domingo, 28 de maio de 2023

“Roglic ainda não processou as emoções de vitória no Giro: «Na memória para o resto da vida»”


Depois de vários azares, lesões e outros contratempos na carreira, este triunfo 'sabe' a redenção

 

Por: Lusa

Foto: Reuters

O ciclista esloveno Primoz Roglic (Jumbo-Visma) admitiu este domingo que ainda estava a processar a vitória na Volta a Itália, que vai "ficar na memória para o resto da vida".

O esloveno, tricampeão da Vuelta (2019 a 2021), bateu o britânico Geraint Thomas (INEOS), segundo, e o português João Almeida (UAE Emirates), terceiro, para vencer o Giro pela primeira vez na carreira.

"Ainda não [processei]. Desfruto do momento, tento desfrutar das emoções, como ontem [sábado, em que venceu a 'cronoescalada' decisiva]. No fim de contas, é bom quando se ganha, mas é importante sentir aquela energia de ontem [sábado], como correr nesta cidade espetacular, neste pelotão", resumiu.

Aos 33 anos, 'Rogla', que destronou Thomas na penúltima etapa, vence uma quarta grande Volta, na qual desfrutou "muito" de cada etapa, afirmou, ainda antes de subir ao pódio, acompanhado do filho mais velho, e fazer a sua celebração famosa vinda dos dias dos saltos de esqui, a posição 'Telemark'.

Depois de vários azares, lesões e outros contratempos na carreira, este triunfo 'sabe' a redenção e o campeão da 106.ª edição foi mesmo questionado sobre se serviria para trazer justiça para a sua carreira, que, exceção feita à Volta a França, inclui quase todas as corridas por etapas do mais alto nível.

"Sim, eu assinaria isso. Cada vitória é especial e estou agradecido por conseguir alcançar este triunfo. Vai ficar na memória para o resto da minha vida", admitiu.

O esloveno bateu Geraint Thomas na 20.ª e penúltima etapa e garantiu a camisola rosa no dia de hoje, em que o pelotão pedalou em 'procissão' pelas ruas de Roma e em que o britânico Mark Cavendish (Astana) ganhou ao sprint.

"Foi uma corrida maravilhosa", admitiu Thomas, que se deu ao trabalho de 'puxar' para Cavendish, de outra equipa, nos últimos quilómetros da tirada, por pura amizade e para "ajudar um irmão".

Segundo o veterano ciclista britânico, que se sagraria aos 37 anos o mais velho de sempre a vencer a 'corsa rosa', esta "foi uma corrida fantástica", em que liderou grande parte da reta final.

"Gostei muito. Posso ter 37 anos, mas sinto-me com 27", atirou, bem-humorado, antes de subir ao pódio também acompanhado pelo seu 'pequeno'.

João Almeida ainda não tem filhos para levar ao pódio, mas estava também feliz com um pódio "muito especial", por partilhar aquele espaço com "aqueles dois, por serem quem são".

"O meu objetivo principal é sempre a geral, vejo a juventude como um bónus. [...] Acho que ainda tenho margem para crescer um pouco. Tenho de trabalhar e descobrir", admitiu.

Um regresso "é certo", mas não é líquido que seja já em 2024, tendo já expressado a vontade de experimentar a Volta a França nesse ano.

O português agradeceu a toda a equipa, porque "sem eles não estaria no pódio", e considerou que "leva tempo a aprender como ser líder", um trabalho que tem estado a fazer e com o qual se sente "feliz".

"Talvez faça a Vuelta este ano, mas não sei", respondeu, quando questionado sobre próximos objetivos, descartando a Volta à Lombardia e deixando em cima da mesa representar Portugal nos Mundiais de Glasgow, em agosto.

O diretor desportivo da Groupama-FDJ, Sébastien Joly, mostrou-se satisfeito com os resultados da equipa, que colocou o francês Thibaut Pinot no quinto lugar e no primeiro posto da classificação da montanha, além de ter chegado a liderar a prova com Bruno Armirail.

"É uma bela aventura humana que se encerra, também com o 'staff' que fez um trabalho exemplar", analisou.

Fonte: Record on-line

“João Almeida já olha para a Vuelta: «Estar na frente com os melhores e, se possível, fazer o pódio»”


Português reassume vontade de ir ao Tour no próximo ano

 

Por: Fábio Lima

Foto: Reuters

Ainda a digerir o pódio histórico no Giro deste ano, João Almeida assumiu à RTP a vontade de no próximo ano ir ao Tour e revelou ainda que ainda este ano tem como objetivo fazer boa figura na Vuelta.

"A Volta a França seria o próximo objetivo. Gostava de realizá-la no próximo ano, mas mais tarde darei notícias. Agora quero festejar com os meus colegas", comentou o ciclista da UAE Emirates, que em relação à Vuelta, uma prova que será o objetivo para o que falta de época, tem ideias bem claras: "O objetivo é discutir a prova, estar na frente com os melhores e, se possível, fazer o pódio".

E por falar em pódio, em Itália conseguiu o primeiro numa Grande Volta na sua ainda curta carreira, um motivo de natural orgulho. "É um momento importante para o ciclismo português. Objetivo concretizado, trabalhei muito com os meus colegas para alcançá-lo. Que seja o início de vários pódios. A minha preparação tinha este objetivo".

