Aos 24 anos, Afonso Eulálio viveu esta quarta-feira o momento mais marcante da sua ainda jovem carreira ao assumir a liderança da Volta a Itália e vestir a emblemática camisola rosa. O ciclista português da Bahrain mostrou-se emocionado após a etapa e confessou que ainda estava a tentar perceber a dimensão do feito alcançado.
Visivelmente feliz, mas também
surpreendido com a própria exibição, o corredor admitiu que só começou
verdadeiramente a acreditar na possibilidade de chegar à liderança da geral
quando a etapa entrou na fase decisiva, já dentro dos últimos 50 quilómetros.
“Nem consigo explicar o que
estou a sentir. Ainda não acredito que isto esteja realmente a acontecer.
Vestir a camisola rosa no Giro é algo especial para qualquer ciclista, ainda
para mais depois de uma etapa tão exigente e desgastante”, afirmou o português
no final da corrida.
Apesar do resultado histórico,
Eulálio reconheceu que a jornada esteve longe de ser tranquila. Entre as
dificuldades do percurso, as condições atmosféricas e até uma queda perto do
final, o jovem português revelou que houve momentos em que duvidou da capacidade
para acompanhar os melhores.
“Com tantas subidas e o
desgaste acumulado, houve alturas em que senti que não era o mais forte do
grupo. Mas isso faz parte do ciclismo. O importante foi nunca desistir e
continuar a acreditar”, destacou.
O corredor da Bahrain explicou
ainda que decidiu arriscar tudo na subida mais dura do dia, não apenas pela
possibilidade de chegar à liderança, mas também porque tinha o objetivo claro
de lutar pela vitória na etapa.
Num tom mais descontraído,
revelou até uma curiosa aposta feita com o veterano italiano Damiano Caruso:
“Temos uma brincadeira entre nós. Se eu ganhar duas etapas neste Giro, ele
compromete-se a renovar contrato por mais um ano.”
Eulálio aproveitou também para
destacar o trabalho desenvolvido ao longo das últimas temporadas, sublinhando
que a consistência tem sido uma das principais metas da sua evolução enquanto
ciclista profissional.
“Tenho dias muito bons e
outros menos conseguidos. Tenho trabalhado bastante com a equipa para melhorar
essa regularidade e acredito que este resultado acaba por ser fruto de muitas
horas de esforço e dedicação”.
Questionado sobre a
possibilidade de repetir o impacto que João Almeida teve no Giro de 2020,
quando liderou a classificação geral durante 15 dias, Afonso Eulálio mostrou
admiração pelo compatriota e preferiu manter a prudência.
“Vai ser muito difícil fazer o
que o João Almeida conseguiu. Ele é um ciclista extraordinário e mostrou uma
enorme consistência. Eu vou simplesmente tentar aproveitar este momento e dar
tudo nas próximas etapas”.
Com este resultado, Afonso
Eulálio entra para um restrito grupo de portugueses que conseguiram vestir a
camisola rosa da prova italiana, reforçando o excelente momento do ciclismo
nacional no panorama internacional.

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