quinta-feira, 4 de agosto de 2022

“Volta a Portugal: Moreira acredita que aprendeu com os erros e Marque só quer desfrutar”


Ciclista uruguaio regressou às vitórias no Grande Prémio Anicolor há 10 dias, triunfo que lhe devolveu a confiança perdida

 

Por: Lusa

Foto: FP Ciclismo

Mauricio Moreira acredita que aprendeu com os erros do passado e chega à 83.ª Volta a Portugal com "a ideia de fazer uma boa" corrida, apesar de não ter tido "o melhor ano até ao momento".

"É lógico que depois do ano passado, tenho a ideia de fazer uma boa Volta. Trabalhei para isso, apesar de não ter o melhor ano até ao momento, mas acredito que pode correr bem", declarou o uruguaio da Glassdrive-Q8-Anicolor aos jornalistas, à margem da apresentação das equipas da 83.ª edição, que arranca esta quinta-feira com um prólogo em Lisboa.

Discreto durante toda a temporada, o ciclista de 27 anos, regressou às vitórias no Grande Prémio Anicolor há 10 dias, um triunfo que lhe devolveu a confiança perdida.

"Para mim, significou muito, foi praticamente uma viragem antes desta Volta. Mudou muito a forma de ver as coisas, até aí estava a ver tudo muito 'escuro', não conseguia ver com esperança o que ia ser a Volta. Mas acho que daí para à frente posso ver de outra maneira", assumiu.

Depois de perder a Volta para Amaro Antunes (W52-FC Porto) no ano passado por apenas 10 segundos, mais por 'culpa' pessoal do que por mérito do adversário-foi penalizado em 40 segundos por duplo abastecimento irregular na etapa da Torre e caiu no contrarrelógio final, cujo percurso só reconheceu uma vez, Moreira garante ter aprendido com os erros.

"Aquela queda do ano passado foi um erro do momento, não é nada que se possa trabalhar ou corrigir. Sem dúvida que de tudo se aprende. Dos erros, mais do que tudo. Não sei se venho mais forte fisicamente, mas com certeza esses erros não vou voltar a cometer. E espero que não cometer esses erros seja uma ajuda mais à procura de vencer a Volta", acrescentou.

O vice-campeão de 2021 é apenas um dos homens que a fortíssima Glassdrive-Q8-Anicolor tem para lutar pela vitória final, embora Frederico Figueiredo aponte o seu colega de equipa como o verdadeiro chefe de fila.

"Partimos com um foco que é o Mauricio como líder e, depois, o desenrolar da corrida irá decidir", disse o quinto classificado da passada edição.

Apontado como um dos candidatos, Fred assume sentir-se bem com a pressão, que é "a normal" antes de "começar mais uma Volta a Portugal" e de estar "numa equipa como a Glassdrive-Q8-Anicolor, que tem sempre uma palavra a dizer nas corridas todas em que participa".

"Não temos tantas chegadas em alto como no ano passado, mas temos uma chegada muito dura, que é a de Miranda do Corvo, que poderá fazer muitas diferenças. Nós fomos reconhecer essa etapa e são 10 quilómetros, mas, se calhar, vai fazer mais diferenças do que a serra [da Estrela] ou a Senhora da Graça, porque é mesmo muito dura. Acho que essa etapa vai ser um dos grandes espetáculos da Volta. É um local novo, de certa forma foi um local bem escolhido", avaliou ainda o trepador de 31 anos.

Já Alejandro Marque, a despedir-se da Volta e do ciclismo este ano, confessou que "seria espetacular acabar com um bom resultado".

"Está claro que o objetivo principal para mim este ano é desfrutar o dia-a-dia. São muitas Voltas a Portugal e quero acabar e desfrutar do público, dos adeptos, de toda a gente que me apoiou ao longo da minha carreira. Vai ser uma Volta a Portugal emotiva para mim e, evidentemente, se puder fazer um bom resultado, aí estarei", disse o campeão de 2013.

Terceiro classificado no ano passado (e também em 2015), o veterano espanhol do Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel, de 40 anos, reconheceu que "há ciclistas que estão num patamar um bocadito mais alto" do que ele neste momento.

"Eu chego aqui como uma incógnita. Atravessei vários problemas físicos durante o ano que tive de ultrapassar. Tenho treinado bem. Vamos ver como o corpo reage aos múltiplos esforços e se me sentir com pernas, vou aproveitar a oportunidade", rematou Alex.

Outro homem que já sabe o que é estar no pódio final da Volta a Portugal é o também espanhol Vicente García de Mateos, que regressou à Aviludo-Louletano-Loulé Concelho por acreditar que pode repetir os momentos de glória que viveu na equipa algarvia.

