Por: José Morais
A carreira de Nairo Quintana
caminha para o seu capítulo final e a seleção colombiana decidiu transformar
esse momento numa homenagem pública ao maior ícone do país no ciclismo moderno.
O Mundial de Estrada, marcado para o Canadá, será o palco da última grande
aparição internacional do escalador de Boyacá, num cenário carregado de
simbolismo, emoção e memória.
O Mundial
que vira tributo
Enquanto a Volta a Espanha
domina as manchetes, o foco silencioso do pelotão já se desloca para o
Campeonato Mundial. A Colômbia, longe das disputas por medalhas há anos, chega
ao Canadá com outro objetivo: celebrar o adeus de Nairo.
Segundo o portal Mundo
Ciclístico, a federação colombiana quer que o seu eterno capitão encerre a
carreira vestido com as cores nacionais, rodeado de figuras que marcaram a sua
geração. Impedido de correr a Vuelta, Quintana terá no Mundial o cenário ideal
para “pendurar a bicicleta” pelo país, pela história, pela simbologia.
Mas há um detalhe que muda o
tom da despedida: de acordo com a International Cycling, Nairo recebeu uma
proposta para competir tanto nos Campeonatos Nacionais como no Tour Colômbia,
previsto para regressar no início de 2027. Ou seja, o Mundial pode ser o
adeus…, mas talvez não o último número preso ao dorsal.
A seleção
colombiana e a carta guardada para Buitrago
A convocação colombiana para o
Mundial deve reunir nomes de peso: Egan Bernal, Brandon Rivera, Harold Tejada,
Sergio Higuita, Walter Vargas e Santiago Buitrago.
Nairo será o centro das
atenções, mas, em termos competitivos, a aposta recai sobre Buitrago, que chega
em ascensão e com perfil adequado ao percurso duro e seletivo do Canadá.
A rota favorece os colombianos
fisicamente, embora historicamente lhes falte coordenação tática em provas de
seleções. A lista está fechada e só um incidente na Vuelta poderia alterar o
plano.
O
histórico de Nairo no Mundial e o enigma Movistar
Quintana não tem tradição de
grandes resultados em Campeonatos Mundiais. A última participação foi em 2022,
terminando em 66.º. Antes disso, esteve presente em 2019, 2018 (onde foi 15.º),
2013, 2012 e 2011, sempre com desempenhos discretos. O formato da prova nunca
favoreceu o seu estilo.
Após correr a Vuelta a Burgos
e ser surpreendido pela exclusão da Vuelta a España, o futuro imediato de Nairo
na Movistar permanece incerto. A equipa de Unzué, porém, deve querer
oferecer-lhe uma última homenagem competitiva antes do Mundial e não seria
estranho vê-lo alinhar em provas como o Il Lombardia.
Um adeus
que não parece fim
O Mundial no Canadá será,
oficialmente, a despedida de Nairo Quintana da elite internacional. Mas, como
tantas vezes acontece com lendas do desporto, o adeus pode transformar-se
apenas numa pausa. Há portas abertas, há convites na mesa e há um país inteiro
disposto a vê-lo correr mais uma vez.

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