sábado, 13 de agosto de 2022

“Seleção Nacional/Rui Oliveira à procura de um lugar entre os dez melhores da Europa”


Por: José Carlos Gomes

Portugal vai apenas alinhar com um corredor, Rui Oliveira, na prova de fundo do Campeonato da Europa de Estrada para elite, que se disputa neste domingo, em Munique, Alemanha. Mas não falta ambição à equipa nacional.

A corrida de 209,4 quilómetros é unanimemente definida como adaptada aos velocistas. “Será um Campeonato da Europa com um perfil se adequa às minhas caraterísticas, embora eu até preferisse um pouco mais duro. Sendo o único representante da Seleção terei de enfrentar a corrida com cautela. A prova será disputada com muita velocidade, prevendo-se uma chegada ao sprint. Estando sozinho terei de ver a melhor estratégia para estar nos da frente”, afirma Rui Oliveira.

Sem companheiros no pelotão, Rui Oliveira terá de correr de forma inteligente, lendo a corrida a cada instante para garantir as melhores possibilidades de sucesso. Algo parecido com o fez no Europeu de Alkmaar, em 2019. Na altura, Portugal alinhou com Oliveira e César Martingil, mas este descolou muito cedo, devido a furo, não podendo ajudar o chefe-de-fila. Apesar da contrariedade, Rui Oliveira manteve-se junto dos melhores e foi disputar o sprint, ficando na 16.ª posição.

Apesar das previsões de chegada ao sprint, as equipas com mais elementos podem sempre trocar as voltas aos sprinters, lançando homens num grupo pequeno, impedindo uma chegada em pelotão compacto. O ciclista português acredita nessa possibilidade. “Há blocos que querem que a corrida chegue ao sprint, mas sendo um percurso urbano, a corrida poderá ser atacada em alguma volta por uma das seleções mais numerosas. A corrida poderá partir-se a qualquer instante, por isso terei de estar bastante atento em todo o circuito, procurando entrar nos cortes principais e, quem sabe, a disputar o sprint final”, explica o representante de Portugal.

Habituado a lançar os sprinters da equipa, quando representa a UAE Team Emirates, Rui Oliveira terá amanhã de bater-se por seguir a “roda” mais adequada, visando melhorar o resultado de 2019. “Há três anos vivi uma situação idêntica a esta, fiz esse europeu praticamente sozinho, devido ao infortúnio do meu colega, e até acabou por correr bem, estive na disputa da corrida até ao fim e fiz perto do top 15. Em Munique um top 10 seria fantástico e iria melhorar os meus resultados em Campeonatos da Europa”, assinala o gaiense.

O selecionador nacional, José Poeira, confia nas qualidades de Rui Oliveira, mas tem noção de que, sem equipa, o mínimo percalço pode deitar tudo a perder. “O Rui tem as caraterísticas certas para uma corrida com este perfil. Sabemos que as equipas mais numerosas irão controlar a corrida, cabendo ao Rui aproveitar o trabalho dos outros. Ele é um corredor que se coloca bem, mas, sem ajuda para essa colocação, estará sempre em desvantagem, porque terá um desgaste acrescido nesse trabalho. Tem todas as qualidades para conseguir uma boa prestação, embora dependa também de não ter qualquer azar, porque se isso suceder, sem equipa, será muito mais difícil”, analisa José Poeira.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

“Volta: Camisola amarela Frederico Figueiredo terá de estar atento na chegada a Fafe”


A chegada à Praça 25 de Abril, antecedida de uma ‘suave’ inclinação no empedrado, está prevista para as 17:20

 

Foto: Lusa

O ciclista português Frederico Figueiredo (Glassdrive-Q8-Anicolor) terá de estar atento aos cortes que a sempre emocionante chegada a Fafe pode causar, no final da oitava etapa da 83.ª Volta a Portugal.

‘Fred’ partiu hoje para a oitava etapa com sete segundos de vantagem sobre o seu companheiro uruguaio Mauricio Moreira, com Luís Fernandes (Rádio Popular-Paredes-Boavista) a 38, no terceiro lugar da geral.

A ligação de 182,4 quilómetros, que saiu de Viana do Castelo às 12:25, tem como primeiro ponto de interesse a meta volante de Valença (45,2), onde os ciclistas passam antes de ultrapassarem uma contagem de montanha de terceira categoria em Extremo, que se estende por quase 10 quilómetros e termina ao quilómetro 80.

A segunda ‘montanha’ do dia, uma terceira categoria em Portela do Vade, instalada aos 113,1, é antecedida da meta volante de Ponte da Barca (102,3).

Numa tirada totalmente minhota, o pelotão encontrará ainda outras duas contagens de quarta categoria, em Geraz do Minho (147,3) e Golães (177,8), além de um ‘sprint’ intermédio na Póvoa do Lanhoso (151,1).

A chegada à Praça 25 de Abril, antecedida de uma ‘suave’ inclinação no empedrado, está prevista para as 17:20.

Fonte: Sapo on-line

“Tiago Machado despede-se com "coisas por fazer": «Se não ganhei mais foi por culpa minha»”


Ciclista da Rádio Popular-Paredes-Boavista só quer agora desfrutar do adeus a um percurso em que "foram tantos" os momentos bons

 

Por: lusa

Foto: Lusa

Tiago Machado gostava de ter vencido a Volta a Portugal, mas preferiu aproveitar sempre as oportunidades que foram surgindo, como aquela que o leva agora a deixar de ser ciclista ainda com "coisas por fazer".