"Por isso voltei, para isso me preparei. Eu e toda a equipa. Trabalhámos toda a época para tentar voltar, no mínimo, ao nível de 2018", revelou.

Promovido ao estatuto de vice-campeão das edições de 2017 e 2018, após a desclassificação por doping de Raúl Alarcón (W52-FC Porto), o líder da Aviludo-Louletano-Loulé Concelho encara esta Volta "com ambição", como sempre fez.

"Penso que nos últimos anos faltou essa ambição. Penso que estou de volta, quero sair-me bem, preparei-me bem e penso que pode ser um ano bonito e que poderemos desfrutar nesta Volta", pontuou, antes de confessar que gostava de vestir a camisola mais apetecida da 83.ª edição: "Sempre sonhei, nunca consegui, nunca a vesti nem por um dia e, claro, é um sonho meu e da equipa vestir a amarela".

Joaquim Silva (Efapel), por outro lado, tem sonhos mais modestos, admitindo que um lugar "nos cinco primeiros já seria um resultado muito bom".

"É a Volta a Portugal, toda a gente se prepara muito bem, é um nível muito alto, e temos que estar cientes que podemos fazer um bom resultado, mas com os pés na terra", defendeu.

A 'estrear-se' no lote de candidatos, Silva garante lidar bem com a pressão extra.

"Acho que com o passar dos anos fui lidando cada vez melhor. Agora, dão-me como favorito, mas a estrada é que mete cada ciclista no seu lugar. Aqueles que são chamados de favoritos temos todos o mesmo objetivo, vão todos dar o máximo", concluiu.

A 83.ª Volta a Portugal disputa-se entre hoje e 15 de agosto, num total de 1.559,7 quilómetros, de Lisboa a Gaia.

Fonte: Record on-line

“A segunda estreia de Gustavo Veloso na Volta: «Agora é mais fácil, há menos pressão»”


Campeão de 2014 e 2015 é o diretor desportivo da Tavfer-Mortágua-Ovos Matinados

 

 Por: Pedro Filipe Pinto

É algo estranho colocar Gustavo Veloso e estreia na mesma frase, mas é mesmo do que se trata. O experiente espanhol é um nome com bastante peso no pelotão nacional e está, aos 42 anos, a fazer a segunda estreia na Volta a Portugal. Pois é, o campeão de 2014 e 2015 deixou a vida de ciclista profissional para passar para o carro. Agora é diretor desportivo da Tavfer-Mortágua-Ovos Matinados e garante que está numa posição "muito mais fácil".

"É bastante diferente. O facto de estarmos a fazer uma boa época faz com que cheguemos aqui com mais tranquilidade. Como atleta era uma pressão diferente. Agora giro um grupo, antes tinha a pressão de ter uma equipa a depender de mim. Se eu falhava, toda a equipa falhava. Como atleta chegava um bocadinho mais nervoso do que agora, havia mais pressão", começou por dizer a Record, frisando que, mesmo sendo a Volta a Portugal, o foco não muda.

"As expectativas continuam a ser as mesmas. Queremos que toda a gente que esteja a ver a Volta a Portugal saiba que a Tavfer-Mortágua-Ovos Matinados está cá. Continuar com um bom trabalho, atitude e depois os resultados irão chegar dentro das possibilidades. Vamos marcar objetivos dia a dia e tentar concretizá-los. Se conseguirmos, boa, se não conseguirmos é porque haverá atletas mais fortes do que os nossos e só temos de lhes dar os parabéns", atira.

Foram 21 anos como profissional, com momentos baixos, mas com muitos mais momentos altos. Os grandes destaques vão para as duas Voltas a Portugal conquistadas, mas também para a geral da Volta a Catalunha de 2008 e para a vitória da nona etapa da Volta a Espanha em 2009. Será que, quando está dentro do carro, sente vontade de voltar para cima da bicicleta?

"Não, nada! Deixei de ser ciclista quando a minha cabeça pediu. Já não tinha vontade para treinar. A competição é o mais fácil de tudo, porque tens motivação, estás em forma, estás rodeado de amigos... O mais complicado é o dia a dia, os treinos no inverno, a chuva, o sol, estar longe da família... Tudo o que é ser ciclista fora da competição é muito mais complicado do que dentro das corridas. Essa parte mental era a que mais me custava e chegou o dia em que disse basta. Porque ciclista é ciclista 24 horas por dia, não é só quando se sobe para cima da bicicleta. A cabeça já não queria, mas tenho a certeza de que, fisicamente, conseguia correr mais dois ou três anos", sublinhou.

