terça-feira, 13 de outubro de 2026

“Sem Tadej Pogacar, o ciclismo voltou a surpreender: “Foram algumas das corridas mais emocionantes do ano”


Por: José Morais

A ausência de Tadej Pogačar nas semanas decisivas da temporada transformou por completo o panorama do ciclismo internacional. Após a queda e consequente abandono na Volta a Espanha, o domínio habitual do esloveno desapareceu do pelotão e abriu espaço a corridas mais imprevisíveis, onde a estratégia, o suspense e a luta pela vitória regressaram ao centro do espetáculo.

Quem o afirma é Luke Tuckwell, corredor da Red Bull-BORA-hansgrohe, que acompanhou de perto o incidente que afastou o campeão esloveno da competição. Apesar de considerar Pogačar como “o melhor ciclista de todos os tempos”, o australiano reconhece que a sua ausência trouxe um nível de incerteza raramente visto nas principais provas da temporada.

 

Vuelta ganhou nova vida sem o campeão esloveno

 

Segundo Tuckwell, a Vuelta mudou radicalmente após a saída de Pogacar. O que poderia ter sido mais uma demonstração de força do líder da UAE Team Emirates transformou-se numa batalha aberta, onde vários corredores alimentaram legítimas ambições de conquistar a camisola vermelha.

As etapas de montanha deixaram de estar sob o controlo absoluto de uma única equipa, permitindo ataques inesperados, fugas bem-sucedidas e triunfos de corredores de diferentes gerações. Jovens talentos emergiram, veteranos reencontraram o caminho da vitória e a classificação geral manteve-se em aberto até aos momentos decisivos da prova.

“O mais especial era acordarmos sem saber o que iria acontecer nesse dia”, recordou o australiano, destacando que essa incerteza tornou a corrida particularmente envolvente para quem a viveu dentro do pelotão.

 

Mundial de Montreal ofereceu um espetáculo imprevisível

 

A mesma sensação repetiu-se nos Campeonatos do Mundo disputados em Montreal. Tuckwell revelou que a seleção australiana passou dias a analisar cenários possíveis, algo que, na sua opinião, seria muito mais difícil de imaginar caso Pogačar estivesse presente.

Corredores como Remco Evenepoel, Isaac del Toro e Paul Seixas surgiam entre os favoritos, mas ninguém conseguia antecipar como a corrida se desenrolaria. A diversidade de estratégias e ataques manteve a incerteza até ao final.

O australiano recorda ainda que muitos adeptos consideraram esta edição do Campeonato do Mundo uma das mais emocionantes dos últimos anos. O triunfo de Brandon McNulty, por exemplo, surgiu num contexto de corrida aberta e agressiva, marcado por sucessivas movimentações ofensivas e constantes mudanças de cenário.

 

Lombardia confirmou uma nova realidade

 

A última grande clássica da temporada também refletiu essa transformação. Sem o vencedor das últimas cinco edições, o Il Lombardia apresentou um leque muito mais vasto de candidatos ao triunfo.

Entre as grandes incógnitas estavam a postura ofensiva de Remco Evenepoel, as opções táticas da UAE Team Emirates e o estado de forma de Paul Seixas. O jovem francês acabaria por responder da melhor maneira, assinando uma exibição autoritária que impressionou todo o pelotão internacional.

Para Tuckwell, o resultado voltou a demonstrar como a ausência de uma figura dominante pode aumentar a imprevisibilidade e criar narrativas mais ricas ao longo da corrida.

 

O domínio que reduz a incerteza

 

Embora ninguém coloque em causa o talento extraordinário de Pogacar, o corredor da Red Bull admite que o ciclismo ganha uma dimensão diferente quando o esloveno não está presente. Sem um favorito quase inevitável, as equipas são obrigadas a arriscar mais, os ataques multiplicam-se e o vencedor permanece em dúvida até ao final.

Para muitos adeptos, é precisamente essa incerteza que torna o ciclismo apaixonante. E, segundo Tuckwell, foi isso que marcou algumas das provas mais memoráveis da temporada: corridas onde ninguém sabia quem iria ganhar até ao último quilómetro.

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