sexta-feira, 18 de julho de 2025

“A mentalidade tem de mudar..." Remco Evenepoel critico no final da 12ª etapa da Volta a França”


Por: Carlos Silva

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

Remco Evenepoel viveu uma jornada atribulada na 12.ª etapa da Volta a França 2025, mas demonstrou grande capacidade de sofrimento ao resistir a um dia difícil nos Pirenéus. Depois de ter descolado a mais de 50 quilómetros da meta, o belga da Soudal - Quick-Step soube limitar os estragos, pedalando ao seu próprio ritmo e mantendo vivas as suas aspirações ao pódio final.

"Não tive as melhores sensações desde o início da etapa. Mesmo nas partes planas, sentia as pernas pesadas", confessou Evenepoel após a etapa. "Nas subidas tentei encontrar o meu ritmo e fazer uma espécie de contrarrelógio de 50 quilómetros. Foi uma longa batalha contra mim próprio, com a minha cabeça e as minhas pernas." O esforço acabou por ser suficiente para manter o terceiro lugar da geral, atrás de Pogacar e Vingegaard.

"Não é que tenha corrido de forma inteligente, era apenas a única forma possível de correr hoje. Lutei com o pódio de Paris em mente", explicou o belga, sublinhando a sua atitude. "As diferenças para o Tadej eram muito grandes, mas em relação aos outros mantive-me na luta. Espero estar melhor amanhã para tentar alguma coisa no contrarrelógio. Quero manter a calma e dia após dia, esquecer este dia mau. O Tadej esteve muito acima de todos os outros hoje. Ainda faltam dez dias de corrida, mas ele deu um grande passo para vencer a Volta a França."

Apesar da sua performance combativa, Evenepoel não deixou de criticar abertamente a forma como algumas equipas se comportaram tacticamente ao longo da etapa. "Algumas equipas correram hoje como se estivessem ali para o apoiar (Pogacar ed.) e a UAE Team Emirates, o que não é a forma correta de fazer as coisas", disparou. "A mentalidade tem de mudar, especialmente quando a Camisola Amarela já está tão longe. Não podemos entregar-lhe a corrida de bandeja."

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“Ex-vencedor do Tour deixa crítica ao compatriota Vingegaard após este fugir à imprensa na etapa 12 do Tour: "Não foi uma boa atitude"


Por: Ivan Silva

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Durante várias temporadas, a rivalidade entre Tadej Pogacar e Jonas Vingegaard ofereceu duelos equilibrados e imprevisíveis nas Grandes Voltas. Mas, na 12.ª etapa da Volta a França 2025, esse equilíbrio ruiu. O dinamarquês da Team Visma | Lease a Bike foi claramente batido pelo Campeão do Mundo, perdendo mais de dois minutos numa jornada marcante nos Pirenéus, com chegada em Hautacam.

Visivelmente abatido após a chegada, Vingegaard optou por não prestar declarações e seguiu diretamente para o autocarro da equipa, evitando os jornalistas presentes na zona de meta. Uma atitude que, embora compreensível para alguns, não foi bem recebida por Bjarne Riis, ex-ciclista profissional e vencedor da Volta a França em 1996.

"Acho que não foi uma boa atitude da parte do Jonas não falar com a imprensa", apontou Riis durante a sua análise para a BT.dk. Ainda assim, demonstrou alguma empatia com a situação: "Percebo que ele queira um momento de tranquilidade. Provavelmente precisa de paz e sossego, e falará na sexta-feira embora seja num dia de contrarrelógio, o que limita as possibilidades."

Riis, com vasta experiência na gestão de altos e baixos no ciclismo profissional, considera que o silêncio absoluto pode ser contraproducente, mesmo nos piores dias. "Entendo o sentimento, mas às vezes basta dizer uma frase curta. Algo como: ‘Hoje não foi o meu dia, estou desapontado, preciso de tempo para refletir, mas volto em breve.’ Isso bastava. É difícil quando se está no olho do furacão, mas isso também faz parte do jogo."

A etapa de Hautacam marcou uma viragem clara na narrativa do Tour deste ano, com Pogacar a assumir o controlo absoluto da corrida e Vingegaard a ceder terreno importante. O gesto de silêncio do dinamarquês contrastou com os momentos anteriores da sua carreira, onde, mesmo em dificuldade, costumava mostrar-se mais disponível para reagir à adversidade.

Riis concluiu a sua análise com uma nota de realismo: "É duro, sim. Mas no ciclismo, temos de aceitar tudo, os dias bons e os maus. E isto também é parte da responsabilidade de ser um líder numa Grande Volta."

O próximo teste de Jonas Vingegaard será o contrarrelógio individual da 13.ª etapa. Será a oportunidade ideal para dar uma resposta em estrada, e talvez também fora dela.

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“Armstrong fala sobre como é ser o centro das atenções da Volta a França: "Posso dizer-vos exatamente o que Pogacar estava a pensar"


Por: Ivan Silva

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Lance Armstrong costuma manter um registo relativamente contido no podcast The Move. Quando o tema é a Volta a França, são geralmente George Hincapie e Bradley Wiggins quem protagonizam os comentários mais acutilantes, com análises ousadas e por vezes provocadoras.

Contudo, após a impressionante demonstração de força de Tadej Pogacar na 12.ª etapa da Volta a França, em Hautacam, o texano não conteve o entusiasmo. A implosão completa de Jonas Vingegaard e do bloco da Team Visma | Lease a Bike abriu espaço para uma exibição imperial da UAE Team Emirates - XRG, e Armstrong parecia reviver os seus dias de glória no seio da US Postal, quando (com a ajuda de EPO diga-se) anulava qualquer tentativa de oposição com autoridade esmagadora. Tal como então, Pogacar também desmantelou por completo os seus rivais.

Na sua análise pós-etapa, Armstrong afirmou reconhecer com precisão o que se passava na cabeça de Pogacar no momento do ataque fulminante. O ex-campeão falou com prazer evidente, claramente deliciado com a exibição do esloveno, e até recorreu a memórias pessoais, evocando equipas espanholas como a ONCE e a Kelme, que, segundo as suas palavras, procuravam endurecer as corridas, apenas para serem “destruídas”.

Para Armstrong, a Visma acabou por facilitar a vida à UAE com uma abordagem tática excessivamente agressiva. A equipa neerlandesa assumiu o controlo durante grande parte da etapa, impondo um ritmo que desgastou os seus próprios elementos, enquanto os gregários de Pogacar beneficiavam da gestão passiva. “Estive na posição de Tadej Pogacar, com outra equipa a ditar o ritmo da corrida, e sei exatamente o que ele estava a pensar. Primeiro: ‘Obrigado, rapazes. Agora a minha equipa não precisa de fazer nada.’ Segundo, e mais importante: ‘Vou mostrar a estes tipos quem manda’”, disse Armstrong. “Eu já passei por isso. Quer fosse a ONCE, a Kelme ou a T-Mobile.”

As palavras do texano, ainda que carregadas de subtexto e nostalgia pelo seu próprio domínio, refletem uma admiração pela forma como Pogacar está a dominar esta Volta a França. E deixam implícita a ideia de que, à semelhança do que aconteceu na sua era, o controlo total de uma Grande Volta nasce tanto das pernas como da mente, e da leitura perfeita da corrida.

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