 

Momento mau... que pode ser bom

 

Questionado sobre o tema do doping, que tem abalado o ciclismo português nos últimos tempos, Gustavo Veloso, que correu na W52-FC Porto, a principal visada da Operação Prova Limpa, admite que este é um "momento complicado", mas espera que sirva para que o ciclismo "ande para a frente". "Temos de esperar e ver o que acontece. Temos as informações que estão nos jornais. Não somos juízes, advogados ou polícias, há que esperar que tudo termine. Depois de analisar tudo o que acontecer, haverá quem terá de assumir responsabilidades e penso que, a longo prazo, isto pode ser bom. Mas neste momento é mau porque nunca é fácil de gerir. Confio que isto se vai resolver da melhor maneira para que possamos continuar a desfrutar do ciclismo", concluiu.

Fonte: Record on-line

“Glassdrive / Q8 / Anicolor disputa a emoção da Volta a Portugal entre 4 e 15 de agosto”


Finalmente chegou o momento mais aguardado da época, com o arranque da Volta a Portugal em Bicicleta, que celebra a sua 83.ª edição. A Equipa Profissional de Ciclismo da Anadia Glassdrive / Q8 / Anicolor vai estar na estrada entre 4 e 15 de agosto, com as cores dos seus patrocinadores e parceiros ao peito, numa onda amarelo flúor que vai percorrer 1559,9 km pelo território nacional. São 11 dias de competição, com um de descanso a meio, que começam com um Prólogo, seguindo-se 10 Etapas, a última delas um Contrarrelógio Individual.

Os sete corredores da estrutura de Águeda que vão enfrentar este desafio são Mauricio Moreira, António Carvalho, Frederico Figueiredo, Rafael Reis, Javier Moreno, Fábio Costa e Afonso Eulálio.

A prova rainha começa com o Prólogo em Lisboa, na Praça do Império, na bonita zona de Belém. Trata-se de um esforço individual curto, com 5,4 km, que marca o arranque da competição. A 1.ª Etapa sai no dia seguinte de Vila Franca de Xira rumo a Elvas, naquela que será a viagem mais longa da prova e para os sprinters: 193,7 km.

Sábado traz a 2.ª Etapa, que parte de terras espanholas – Badajoz – onde a chegada, muito técnica, será em Castelo Branco após 181,5 km. É da Sertã que vai ser dada a partida para a 3.ª Etapa, uma das mais míticas da competição, sendo que termina 159 km depois na Covilhã, com meta no alto da Torre, na Serra da Estrela. A meta coincide com um Prémio de Montanha de categoria especial, numa subida que começa 20,1 km antes com passagem pelas Penhas da Saúde.

Na segunda-feira, dia 8, o pelotão volta ao terreno plano, para os velocistas, sendo a 4.ª Etapa uma ligação de 169,1 km entre a Guarda e Viseu. É nas terras de Viriato que vai ser assinalado o Dia de Descanso, a 9 de agosto.

Dia 10, quarta-feira, corre-se a 5.ª Etapa que será a novidade desta edição: partida na Mealhada (há 44 anos que tal não acontecia) e chegada, 165,7 km depois, ao Observatório do Parque Eólico de Vila Nova, em Miranda do Corvo. Um final exigente, com 10 km a subir a Serra da Lousã e uma inclinação média de 9%, que culmina com uma contagem de montanha de 1ª categoria.

Dia 11, a 6.ª Etapa será uma tirada especial, com a equipa a partir de casa, Águeda. A viagem que começa na Capital da Bicicleta tem destino à Maia, após 159,9 km, onde os sprinters serão os protagonistas. A 7.ª Etapa sai de Santo Tirso para 150,1 km até Braga e a 8.ª Etapa está reservada para sábado. Começa em Viana do Castelo e termina em Fafe, depois de percorridos 182,4 km, com destaque para a dura subida de Golães, a menos de 5 km da meta.

Domingo cumpre-se a 9.ª Etapa que termina em Mondim de Basto, no alto da Senhora da Graça, contagem de 1.ª categoria e mais um dia muito esperado nesta Volta a Portugal, que conforme já é tradição, fica reservado para o final. A partida para os 174,5 km será dada em Paredes. Tradição também tem sido fechar com um Contrarrelógio Individual e este ano não será diferente. Os 18,6 km de percurso partem do Parque Oriental do Porto para terminar na Marginal de Gaia, junto à zona ribeirinha.

“A Volta a Portugal é o nosso ponto alto da época, onde todas as equipas querem estar bem e nós não somos exceção. Queremos estar a um bom nível, fazer o melhor possível para dignificar os nossos patrocinadores e esperamos que tudo corra pelo melhor e que Gaia nos receba de braços abertos no final da Volta a Portugal”, disse Rúben Pereira, diretor desportivo da Glassdrive / Q8 / Anicolor.

Fonte: Equipa Profissional de Ciclismo Glassdrive / Q8 / Anicolor

Ficha Técnica

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