Por: José Morais
Dois corredores da seleção de
Ruanda permanecem desaparecidos desde o final dos Campeonatos do Mundo de
Ciclismo de 2026, realizados em Montreal, no Canadá. Os atletas não regressaram
ao país com o restante da comitiva e, até ao momento, o seu paradeiro continua
por esclarecer.
De acordo com informações
divulgadas pela imprensa ruandesa, os ciclistas em causa são Kevin Nshutiraguma,
da categoria sub-23, e Pacifique Byusa, atleta júnior. Ambos terão abandonado o
hotel da equipa por iniciativa própria pouco depois da competição, sem
comunicar os seus planos aos responsáveis da delegação.
Perante o desaparecimento, a
Federação Ruandesa de Ciclismo iniciou uma investigação interna para tentar
reconstituir os últimos movimentos dos corredores e perceber o que aconteceu
após a sua saída do alojamento oficial. Nenhum dos dois acompanhou a equipa na
viagem de regresso a Kigali.
Durante os campeonatos,
Nshutiraguma e Byusa participaram nas provas de contrarrelógio das respetivas
categorias. O atleta sub-23 alinhou ainda na corrida de fundo, mas não
conseguiu concluir a competição.
O caso surge num contexto
delicado para muitos praticantes do ciclismo ruandês, frequentemente
confrontados com dificuldades económicas e limitações estruturais que têm
afetado o desenvolvimento da modalidade no país. Estas preocupações já foram
várias vezes apontadas por atletas e dirigentes locais.
Esta não é, aliás, a primeira
situação semelhante envolvendo corredores ruandeses em competições
internacionais. Em 2022, Samuel Mugisha, vencedor da Volta ao Ruanda de 2018,
desapareceu nos Estados Unidos após viajar para participar no Maryland Cycling Classic.
Na altura, imagens de videovigilância captaram o ciclista a abandonar o
aeroporto na companhia de duas pessoas que, segundo as investigações, lhe eram
familiares.
Embora existam precedentes que
alimentam várias hipóteses sobre o desaparecimento dos dois jovens atletas, as
circunstâncias do caso continuam envoltas em incerteza. Até agora, não foi
registado qualquer pedido de asilo por parte de Nshutiraguma ou Byusa junto das
autoridades canadianas.
A ausência de respostas mantém
a federação, os familiares e a comunidade ciclística em alerta, enquanto
prosseguem as tentativas para localizar os dois corredores e esclarecer os
motivos que estiveram na origem do seu desaparecimento.

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