Por: José Morais
O Supremo Tribunal de Justiça
decidiu retirar uma juíza da Relação do Porto da análise dos recursos
apresentados no processo Prova Limpa, depois de a magistrada admitir que a sua
ligação familiar e de proximidade com Adriano Quintanilha poderia comprometer a
perceção pública de imparcialidade.
Afastamento
para preservar a confiança pública
A juíza, designada como 2.ª
adjunta na distribuição interna do processo, justificou o pedido de escusa com
o facto de ser prima direta de Quintanilha, antigo responsável máximo da equipa
W52‑FC Porto, e de manter com ele
uma relação de proximidade reconhecida no meio desportivo e social.
No acórdão agora conhecido, o
STJ sublinha que não está em causa a imparcialidade subjetiva da magistrada,
mas sim a necessidade de evitar qualquer sombra de dúvida sobre a transparência
das decisões. “As aparências têm importância”, refere o Supremo, ao justificar
a aceitação do afastamento.
Recursos
após penas efetivas
Quintanilha e Nuno Ribeiro,
antigo diretor desportivo da equipa, recorreram das condenações há quatro anos
e nove meses de prisão efetiva por tráfico e administração de substâncias
proibidas. A Associação Calvário Várzea entidade que deu origem à equipa e
outros arguidos também levaram o caso à Relação.
O que
ficou provado no julgamento
Na leitura do acórdão, em
dezembro de 2025, o tribunal de primeira instância considerou provados
praticamente todos os factos da acusação do Ministério Público. Entre eles:
Esquema de doping Quintanilha
financiava as substâncias e tinha a última palavra sobre a sua utilização.
Papel central de Nuno Ribeiro
fazia a ponte com os ciclistas, comprava, distribuía e orientava a toma dos
produtos ilícitos.
Envolvimento dos atletas
vários ex‑corredores
foram condenados a penas suspensas inferiores a dois anos e meio, por serem
considerados “o elo mais frágil” da cadeia.
Responsabilidade da associação
a Calvário Várzea foi condenada a pagar 57 mil euros e proibida de participar
em competições de ciclismo durante quatro anos.
Um
processo que marcou o ciclismo português
O tribunal concluiu que
Quintanilha foi um dos arquitetos do plano de doping que acabou por levar à
extinção da W52‑FC
Porto, equipa que dominou o panorama nacional durante anos. Já Ribeiro foi
descrito como peça-chave operacional, responsável por uma multiplicidade de
ações que sustentavam o esquema.

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