Por: Miguel Marques
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A fuga vingou no primeiro dia
do Tour Auvergne-Rhône-Alpes, com o francês Alex Baudin a vencer em
Saint-Ismier e a arrecadar a primeira camisola amarela para a França, ainda que
o público gaulês esperasse que isso ocorresse com outro protagonista: Paul Seixas,
que preferiu correr de um modo conservador, até porque perdeu o seu principal
gregário de montanha.
O Tour Auvergne-Rhône-Alpes
2026 foi uma corrida de regresso à competição para muitos ciclistas, depois de
lesões com maior ou menor gravidade. João Almeida, Matteo Jorgenson, Isaac del
Toro, Matteo Trentin, Michael Matthews ou Ben Healy voltaram a colocar um
dorsal nas costas.
A etapa de abertura mais dura
de sempre do antigo Critérium du Dauphiné, superando, por exemplo, a 1ª etapa
da edição de 2025, ganha por Tadej Pogacar, arrancou com um falso plano
ascendente e muitas tentativas de fuga.
Inicialmente, formou-se um
grupo com nomes como Georg Steinhauser, Raul Garcia Pierna ou George Bennett.
No entanto, a fuga só se formaria após o sprint intermédio, com um grupo de 10
elementos na frente: Alex Baudin, Alexis Mackellar, Pepjin Reinderink, Raul
Garcia Pierna, Georg Zimmermann, Matteo Vércher, Alex Diaz, Nadav Raisberg,
Sergio Samitier e Clément Braz Afonso.
A primeira subida categorizada
do dia, o Col de l'Arzelier (8.5km à 5.9%), chegou num ápice e a Decathlon CGA
CGM de Paul Seixas mostrou as suas intenções, controlando o pelotão. O ritmo e
a dureza do terreno faziam descolar Wout Van Aert, João Almeida e Matthew
Riccitello, os dois primeiros conseguiriam reentrar, enquanto que o último
viria a abandonar. Na fuga, observaram-se algumas movimentações táticas, com
Raisberg a descair para levar George Bennett à frente. O israelita viria a
ficar integrado no grupo principal, tal como o neerlandês da Soudal -
Quick-Step.
Na subida mais inclinada do
dia, o Côte de Quaix-en-Chartreuse (2.4km à 10.2%), João Almeida voltou a
mostrar que está aqui para ir dia a dia, sem pressão, cedendo a 54km da meta.
Não ficou sozinho, mas sim integrado num grupo, com elementos como Wout Van
Aert, Dorian Godon ou Pello Bilbao. Mais adiante, e de forma mais
surpreendente, Benoit Cosnefroy, também ficava para trás, ele que era
considerado à partida um dos favoritos para hoje.
A fuga também se partia,
sobrando apenas 3 elementos na frente, os mais fortes a subir - Bennett, Baudin
e Braz Afonso. Para o Côte de Rousset (8.3km à 7.6%), estavam reservadas mais
algumas surpresas negativas no pelotão, com Jordan Jegat, Daniel Martínez e
Pavel Sivakov a ligarem a marcha-atrás, depois da Visma se juntar à Decathlon
no comando do grupo.
Alex Baudin arrancou a 29km da
meta, descarregou os rivais e foi em busca da primeira amarela da corrida,
tentando tirar vantagem do facto de Paul Seixas ter perdido o seu principal
gregário, Matthew Riccitello. No pelotão, continuavam homens de geral a cair
que nem tordos, Tobias Johannessen, Ben Healy e Jefferson Cepeda também
mostravam dificuldades, ao passo que Daniel Martínez reentrava.
O francês coroou o topo com
1:20 de vantagem para o pelotão, onde Kevin Vermaerke arrancava, pouco depois
foi Valentin Paret-Peintre a mexer, obrigando a uma reação da Visma e
Decathlon. O próprio Del Toro respondeu a ataques, tentando iniciar a descida na
frente, mas foi a equipa de Seixas quem conseguiu esse intento, não sem ver
descolar outro elemento, desta feita Aurélien Paret-Peintre.
O homem da EF ultrapassou o
último topo do dia e entrou na descida final com todas as condições para lograr
a vitória de etapa, mesmo com o pelotão a rodar a 85km/h em certas zonas.
Vermaerke foi finalmente apanhado a 5km da meta, numa altura em que um grupo
com cerca de 10 unidades, entre eles Oscar Onley e Kevin Vauquelin, ganhava
alguns segundos. Apesar de pouco entendimento, o grupo intermédio abriu 30
segundos para o pelotão, o que levou Juan Ayuso e Paul Seixas a trabalharem
atrás.
Quanto à vitória de etapa, não
havia dúvidas, Alex Baudin, um homem da região, celebrou a sua primeira vitória
no worldtour e deu um importante triunfo à EF Education-EasyPost. Ramses
DeBruyne ganhou o sprint pela segunda posição no grupo perseguidor e Leo
Bisiaux foi terceiro. Onley, Vauquelin e Plapp acabaram por ganhar apenas 12
segundos ao grupo de Seixas/Ayuso/Del Toro, que cortou a meta a 44 segundos do
vencedor do dia, liderado pelo mexicano.

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