Por: José Morais
Diego Camargo transformou a
quinta etapa da Volta a Colômbia Sistecrédito 2026 numa demonstração de força
rara, num dia em que o país ainda tremia literal e emocionalmente após os
fortes terremotos que atingiram várias regiões. O corredor de Boyacá, da Equipe
Medellín‑EPM, venceu isolado no Alto El
Sifón, a mais de 4.100 metros de altitude, e arrancou a camisola amarela das
mãos do próprio companheiro de equipa, Wilmar Paredes.
A etapa
rainha que separou os resistentes dos sobreviventes
Foram 164,7 km entre Ibagué e
o Alto El Sifón, num percurso que não ofereceu descanso: Alto del Convención
(Cat‑2), subida a Líbano (Cat‑2), o interminável Alto de
Murillo (fora de categoria, 21,3 km), Alto de Ventanas (Cat‑1) e, por fim, a parede final
rumo ao Sifón (Cat‑3).
Javier Jamaica (NU Colombia)
tentou romper a lógica da corrida a 25 km do fim, lançando-se numa fuga
solitária que parecia promissora. Mas Diego Camargo, paciente e
calculista, esperou pelas rampas decisivas. Quando a estrada empinou de vez,
atacou com autoridade, alcançou Jamaica e seguiu sozinho até à meta.
Cruzou a linha após
5h04min09s, com Jamaica a 34 segundos e Edgar Pinzón (Team Sistecrédito) a 58.
O antigo líder, Paredes, não resistiu ao ritmo e perdeu a camisola amarela.
As
diferenças que redefiniram a classificação
A dureza
da etapa espalhou o pelotão:
Santiago Garzón +1:55
Rodrigo Contreras e José
Misael Urián +5:27
Daniel Hoyos +5:30
Mardoqueo Vásquez +6:17
Luis Daniel Oses +7:46
Juan Diego Alba +8:01
Diego
Camargo explicou o triunfo com simplicidade:
“Foi uma etapa duríssima. A
melhor forma de homenagear as vítimas do terremoto é dar tudo. Tive de dosar
forças e confiar na equipa.”
Nova
geral: Camargo no comando
1.º Diego Camargo 21h28min08s
2.º Jamaica +38s
3.º Pinzón +1:04
4.º Garzón +2:05
5.º Urián / Contreras +5:37
O bicampeão da Vuelta (2020)
volta a sentir o peso da liderança, depois dos vice‑campeonatos em 2024 e 2025.
A sexta
etapa muda tudo após o terremoto
A organização confirmou
alterações profundas no percurso de quinta‑feira.
A etapa já não partirá de Manizales, mas sim de La Manuela, 20 km adiante,
devido aos danos provocados pelo sismo. O início será neutralizado até o
pelotão entrar em Antioquia.
Também não haverá chegada em
Jericó: o final será transferido para o prémio de montanha, numa decisão de
segurança anunciada por Rubén Galeano, presidente da federação.
A Volta termina domingo, em
Medellín, e Diego Camargo terá de defender a liderança
conquistada no ar rarefeito do Sifón, com Jamaica a menos de 40 segundos e
Pinzón ainda à espreita.

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