quinta-feira, 13 de agosto de 2026

“Diego Camargo domina a etapa mais brutal da Volta e assume a liderança em meio ao caos sísmico na Colômbia


Por: José Morais

Diego Camargo transformou a quinta etapa da Volta a Colômbia Sistecrédito 2026 numa demonstração de força rara, num dia em que o país ainda tremia literal e emocionalmente após os fortes terremotos que atingiram várias regiões. O corredor de Boyacá, da Equipe MedellínEPM, venceu isolado no Alto El Sifón, a mais de 4.100 metros de altitude, e arrancou a camisola amarela das mãos do próprio companheiro de equipa, Wilmar Paredes.

 

A etapa rainha que separou os resistentes dos sobreviventes

 

Foram 164,7 km entre Ibagué e o Alto El Sifón, num percurso que não ofereceu descanso: Alto del Convención (Cat2), subida a Líbano (Cat2), o interminável Alto de Murillo (fora de categoria, 21,3 km), Alto de Ventanas (Cat1) e, por fim, a parede final rumo ao Sifón (Cat3).

Javier Jamaica (NU Colombia) tentou romper a lógica da corrida a 25 km do fim, lançando-se numa fuga solitária que parecia promissora. Mas Diego Camargo, paciente e calculista, esperou pelas rampas decisivas. Quando a estrada empinou de vez, atacou com autoridade, alcançou Jamaica e seguiu sozinho até à meta.

Cruzou a linha após 5h04min09s, com Jamaica a 34 segundos e Edgar Pinzón (Team Sistecrédito) a 58. O antigo líder, Paredes, não resistiu ao ritmo e perdeu a camisola amarela.

 

As diferenças que redefiniram a classificação

A dureza da etapa espalhou o pelotão:

 

Santiago Garzón +1:55

Rodrigo Contreras e José Misael Urián +5:27

Daniel Hoyos +5:30

Mardoqueo Vásquez +6:17

Luis Daniel Oses +7:46

Juan Diego Alba +8:01

 

Diego Camargo explicou o triunfo com simplicidade:

 

“Foi uma etapa duríssima. A melhor forma de homenagear as vítimas do terremoto é dar tudo. Tive de dosar forças e confiar na equipa.”

 

Nova geral: Camargo no comando

 

1.º Diego Camargo 21h28min08s

2.º Jamaica +38s

3.º Pinzón +1:04

4.º Garzón +2:05

5.º Urián / Contreras +5:37

O bicampeão da Vuelta (2020) volta a sentir o peso da liderança, depois dos vicecampeonatos em 2024 e 2025.

 

A sexta etapa muda tudo após o terremoto

 

A organização confirmou alterações profundas no percurso de quintafeira. A etapa já não partirá de Manizales, mas sim de La Manuela, 20 km adiante, devido aos danos provocados pelo sismo. O início será neutralizado até o pelotão entrar em Antioquia.

Também não haverá chegada em Jericó: o final será transferido para o prémio de montanha, numa decisão de segurança anunciada por Rubén Galeano, presidente da federação.

A Volta termina domingo, em Medellín, e Diego Camargo terá de defender a liderança conquistada no ar rarefeito do Sifón, com Jamaica a menos de 40 segundos e Pinzón ainda à espreita.

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