Por: Miguel Marques
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A 5.ª etapa da Volta a Itália
foi um dos dias mais caóticos da história recente. A chuva intensa trouxe
desordem logo no arranque e Giulio Ciccone perdeu a liderança. Igor Arrieta
venceu a etapa após uma queda e uma trajetória errada nos últimos 15 quilómetros,
batendo Afonso Eulálio, que também caiu no final mas assumiu a liderança da
geral, num dia histórico para o ciclismo português.
A etapa tinha 203 quilómetros
e, ao fim de apenas 10, a chuva começou a cair com força sobre o pelotão.
Apesar de as temperaturas não serem demasiado baixas, a precipitação tornou o
dia um desafio constante, o mais duro da corrida até agora.
As hostilidades começaram na
primeira contagem de montanha, com Einer Rubio, Afonso Eulálio e o vencedor da
2ª etapa Thomas Silva. No final da subida, juntaram-se Victor Campenaerts e
Gianmarco Garofoli, enquanto Giulio Ciccone se mostrou muito ativo a responder
aos ataques para tentar proteger a camisola rosa.
Contudo, na colina seguinte
multiplicaram-se os movimentos e formou-se uma fuga com mais de uma dezena de
unidades. Ben Turner, Lorenzo Milesi, Igor Arrieta, Jhonatan Narváez, Manuele
Tarozzi, Christian Scaroni e Martin Tjotta alcançaram a dianteira, à qual
Darren Rafferty se juntou pouco depois. Sem elementos na fuga, várias equipas
ajudaram a Lidl-Trek a controlar a diferença numa fase inicial, mas grande
parte do trabalho recaiu depois sobre Amanuel Ghebreigzabhier.
A vantagem estabilizou perto
dos 2 minutos durante grande parte do dia, com a colaboração na frente a
falhar. Assim que entrou a zona decisiva de subidas, Igor Arrieta atacou na
cabeça da corrida. Na principal ascensão para Viggiano, 6,6 quilómetros acima
dos 9%, Afonso Eulálio arrancou atrás e fechou o espaço para o espanhol,
enquanto o grupo perseguidor se fracionou por completo. No pelotão, não houve
movimentos entre os favoritos, com a Red Bull - BORA - Hansgrohe a impor o
ritmo.
O duo da frente entendeu-se
depois da subida e ampliou a diferença. Atrás, Giulio Ciccone ainda apareceu a
trabalhar para defender a liderança, mas acabaria por abdicar do objetivo.
Ninguém assumiu responsabilidades no pelotão e a diferença disparou, colocando
Eulálio na liderança provisória, enquanto Einer Rubio cedia e era alcançado
pelo grupo principal em Viggiano.
A 14 quilómetros do fim, numa
das muitas descidas molhadas, Arrieta caiu ao arriscar. Parecia que Eulálio
ficaria com tudo, mas o português também caiu a 6,5 quilómetros da meta e
mostrou-se tocado. Arrieta voltou a juntar-se a Eulálio e ficou bem posicionado
para vencer a etapa.
Mas o enredo mudou de novo: a
2 quilómetros do fim, Arrieta errou o trajeto na derradeira descida e perdeu a
roda de Eulálio. O português parecia encaminhado para o triunfo, porém, na
rampa final até à meta, Arrieta recuperou de trás, fechou o espaço e conquistou
uma vitória de etapa emotiva. Eulálio, apesar do revés, ganhou muito tempo e
saltou para a liderança da geral, 6 anos depois de João Almeida, parabéns
Afonso! Thomas Silva foi terceiro, vindo de trás. O pelotão chegou a mais de 7
minutos.

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