Por: José Morais
A ausência de Tadej Pogacar
abriu um vazio que a UAE Team Emirates ainda não conseguiu preencher. Sem o seu
farol para a classificação geral, a formação tenta reinventar-se apostando em
vitórias de etapa, mas a realidade tem sido bem mais dura do que o plano.
Uma
equipa à deriva após a era Pogacar
A comparação com a Visma pós‑Vingegaard é inevitável:
quando o líder desaparece, a estrutura treme. No caso da Emirates, tremeu e
começou a ruir. João Almeida perdeu o início de temporada para um vírus
persistente, falhou Giro e Tour, e ainda não reencontrou o ritmo que o tornou
um dos mais sólidos escaladores do pelotão. Jay Vine regressa à Vuelta depois
de três quedas e longos períodos afastado da bicicleta uma temporada marcada
por interrupções e incerteza.
A equipa já tinha sofrido no
Giro d’Italia com a queda massiva da segunda etapa, apesar das três vitórias de
Jhonatan Narváez. Mas a Vuelta trouxe novos problemas.
Vermaerke
corre com uma costela partida
O episódio insólito aconteceu
na etapa 7: Kevin Vermaerke foi apanhado pelas câmaras a admitir, entre risos e
dores, que estava a competir com uma costela fraturada. Enquanto recebia uma
garrafa do carro da equipa, avisou os diretores para terem cuidado porque
“doía”.
A revelação, feita sem
intenção, expôs um segredo que a equipa tentava manter longe dos rivais. Mais
tarde, explicou ao Cyclingnews que a lesão veio de uma queda na Volta a Burgos
e que só um ultrassom revelou a pequena fissura. Garantiu, no entanto, que “não
o limita na bicicleta”.
Torres
abandona na estreia e agrava o cenário
Como se não bastasse, a etapa
9 trouxe a segunda baixa da Emirates: Pablo Torres abandonou na sua primeira
Grande Volta. O jovem espanhol já tinha admitido sentir-se mal no dia anterior
e, logo na primeira subida, ficou para trás no Alto de Tárbena. Saiu da corrida
visivelmente debilitado.
Torres era uma das peças mais
valiosas no apoio a Pogacar, responsável por revezamentos decisivos em etapas
como a do Alto de El Bartolo. Na geral, ocupava um respeitável 24.º lugar.
Um futuro
imediato sem brilho
Com Pogacar fora, Almeida
debilitado, Vine em recuperação, Vermaerke lesionado e Torres fora da corrida,
a Emirates enfrenta uma realidade crua: as hipóteses de vencer etapas diminuem
a cada dia. A equipa que dominava montanhas e GC agora luta para manter
competitividade mínima.
O desafio não é apenas ganhar
é sobreviver.

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