sábado, 12 de setembro de 2026

“Mikel Landa renasce na montanha, Kuss e Carapaz agitam a geral e Enric Mas fica a um passo da conquista da Volta Espanha”


Por: José Morais

A 20.ª etapa da Volta a Espanha ofereceu um espetáculo digno das grandes jornadas de alta montanha. Ao longo dos 186,8 quilómetros entre La Calahorra e a chegada explosiva ao Collado del Alguacil, as movimentações na classificação geral voltaram a incendiar a corrida, enquanto Mikel Landa regressou aos triunfos numa Grande Volta cinco anos depois. No final do dia, Enric Mas saiu ainda mais perto de assegurar a vitória final.

A etapa começou a alta velocidade, com inúmeras tentativas de fuga até se formar um numeroso grupo na frente da corrida. Wout van Aert e Nelson Oliveira estiveram entre os primeiros a lançar-se ao ataque, sendo posteriormente acompanhados por vários corredores, incluindo Fisher-Black, Vermeersch, Chamberlain, Miquel, Coquard e Rouland. A Uno-X assumiu um papel de destaque na movimentação da fuga, colocando vários dos seus homens entre os escapados.

Atrás, a Movistar foi obrigada a assumir responsabilidades na perseguição e ajudou a formar um vasto grupo intermédio que chegou a reunir mais de quarenta corredores. Com o pelotão principal a reduzir o ritmo, os homens da frente conquistaram uma margem superior a dez minutos, transformando a etapa numa autêntica batalha em várias frentes.

Quando a corrida parecia entrar numa fase mais controlada, a primeira passagem pelo Alto de Purche mudou completamente o cenário. Sepp Kuss lançou um ataque surpreendente e, poucos minutos depois, Richard Carapaz respondeu com uma ofensiva própria. Entretanto, várias equipas reforçavam posições na frente, com EF Education-EasyPost e Visma-Lease a Bike a colocarem homens importantes ao serviço das suas ambições.

A pressão aumentou no grupo dos favoritos, onde Enric Mas chegou a ficar isolado quando a Decathlon tentou neutralizar as investidas dos seus adversários diretos. A corrida fragmentou-se na subida, voltou a recompor-se na descida e deixou apenas os principais candidatos à geral na luta pela vitória da Vuelta.

Com Roglič, Mas, Carapaz, Kuss e Gall na dianteira, as diferenças começaram a ganhar peso na classificação. A EF passou então a trabalhar em benefício do campeão olímpico equatoriano, enquanto Kuss aproveitava cada oportunidade para recuperar posições na geral.

Na segunda passagem pelo Purche, o norte-americano voltou a atacar e conseguiu abrir espaço sobre os restantes favoritos. Carapaz tentou repetir a estratégia, mas sem o mesmo sucesso. A luta pela classificação geral estava totalmente aberta e cada segundo conquistado na montanha assumia uma importância decisiva.

Mais à frente, a subida ao Puerto de El Duque partiu definitivamente a fuga. Mikel Landa, Debruyne e Johannessen destacaram-se dos restantes companheiros, enquanto Santiago Buitrago dava sinais de fragilidade. Também Wout van Aert começava a pagar o esforço acumulado ao longo da etapa, comprometendo as suas aspirações na classificação da montanha.

Entre os favoritos, Carapaz insistiu várias vezes nos ataques, mas a vigilância apertada dos adversários travou os seus planos. Já Sepp Kuss continuava a beneficiar do apoio precioso de Van Aert e Nordhagen, aumentando progressivamente a sua vantagem e escalando posições na geral.

Tudo ficou reservado para a subida final ao temível Collado del Alguacil, uma ascensão de 8,4 quilómetros com uma inclinação média próxima dos 10%. Foi aí que Mikel Landa escreveu uma das histórias mais emocionantes desta Vuelta. O basco deixou para trás os seus companheiros de fuga e lançou-se sozinho rumo à vitória, colocando fim a um jejum de cinco anos sem triunfos em Grandes Voltas.

Enquanto Landa celebrava um regresso memorável ao mais alto nível, a batalha pela geral mantinha-se acesa. Felix Gall atacou com violência nas rampas finais, provocando dificuldades aos seus rivais. Enric Mas sofreu, mas resistiu ao momento decisivo e conseguiu defender a camisola de líder. Primož Roglič limitou perdas e preservou o segundo lugar do pódio, enquanto Carapaz acabava por ceder terreno.

À entrada para a derradeira etapa, Enric Mas é o campeão virtual da Volta a Espanha. Roglič mantém-se firme na segunda posição e Gall deverá contentar-se com o terceiro lugar. Já Sepp Kuss foi um dos grandes vencedores do dia: graças a uma exibição ofensiva e ao apoio exemplar da Visma-Lease a Bike, subiu seis lugares na classificação geral e terminou a jornada instalado no quinto posto.

Foi uma etapa épica, repleta de ataques, reviravoltas e emoção até ao último quilómetro, confirmando-se como uma das mais espetaculares jornadas de uma Grande Volta nesta temporada.

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