Por: José Morais
A Movistar Team encerrou o
Tour de France com um balanço cinzento, marcado por azares sucessivos, quedas
inesperadas e um plano estratégico que se desfez antes mesmo de ganhar forma. A
formação espanhola, historicamente protagonista nas Grandes Voltas, viu-se
obrigada a virar a página e a concentrar todas as fichas na próxima La Vuelta,
onde espera reencontrar a sua identidade competitiva.
Um Tour
que Começou Mal e Terminou Pior
A preparação já trazia sinais
de turbulência. A ausência de Iván Romeo, afastado pela gripe A no Tour de
Auvergne-Rhône-Alpes, retirou à equipa o seu melhor trunfo para caçar etapas. O
contrarrelógio inaugural em Montjuïc confirmou o mau presságio: Cian Uijtdebroeks,
o líder designado, perdeu tempo devido a cólicas, num início que nunca mais
recuperaria.
A queda definitiva do castelo
deu-se na 6.ª etapa, quando Uijtdebroeks abandonou por um processo febril que o
deixou longe do seu nível habitual. A Movistar perdeu ali o seu plano A, tal
como já acontecera no Giro, onde Enric Mas viu a classificação geral ruir logo
na primeira subida.
Fugas,
Tentativas e um Quase em Foix
Sem líder e sem ambições na
geral, a Movistar reinventou-se para tentar salvar o Tour com uma vitória de
etapa. Raúl García, incansável, foi quem mais perto esteve do objetivo,
terminando em terceiro em Foix. O jovem espanhol acumulou 622 km em fugas,
sendo um dos ciclistas mais ativos do pelotão.
Também Pablo Castrillo e Einer
Rubio tentaram repetidamente entrar nas escapadas, mas o esforço não se
traduziu em resultados. Castrillo acabaria como o melhor classificado da
equipa, em 29.º lugar, mais de duas horas atrás de Tadej Pogacar.
A situação agravou-se com a
violenta colisão de Einer Rubio com o carro da UAE Team Emirates em Alpe d’Huez,
obrigando-o a abandonar e comprometendo a sua participação nas três Grandes
Voltas da temporada.
La
Vuelta: A Última Hipótese para Salvar a Temporada
Com o Tour transformado num
capítulo a esquecer, a Movistar vira agora todas as atenções para a La Vuelta,
onde pretende recuperar prestígio e resultados. A formação espanhola deverá
alinhar com um bloco forte: Iván Romeo, Enric Mas, Cian Uijtdebroeks, Nairo
Quintana e Einer Rubio, todos determinados a devolver à equipa o brilho
perdido.
A última vitória da Movistar
numa Grande Volta já tem três anos, e a pressão para inverter o ciclo é real. A
Vuelta será, mais do que uma corrida, um teste à capacidade de resiliência de
uma equipa que se recusa a desistir.

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