Por: José Morais
A Volta a França feminina vive
dias de tensão depois de terem surgido acusações de que algumas ciclistas
estarão a recorrer a enchimentos nos sutiãs para alterar a aerodinâmica e
ganhar velocidade. A polémica, inesperada e sensível, reacende o debate sobre
os limites da inovação e da batota no ciclismo profissional.
Suspeitas
antes do contrarrelógio
De acordo com a publicação
neerlandesa WielerFlits, várias equipas do WorldTour feminino alertaram para a
possibilidade de algumas atletas estarem a aumentar artificialmente o volume do
peito através de enchimentos.
A preocupação surgiu antes do
contrarrelógio de terça‑feira,
etapa em que qualquer alteração na superfície frontal da ciclista pode
modificar o fluxo de ar e, consequentemente, melhorar a velocidade.
O jornal britânico The
Telegraph avançou que o especialista em aerodinâmica Bert Blocken recebeu
fotografias que aparentam mostrar objetos inseridos nas camisolas de algumas
competidoras, levantando dúvidas sobre a legalidade do procedimento.
Aerodinâmica
no centro da controvérsia
A lógica por detrás da
suspeita é simples: ao aumentar a área frontal, o ar é desviado de forma
diferente, podendo reduzir a resistência e favorecer a performance. Situações
semelhantes já ocorreram noutras modalidades recorde-se o caso dos saltadores
de esqui nos Jogos Olímpicos de Inverno, acusados de recorrer a injeções de
ácido hialurónico para alterar a forma corporal e obter vantagem aerodinâmica.
Medidas
de controlo e regras da UCI
Perante o ruído crescente, a
organização do Tour feminino determinou que todas as ciclistas deveriam
apresentar‑se
pelo menos dez minutos antes da etapa para inspeções obrigatórias às bicicletas
e ao equipamento.
A União Internacional de
Ciclismo (UCI) proíbe qualquer alteração artificial que modifique o
comportamento aerodinâmico do corpo ou do equipamento, prevendo desqualificação
imediata ou multas embora estas sanções raramente sejam aplicadas.

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