quarta-feira, 16 de setembro de 2026

“Mathieu Van der Poel dispara no Luxemburgo e deixa marca na estreia”


Por: José Morais

Mathieu van der Poel voltou a mostrar porque é um dos nomes mais explosivos do ciclismo mundial. O campeão do mundo de 2023 arrancou com autoridade nos metros decisivos em Fëschmaart e conquistou a etapa inaugural da Volta ao Luxemburgo, assumindo de imediato a liderança geral da prova.

O holandês da Alpecin deixou para trás o francês Pierre Gautherat, da Decathlon, que ainda tentou discutir o sprint, mas não teve resposta para a aceleração final do novo camisola amarela.

 

Fábio Costa leva a Feira dos Sofás – Boavista para a linha da frente

 

A equipa portuguesa Feira dos Sofás – Boavista teve papel de destaque logo no primeiro dia.

O incansável Fábio Costa integrou a fuga principal, mantendo-se na dianteira durante muitos quilómetros e garantindo visibilidade para a formação orientada por André Cardoso.

Entre os melhores classificados da equipa estiveram os espanhóis Oscar Rota, que terminou em 27.º, e David Domínguez, 30.º, ambos a apenas seis segundos do vencedor um sinal de que a Boavista está competitiva e bem posicionada para as etapas seguintes.

Já Pedro Silva, terceiro na última Volta a Portugal, concluiu a tirada no 63.º posto, a 1m43s.

 

O que fica da etapa

 

Van der Poel confirma favoritismo e veste a amarela.

Feira dos Sofás – Boavista mostra ambição com presença na fuga.

Fábio Costa destaca-se como protagonista do dia.

Pierre Gautherat foi o único capaz de desafiar o campeão mundial no sprint.

“Tadej Pogacar regressa aos treinos e deixa mensagem encorajadora: “Estou feliz por voltar”


Por: José Morais

Quase três semanas depois da violenta queda que interrompeu a sua participação na Volta a Espanha, Tadej Pogacar voltou a subir para a bicicleta e deu mais um passo importante na recuperação das lesões sofridas no final de agosto.

O campeão esloveno partilhou nas redes sociais imagens da sua primeira sessão de treino em rolo desde o acidente, realizada em casa e acompanhada de perto pelos elementos da equipa UAE Team Emirates. O regresso aos treinos surge poucos dias após ter sido confirmada a renovação do seu contrato até 2032.

No vídeo divulgado no Instagram, Pogacar mostrou-se visivelmente motivado com a evolução da recuperação e deixou uma mensagem otimista sobre o seu estado físico.

“A clavícula está forte, a cabeça está forte e a frequência cardíaca está alta. Estou muito feliz. Vamos!”

As imagens revelam ainda vários momentos do processo de recuperação, desde a saída do hospital em Barcelona, onde foi submetido a uma intervenção cirúrgica, até ao quotidiano em Monte Carlo, cidade onde reside. A cicatriz da operação e as diferentes etapas da reabilitação também fazem parte da publicação.

Na mensagem que acompanha o vídeo, o ciclista agradeceu o apoio recebido durante as últimas semanas.

“Não era assim que esperávamos passar o mês de setembro. Pelo menos tivemos boa companhia. Um enorme obrigado às nossas equipas, às famílias, aos amigos e a todos os que nos apoiaram. Estamos muito gratos.”

 

Queda obrigou ao abandono da Vuelta

 

Pogacar sofreu o acidente a 29 de agosto, durante a oitava etapa da Volta a Espanha, numa altura em que liderava a classificação geral da prova e já tinha conquistado três vitórias parciais.

As consequências da queda foram significativas. O esloveno sofreu uma concussão, uma fratura deslocada da clavícula esquerda, uma fratura estável da vértebra cervical C7 e várias escoriações, lesões que o obrigaram a abandonar imediatamente a corrida.

 

Operado em Barcelona

 

A gravidade da lesão na clavícula levou à realização de uma cirurgia num hospital em Barcelona. Após receber alta médica, a 2 de setembro, Pogacar regressou ao Mónaco para prosseguir a recuperação.

Dias mais tarde, a UAE Team Emirates anunciou que o corredor não voltaria à competição nessa temporada e confirmou simultaneamente a extensão do vínculo contratual do esloveno até 2032.

Na ocasião, Pogacar destacou a forte ligação que mantém com a equipa.

“Desde o primeiro dia que esta equipa é como uma casa para mim. Crescemos juntos ao longo dos anos e vivemos momentos extraordinários. Estou muito feliz por continuar este percurso e renovar o meu contrato.”

“Justiça afasta magistrada por pedido de escusa por laços familiares no caso W52‑FC Porto”


Por: José Morais

O Supremo Tribunal de Justiça decidiu retirar uma juíza da Relação do Porto da análise dos recursos apresentados no processo Prova Limpa, depois de a magistrada admitir que a sua ligação familiar e de proximidade com Adriano Quintanilha poderia comprometer a perceção pública de imparcialidade.

 

Afastamento para preservar a confiança pública

 

A juíza, designada como 2.ª adjunta na distribuição interna do processo, justificou o pedido de escusa com o facto de ser prima direta de Quintanilha, antigo responsável máximo da equipa W52FC Porto, e de manter com ele uma relação de proximidade reconhecida no meio desportivo e social.

No acórdão agora conhecido, o STJ sublinha que não está em causa a imparcialidade subjetiva da magistrada, mas sim a necessidade de evitar qualquer sombra de dúvida sobre a transparência das decisões. “As aparências têm importância”, refere o Supremo, ao justificar a aceitação do afastamento.

 

Recursos após penas efetivas

 

Quintanilha e Nuno Ribeiro, antigo diretor desportivo da equipa, recorreram das condenações há quatro anos e nove meses de prisão efetiva por tráfico e administração de substâncias proibidas. A Associação Calvário Várzea entidade que deu origem à equipa e outros arguidos também levaram o caso à Relação.

 

O que ficou provado no julgamento

 

Na leitura do acórdão, em dezembro de 2025, o tribunal de primeira instância considerou provados praticamente todos os factos da acusação do Ministério Público. Entre eles:

Esquema de doping Quintanilha financiava as substâncias e tinha a última palavra sobre a sua utilização.

Papel central de Nuno Ribeiro fazia a ponte com os ciclistas, comprava, distribuía e orientava a toma dos produtos ilícitos.

Envolvimento dos atletas vários excorredores foram condenados a penas suspensas inferiores a dois anos e meio, por serem considerados “o elo mais frágil” da cadeia.

Responsabilidade da associação a Calvário Várzea foi condenada a pagar 57 mil euros e proibida de participar em competições de ciclismo durante quatro anos.

 

Um processo que marcou o ciclismo português

 

O tribunal concluiu que Quintanilha foi um dos arquitetos do plano de doping que acabou por levar à extinção da W52FC Porto, equipa que dominou o panorama nacional durante anos. Já Ribeiro foi descrito como peça-chave operacional, responsável por uma multiplicidade de ações que sustentavam o esquema.

Ficha Técnica

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