Por: José Morais
Storm Ingebrigtsen, talento de
apenas 21 anos da Uno‑X
Mobility, protagonizou hoje uma das reviravoltas mais marcantes desta edição do
Tour da Dinamarca. O norueguês lançou um ataque fulminante a partir da fuga e
resistiu ao avanço feroz do pelotão, interrompendo a sequência de três vitórias
consecutivas de Wout Van Aert, que vinha dominando a prova com autoridade.
Gabriele Bessega (Polti
VisitMalta) segurou a liderança geral ao terminar em segundo, enquanto Axel
Källberg (Lucky Sport Cycling Team) completou o pódio da etapa. Van Aert,
apesar de não vencer, manteve sem dificuldades a camisola amarela.
A fuga
que ninguém conseguiu parar
A quarta etapa, com 172 km
entre Rudkøbing e Faaborg, começou num ritmo explosivo. Treze ciclistas
escaparam logo cedo, entre eles Ashlin Barry, que havia caído no dia anterior,
e nomes como Niklas Larsen e Tim Torn Teutenberg. A vantagem, porém, não durou:
equipas como Alpecin‑Premier
Tech, NSN Cycling e Flanders‑Baloise
trabalharam juntas para neutralizar o grupo após cerca de 40 km, determinadas a
transformar o dia numa chegada ao sprint.
Henrik Pedersen (Uno‑X) ainda aproveitou para
vencer o sprint intermédio e ultrapassar Christophe Laporte na classificação
geral. Pouco depois, formou‑se uma
nova fuga desta vez com sete ciclistas e muito mais potencial.
Entre eles estavam
Ingebrigtsen, Bessega, Källberg, Sébastien Grignard, Christopher Juul‑Jensen, Stian Rosenlund e
Francesco Carollo. O pelotão, controlado por Alpecin‑Premier Tech, Flanders‑Baloise e Visma, manteve a
diferença perto dos dois minutos, mas a fuga mostrou resiliência até às voltas
finais em Faaborg.
O ataque
que decidiu tudo
Källberg foi o mais agressivo
na frente, tentando várias vezes partir sozinho. Atrás, o pelotão reduzia-se e
acelerava, com Tomáš Kopecký a tentar dinamitar a perseguição e Van Aert a
controlar cada movimento com a habitual frieza.
Mas nada disso impediu o golpe
final de Ingebrigtsen.
A um quilómetro da meta, o
norueguês lançou o ataque decisivo. Abriu rapidamente dez segundos, suficientes
para resistir ao sprint do pelotão que se aproximava em velocidade máxima.
Cruzou a meta isolado, conquistando a sua segunda vitória profissional e um dos
momentos mais marcantes da temporada.
Jensen Plowight (Alpecin), que
já tinha perdido uma vitória para Van Aert após decisão dos comissários na
segunda etapa, voltou a sentir o sabor amargo da frustração ao vencer apenas o
sprint do pelotão.
O que
esta vitória muda na corrida?
Storm Ingebrigtsen afirma-se
como uma das revelações da prova.
Wout Van Aert mantém a
liderança geral e continua favorito ao título.
A Polti VisitMalta protege a
camisola de Bessega, que segue sólido na classificação.
A etapa reforça a
imprevisibilidade do Tour da Dinamarca, onde o terreno ondulado e o vento podem
transformar qualquer dia numa batalha tática.

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