Por: José Morais
Remco Evenepoel voltou a
mostrar porque é um dos corredores mais explosivos do pelotão mundial ao
triunfar no Grande Prémio do Quebec, primeira etapa do díptico canadiano. O
belga da Red Bull-BORA-hansgrohe bateu Giulio Ciccone num emocionante sprint a
dois, após uma corrida marcada por ataques sucessivos e constantes mudanças na
frente da prova.
A clássica canadiana ganhou
verdadeira intensidade a cerca de 80 quilómetros da meta, quando o pelotão
anulou uma fuga matinal de seis corredores que chegou a dispor de mais de três
minutos de vantagem. A partir daí, as ofensivas sucederam-se e a seleção entre
os favoritos tornou-se inevitável.
Um primeiro movimento
ofensivo, protagonizado por nomes como Quinn Simmons e Ben Healy, não teve
sucesso, mas abriu caminho para novas investidas. Mais tarde, já dentro dos
últimos 50 quilómetros, um grupo de onze ciclistas conseguiu destacar-se,
levando para a dianteira corredores de peso como Giulio Ciccone e Alberto
Bettiol.
A corrida endureceu ainda mais
quando Paul Seixas aumentou o ritmo na frente, reduzindo drasticamente o grupo
dos candidatos ao triunfo. Nessa fase, destacavam-se também Juan Ayuso, Matteo
Jorgenson e Tom Pidcock. Mesmo depois de ter perdido contacto temporariamente,
Remco Evenepoel conseguiu regressar aos lugares dianteiros e recolocar-se na
luta pela vitória.
O momento decisivo surgiu após
uma nova aceleração de Bettiol. Evenepoel respondeu prontamente e levou consigo
Ciccone, Anthon Charmig e Alessandro Pinarello. Pouco depois, o grupo foi-se
reduzindo até ficar apenas o trio formado por Evenepoel, Ciccone e Charmig.
Já dentro dos dois quilómetros
finais, o campeão olímpico lançou um ataque poderoso na última subida,
eliminando Charmig da discussão pela vitória. Apenas Ciccone conseguiu resistir
à aceleração do belga, mas no sprint decisivo Evenepoel revelou-se mais forte e
levantou os braços na cidade do Quebec.
O dinamarquês Anthon Charmig
assegurou o último lugar do pódio, enquanto Tom Pidcock e Quinn Simmons
completaram o top-5 da classificação final.
A corrida ficou ainda marcada
por uma queda no sprint do grupo perseguidor, incidente que envolveu Juan Ayuso
e condicionou o desfecho das posições seguintes.
Entre os destaques da jornada
esteve também Paul Seixas, que animou a corrida em vários momentos, embora
tenha acabado por cortar a meta apenas na 18.ª posição, a 57 segundos do
vencedor. Já o português Afonso Eulálio concluiu a prova no 33.º lugar, a 2.57
minutos de Evenepoel, depois de uma corrida exigente e marcada por um ritmo
elevado desde os quilómetros decisivos.

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