Ciclista admite sorte e agradece a Gustavo Veloso
Por: Lusa
Rui Vinhas
admitiu este domingo ter tido sorte na sua vitória na Volta a Portugal em
bicicleta, após defender a vantagem conquistada na fuga até Macedo de
Cavaleiros, na terceira etapa, e agradeceu o apoio a Gustavo Veloso.
"Eu tive sorte na chegada a Macedo de Cavaleiros, porque cheguei com uma
vantagem significativa. Consegui mantê-la, apesar de a ter perdido aos
bocadinhos, mas consegui mantê-la até ao final", afirmou o primeiro
português a vencer a Volta a Portugal desde o triunfo do agora seu companheiro
de equipa Ricardo Mestre em 2011.
Rui Vinhas, de 29 anos, reconquistou a Volta a Portugal para o FC Porto, o
primeiro desde a vitória de Marco Chagas, em 1983, naquele que foi o 14.º
triunfo individual dos 'azuis e brancos', que regressaram ao pelotão nacional
depois de 31 anos de ausência.
"Nunca pensei conseguir esta vitória e finalmente consegui, muito graças à
equipa, mas isto é uma prova que não temos limites e temos de acreditar e lutar
até ao fim", referiu Rui Vinhas.
O corredor natural de Sobrado sucedeu a Veloso, vencedor em 2014 e 2015, que
somou três triunfos em etapas, incluindo no contrarrelógio de hoje, sem
conseguir melhor do que o segundo lugar, a 1.31 minutos, uma frustração
assumida pelo vencedor.
"É um feito histórico, ser novamente um português a vencer a Volta a
Portugal, estou bastante contente. Só tenho de agradecer à equipa, a todos os
colegas que me apoiaram nestes dias, ao diretor pela oportunidade que me deu e
ao Gustavo, que sei que não está feliz, porque trabalhou bastante para ganhar a
Volta e provar que era o mais forte", frisou Rui Vinhas.
Na conferência de imprensa final, o habitualmente trabalhador para equipa não
se cansou de agradecer ao conjunto 'azul e branco', assegurando que o triunfo
assentava tão bem a si como ao seu chefe de fila.
"O Gustavo provou que foi o homem mais forte da Volta, ao ganhar três
etapas, era merecida se ganhasse, mas eu tive oportunidade de chegar fugido,
com alguma vantagem, e defendi-me ao máximo. Ele protegeu-me bastante e acho
que a vitória era merecida para ambos, acabei por ser eu, mas esta vitória não
lhe assentava mal", sublinhou.
Vinhas admitiu que esta vitória, a segunda depois da conquista do Grande Prémio
do Dão, em 2015, pode mudar a sua forma de encarar as próximas provas,
eventualmente como chefe de fila.
"Ficamos mais motivados e com outra forma de ver a competição, mais
seguros de nós. Eu gosto bastante de trabalhar para a equipa e quando
trabalhamos, abrimos para o lado e ficamos para trás, sem nos importarmos com o
tempo que perdemos, acho que com esta vitória irei enfrentar as competições de
maneira diferente", frisou.
Vinhas revelou ter iniciado o contrarrelógio confiante, com os 2.25 minutos de
vantagem, que ficariam reduzidos a 1.31 no final, distinguindo-o do exercício
individual da Volta de 2015.
"Eu defendia-me razoavelmente no contrarrelógio, no ano passado perdi
quatro minutos porque ia descontraído, só tinha de chegar dentro do controlo,
porque no dia a seguir havia uma etapa e tinha de trabalhar para o Gustavo.
Hoje foi o contrarrelógio da minha vida, mas sai motivado e tranquilo porque
tinha uma boa vantagem. O Gustavo sabia que ia fazer um bom contrarrelógio,
tanto que ganhou, mas fui no limite do primeiro ao último quilómetro",
explicou.
Vinhas, que não teve o apoio do diretor Nuno Ribeiro, que seguiu Veloso,
revelou ter apenas pedido sinceridade aos acompanhantes, que lhe foram
transmitindo as diferenças para o espanhol.
"Na parte final comecei a duvidar, mas no final vi que foram sinceros.
Nunca acreditei que fosse ganhar a Volta, vinha com boas sensações na parte
inicial e não sabia se vinham a ser sinceros comigo, esforcei-me e vim sempre
no limite. Quando me disseram que tinha ganhado, a faltar quatro quilómetros,
não vinha 100% seguro e só percebi quando recebi os parabéns do massagista e do
Gustavo, que estava na meta, agradecendo-lhe esta vitória. Pouco depois ele
veio felicitar-me e acho que estamos ambos felizes", rematou, admitindo
ter ficado sem palavras e incrédulo, tal como ocorreu em Macedo de Cavaleiros, onde
conquistou a liderança.
Fonte: Record on-line