Por: José Morais
O processo relacionado com a
alegada falsificação de documentos no âmbito do caso de doping da antiga W52-FC
Porto sofreu um novo compasso de espera. O Tribunal de Felgueiras decidiu adiar
para 16 de outubro, às 10h00, o início do julgamento que tem como arguidos o
ex-dirigente Adriano Quintanilha e um inspetor da Polícia Judiciária.
A alteração da data surge após
um requerimento apresentado pela defesa do antigo líder da equipa de ciclismo,
levando o tribunal singular da comarca do Porto a reagendar a primeira sessão,
que estava prevista para decorrer esta quarta-feira.
No centro da investigação
encontra-se um alegado Código de Conduta produzido com informações e datas que,
segundo a acusação, não corresponderiam à realidade. O documento terá sido
concebido para demonstrar que nem Adriano Quintanilha nem a Associação Calvário
Várzea, entidade que esteve na origem da estrutura desportiva da W52-FC Porto,
tinham conhecimento das práticas de dopagem que vieram a ser descobertas na
Operação Prova Limpa.
O Ministério Público acusa os
dois arguidos e a associação da prática do crime de falsificação de documento.
Além dessa imputação, Quintanilha enfrenta ainda uma acusação por coação,
enquanto o elemento da Polícia Judiciária responde também por favorecimento
pessoal. A decisão de levar os envolvidos a julgamento foi confirmada pelo
Tribunal de Instrução Criminal de Penafiel, que validou integralmente a
acusação apresentada pelo Ministério Público.
Segundo a investigação, os
factos remontam aos dias posteriores às buscas desencadeadas em abril de 2022
no âmbito da Operação Prova Limpa. Confrontado com as possíveis consequências
judiciais e disciplinares do caso, o antigo dirigente terá recorrido ao apoio
de um inspetor da PJ, com quem mantinha uma relação de proximidade assente na
ligação ao ciclismo e ao FC Porto.
A acusação sustenta que ambos
terão articulado a criação de um documento retrodatado para janeiro de 2022. A
intenção seria criar uma salvaguarda formal que afastasse qualquer suspeita de
conhecimento ou envolvimento da direção e da associação nas práticas ilícitas
investigadas.
Depois de elaborado, o
documento terá sido apresentado ao então diretor desportivo, Nuno Ribeiro, bem
como aos corredores da equipa, para recolha de assinaturas. O Ministério
Público alega que os ciclistas foram informados de que a assinatura serviria para
proteger a continuidade da equipa e dos respetivos contratos, havendo mesmo
referência a um atleta que terá subscrito o documento sob pressão relacionada
com o pagamento do seu salário.
O caso surge como mais um
capítulo judicial da Operação Prova Limpa. No processo principal de doping,
Adriano Quintanilha e Nuno Ribeiro tinham sido condenados a penas efetivas de
prisão de quatro anos e nove meses. Contudo, o Tribunal da Relação do Porto
anulou posteriormente essa decisão, ordenando a repetição do julgamento e a
reformulação do acórdão, por considerar que foram utilizadas provas
consideradas ilegais durante a audiência.