João Almeida enalteceu ainda a mudança que tem visto na forma como os portugueses olham para o ciclismo. "Desde 2020 que Portugal tem tido os olhos postos no ciclismo. Infelizmente nem tudo tem sido positivo, mas espero ter trazido felicidade para os portugueses e vou trabalhar para dar mais sorrisos. Tem mudado, os portugueses têm estado ao rubro a apoiar. Sinto muito apoio e isso faz a diferença. Se ligarmos a televisão vemos imensas bandeiras na estrada".

Fonte: Record on-line

“José Azevedo enaltece "feito" de João Almeida: «Só ao alcance de um lote muito reduzido de ciclistas»”


Diretor da Efapel garante que "uma corrida de três semanas nunca se ganha com sorte"

 

Por: Lusa

Foto: REUTERS

José Azevedo defendeu que é preciso enaltecer o feito de João Almeida, que este domingo conquistou um inédito pódio no Giro para Portugal, sem querer criar já a expectativa de que o ciclista português pode vencer uma grande Volta.

"É um feito só ao alcance de um lote muito reduzido de ciclistas. Estamos a falar no pódio numa grande Volta, [algo] que, se formos a ver, só corredores de muito talento, de grande potencial é que conseguem atingir", começou por destacar o antigo ciclista e atual diretor da equipa portuguesa Efapel, em declarações à agência Lusa.

Antes de João Almeida (UAE Emirates) 'aparecer', José Azevedo tinha sido o corredor nacional a ficar mais perto do pódio da Volta a Itália, com o quinto lugar na edição de 2001, posição que o vencedor da classificação da juventude desta edição da 'corsa rosa' já havia melhorado em 2020 (foi quarto). "Foi sempre um corredor que, desde as camadas jovens, esteve ao nível dos melhores. Quando passou a profissional, logo no primeiro ano, fez uma grande Volta a Itália e, a partir daí, criou essas expectativas de confirmação e de melhorar ainda esse top 5 que ele fez logo no primeiro ano. E tem vindo a demonstrar o seu valor e este é mais um passo que ele dá na sua carreira, um excelente resultado que junta ao seu palmarés. Acho que ele está satisfeito e deve ficar orgulhoso, porque é daqueles resultados que ficam para a história", salientou Azevedo.

O agora diretor desportivo defende que Almeida só perdeu para dois grandes corredores, o esloveno Primoz Roglic (Jumbo-Visma), tricampeão da Vuelta, que hoje subiu ao pódio para envergar a 'maglia rosa' final, e o britânico Geraint Thomas (INEOS), campeão do Tour2018, que foi segundo a 14 segundos do vencedor. "Uma corrida de três semanas nunca se ganha com sorte, ganha-se com valor, ganha-se na estrada e ganha sempre o mais forte. E os dois que ficaram à frente do João, eu acho que são dois ciclistas que, para além de terem sido mais fortes temos que reconhecer isso, [...] estão no topo daqueles seis, sete melhores ciclistas mundiais da atualidade", notou, lembrando ainda que ambos têm "um palmarés melhor" do que o jovem de A-dos-Francos.

Assim, para José Azevedo, "em momento algum se pode falar em desilusão", devendo, sim, enaltecer-se "o feito" de Almeida, até porque "só quem é mesmo muito, muito, muito bom é que consegue fazer pódio numa grande Volta". "Se o João vai continuar a evoluir para ganhar uma grande Volta, isso o futuro dirá. Logicamente que ele vai ter isso na cabeça...", disse, ressalvando, contudo, que "as pessoas têm de ser corretas nas análises que fazem e corretas para com o João".

Para o antigo ciclista de 49 anos, que foi também quinto classificado no Tour2004, "não podemos estar a querer colocar o João ao nível de um [Jonas] Vingegaard ou de um [Tadej] Pogacar", os últimos vencedores da Volta a França. "Não podemos estar a querer pedir ao João, a criar essa expectativa que o João vai já ganhar uma grande Volta, porque fez terceiro. E eu não tenho dúvidas que o João quer isso, se vai conseguir ou não, não sei. Que eu acho que ele vai trabalhar com esse objetivo, eu acho que sim. O tempo vai dizer se ele consegue chegar lá ou não, mas eu acho que é injusto estar já a querer-lhe pedir isso", sustentou.

Azevedo acredita que "o justo, neste momento, é valorizar aquilo" que o jovem de 24 anos fez, porque não há "muitos corredores em Portugal que o tenham conseguido". "Tirando o [Joaquim] Agostinho, foi o João. E eu acho que é isso que a gente tem que, neste momento, enaltecer, elogiar o que ele conseguiu e não estar já a querer criar uma expectativa, que, se calhar, é muito injusta neste momento, que não sabemos se ele vai lá chegar, mas que eu não tenho dúvida que é o objetivo dele, não é? Mas, agora, se não chegar, também não é falhanço nenhum. Ou seja, se o João fizer muitas vezes terceiro, eu acho que é sempre excelente, quem dera a muitos conseguir estar sempre no pódio", concluiu.

Almeida, que também conquistou a classificação da juventude, é o primeiro português a 'fechar' o Giro no pódio e o segundo corredor luso a ficar entre os três melhores de uma grande Volta, depois de Joaquim Agostinho ter sido terceiro nas edições de 1978 e 1979 da Volta a França e segundo na Vuelta1974.

Fonte: Record on-line

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