em 2022, quando são também eles medalhados em Europeus e Mundiais, na pista, e parte do WorldTour na estrada. "É bonito ver o quão longe todos chegámos. [...] Agora que estamos todos mais velhos, ver todos estes ex-Axeon em grandes Voltas, eu no BTT, é entusiasmante. É entusiasmante ver o João e o Jasper", comenta.

Neste Giro, de resto, torceu "pelo João na luta pelo 'top 3'", que ficou separado "por uma diferença tão pequena, é de doidos", com o esloveno Primoz Roglic (Jumbo-Visma) a vencer sobre o britânico Geraint Thomas (INEOS) por uma diferença de 14 segundos.

Ainda assim, tinha outros favoritos: por um lado, Brandon McNulty (UAE Emirates) é um companheiro de muitos anos de seleção, tendo vencido uma etapa, por outro a afinidade com Sepp Kuss (Jumbo-Visma). "Cresci com o Sepp, somos da mesma cidade natal, e foi lindo vê-lo a comandar o pelotão", afirma.

Fonte: Record on-line

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