Ana Lúcia Duarte vai cumprir, no próximo sábado, 5 de setembro, um momento especial no seu percurso desportivo. A paratriatleta portuguesa estreia-se em competições internacionais ao serviço da Seleção Nacional, na Taça do Mundo de Paratriatlo de Alhandra, e quer aproveitar a oportunidade para levar uma mensagem que vai muito além do resultado.
Será uma estreia com o trisuit
de Portugal, em casa e perante o público português. Para Ana Lúcia Duarte, a
presença na Taça do Mundo de Alhandra representa o culminar de um percurso que
começou mais tarde do que é habitual no desporto de alto rendimento e que, em
2026, a leva pela primeira vez a representar Portugal numa competição
internacional de paratriatlo.
Mas a atleta quer que a sua
presença em Alhandra possa significar também alguma coisa para quem estiver do
outro lado.
«Para mim, a participação
nesta prova é uma oportunidade de dar visibilidade à modalidade e mostrar,
especialmente às mulheres, com qualquer tipo de deficiência, que há lugar no
desporto e, em particular, no triatlo», afirma.
Ana Lúcia Duarte compete na
categoria PTS5 e tem uma limitação no ombro e braço esquerdo, consequência de
uma lesão ocorrida durante o nascimento.
«A minha limitação é no ombro
e braço esquerdo, derivada de uma lesão provocada durante o meu nascimento, que
provocou danos neurológicos e malformações ósseas que condicionam o movimento e
a força do braço», explica.
Do primeiro triatlo aos 35
anos à Seleção Nacional
A chegada ao paratriatlo
aconteceu, no entanto, apenas muitos anos depois. Ana Lúcia fez a primeira
prova de triatlo aos 35 anos, quando vivia em Inglaterra. O regresso a Portugal
acabaria por abrir uma nova etapa no seu percurso na modalidade.
Em 2024 juntou-se à equipa de
triatlo do Sporting Clube de Portugal e foi precisamente a observação das suas
limitações durante os treinos que abriu a possibilidade de competir no
paratriatlo.
«Fiz a minha primeira prova de
triatlo aos 35 anos, em Inglaterra, onde morava na altura, mas só quando voltei
para Portugal é que me juntei à equipa do Sporting, em 2024. Por indicação do
treinador, que, observando as minhas limitações, me sugeriu que iniciasse o
processo para ser classificada como paratriatleta na categoria PTS5.»
Seguiram-se as competições
nacionais de paratriatlo e, com elas, a possibilidade de chegar à Seleção
Nacional. Agora, Alhandra representa o passo seguinte.
«A participação nas provas
nacionais de paratriatlo permitiu a possibilidade de representar a Seleção
Nacional de Paratriatlo e é com muito orgulho que participarei na prova»,
sublinha.
Para a estreia internacional,
Ana Lúcia Duarte não coloca a fasquia num lugar ou num resultado específico. O
objetivo é outro, mais simples de definir e, ao mesmo tempo, exigente de
cumprir.
«O meu objetivo é acabar a
prova sentindo que dei absolutamente o meu melhor.»
No sábado, em Alhandra, será
esse o primeiro desafio internacional de Ana Lúcia Duarte com as cores de
Portugal. Uma estreia na Taça do Mundo que representa mais um passo no seu
percurso no paratriatlo, mas também uma oportunidade para mostrar que a modalidade
pode ter espaço para mais atletas e, em particular, para mais mulheres com
deficiência.
Fonte: Federação Triatlo
Portugal

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