Aos 36 anos, o popular ciclista da Rádio Popular-Paredes-Boavista vai encostar a bicicleta, uma decisão antecipada em uma temporada depois de ter recebido de José Azevedo o convite para ser o coordenador da academia de ciclismo da Efapel (encarregado da equipa júnior masculina e das equipas femininas).

"Sempre fui uma pessoa que aproveitou as oportunidades. Quando surgiu a oportunidade de ir lá para fora, a primeira vez que falaram comigo eu disse logo ok. E agora, quando falaram comigo e me explicaram o projeto com mais alguma maturidade, falei com a minha família e chegámos à conclusão que mais ano, menos ano [ia acabar e], se calhar, era melhor aproveitar a oportunidade, porque não sabíamos se no futuro se iam lembrar de mim para este tipo de funções", explicou.

'Tiaguinho' deu-se a conhecer na Volta a Portugal e na equipa na qual agora se despede e na qual se tornou profissional em 2005 - há mais de uma década, ao vencer por três vezes a classificação da juventude, um recorde.

Um quinto lugar na edição de 2009 abriu-lhe as portas do WorldTour e da RadioShack, onde viveu os melhores anos (ou, pelo menos, os mais mediáticos) da sua carreira, num percurso em que representou ainda a NetApp-Endura (2014), no ano da vitória na Volta à Eslovénia, e a Katusha (2015-2018), antes de regressar a Portugal como contratação 'estelar' do Sporting-Tavira, rumando depois à Efapel (2020).

"Há coisas que ficam sempre por fazer. Quem é que não gostava de ter ganhado mais? Mas também não me arrependo. Se não ganhei mais foi por culpa minha e também porque encontrei adversários que na altura podiam estar mais fortes do que eu. Mas admito que se não corresse da forma como corria muita das vezes, podia ter feito algo de mais bonito", concedeu.

Impulsivo, Machado ficou conhecido também pelos seus ataques desde os quilómetros iniciais, que redundavam quase sempre em tentativas anuladas já perto da meta, mas que lhe valeram um enorme carinho do público português, que o batizou inclusive de 'ciclista do povo' e que sempre sonhou em vê-lo vestir de amarelo na prova 'rainha' do calendário nacional.

"Claro que gostava [de ter vencido a Volta]. É a nossa Volta, sou português e tenho muito orgulho nisso. A minha licença desportiva sempre foi portuguesa, sempre tive residência fiscal em Portugal, só saía de Portugal para fazer estágios e posso dizer que a maioria deles eram contra a vontade, porque não os queria fazer. Claro que gostava de ter ganho a Volta a Portugal, mas tive de olhar pela minha vida, aproveitar os melhores anos da minha carreira para correr lá fora, fazer uma boa carreira internacional e fazer também um pé-de-meia", vincou.

Hoje, não se arrepende de ter emigrado, porque se tem "alguma notoriedade também foi por causa disso", mas reconhece que gostava de ter ficado "aqui", num pelotão que "na altura" (e agora) não pagava os ordenados que se praticavam "lá fora".

A contagem decrescente para o adeus definitivo à 'Grandíssima', como carinhosamente trata a prova que o deu a conhecer, tem sido feito ao ritmo de entrevistas e publicações nas redes sociais, nas quais vai assinalando as últimas vezes mais marcantes.

"Tenho colocado aquelas coisas que me dizem mais. A última subida à Torre marca um atleta. Eu quando andava nas minhas melhores capacidades físicas, nunca tive a oportunidade de subir a Torre pelo lado da Covilhã, que se formos a ver era uma subida que até me podia favorecer mais na altura. Foi o último dia de descanso de uma grande Volta, porque não vai haver mais. Se Deus quiser, se chegar a domingo, vai ser a última subida à Senhora da Graça, que é a subida que eu sempre mais gostei na Volta a Portugal. São coisas que marcam a carreira desportiva de um ciclista em Portugal", notou.

Embora possa parecer que o fim é algo que está sempre no seu pensamento, Machado confessa que só quando passa a linha de meta "é que cai a ficha". "Que passou mais uma e estamos perto do final. É duro, porque custa tirar o dorsal, pôr a roupa na rede para lavar, são rituais que se vão perder", completou o ciclista que disputou 10 grandes Voltas e foi 19.º no Giro2011.

Com apenas três etapas da Volta por disputar, duas delas no 'seu' Minho, o ciclista da Rádio Popular-Paredes-Boavista só quer desfrutar do adeus a um percurso em que "foram tantos" os momentos bons.

"Todos os dias quando saio para a estrada são bons momentos. Agora, maus momentos... uma queda ou outra que me tenha posto mais amassado. A do Tour, foi a mais famosa, mas tive quedas piores. Essa foi a mais mediática", afirmou, referindo-se à queda na 10.ª etapa da Volta a França de 2014, quando seguia em terceiro da geral -- chegou a ser dado como desistente, mas voltou à estrada e, apesar de ter chegado fora de controlo, foi repescado pelo colégio de comissários, que recompensou um feito que o jornal L'Équipe definiu como heroico.

Fonte: Record on-line

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