Por: José Morais
A vitória que Enric Mas
perseguia há oito anos finalmente chegou — e num cenário digno de drama alpino.
O líder da Movistar reforçou a camisola vermelha ao triunfar no Alto de Aitana,
numa etapa de 187,4 km marcada por fugas caóticas, ataques falhados e um
desfecho onde a frieza do espanhol derrotou a potência de Oscar Onley e a
insistência de Primoz Roglic.
Crónica
da etapa versão totalmente nova
A corrida mal tinha arrancado
e já se desenhava uma fuga numerosa, com nomes como Sivakov, Lutsenko, Kron,
Mackellar, Fisher-Black e Turner a animarem a frente da prova. O grupo cresceu,
encolheu, voltou a crescer — um daqueles dias em que o pelotão parecia disposto
a deixar a estrada decidir quem tinha pernas para sobreviver.
A Movistar manteve sempre o controlo atrás, sem entrar em pânico, enquanto os fugitivos ganhavam tempo rumo ao Miserat. A perseguição era irregular, com pequenos grupos a tentarem colar, alguns a ficarem pelo caminho, outros como Vermeersch, Zana ou Cort a conseguirem integrar a frente.
Buitrago voltou a mostrar
instinto de montanha ao coroar o Puerto de Tollos, mas a vantagem nunca foi
suficiente para assustar o bloco azul da Movistar, que mantinha o relógio
estável nos 4:40.
A etapa ganhou outra
temperatura na subida a Tudons e, sobretudo, na aproximação a Benifallim. A
fuga começou a desfazer-se, com Sivakov e Camprubí a resistirem mais do que o
esperado. Atrás, a Decathlon assumiu o comando do pelotão e iniciou o plano que
parecia desenhado para lançar Felix Gall para a vitória.
Só que o plano não funcionou.
Aitana:
onde tudo se decidiu
A 10 km do topo, Sivakov
tentou o último suspiro, deixando Camprubí para trás. No pelotão, Muhlberger
impôs um ritmo brutal que deixou favoritos em dificuldades até Sepp Kuss cedeu.
Quando o austríaco terminou o trabalho, Gall lançou o ataque que todos esperavam.
Mas o ataque não teve o efeito
desejado.
Gall acelerou… e depois
quebrou. Primeiro perdeu o comboio da própria equipa, depois perdeu, Mas,
depois perdeu Roglic. A subida plana de Aitana expôs o erro tático: o austríaco
ficou isolado demasiado cedo e pagou caro.
Carapaz ainda tentou
surpreender com um ataque explosivo, mas o pelotão estava atento e absorveu
tanto o equatoriano como Sivakov, o último resistente da fuga.
A 3,8 km do fim, Gall tentou
novamente. Voltou a falhar. Widar, Tejada e Skjelmose animaram o grupo, mas
ninguém conseguia abrir espaço real.
Foi então que Mas decidiu
jogar.
O golpe
final
O espanhol acelerou com Oscar
Onley na roda. Roglic reagiu, Widar também, mas Mas manteve a calma, controlou
o esforço e esperou o momento certo. No sprint final, o líder da Movistar
mostrou inteligência e sangue-frio: deixou Onley lançar primeiro, mediu a
distância e passou no instante exato.
Vitória de classe. Vitória
inesperada. Vitória que muda a narrativa da corrida.
Roglic chegou 12 segundos
depois. Gall, o grande derrotado do dia, perdeu 18 segundos ironicamente, após
a etapa em que a sua equipa mais trabalhou.
Resumo
rápido
Vencedor: Enric Mas
Roglic: +12’’
Gall: +18’’
Fuga: longa, instável e
anulada nos últimos 5 km
Movistar: controlo perfeito
Decathlon: esforço enorme,
resultado desastroso


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