sábado, 1 de agosto de 2026

“Remco Evenepoel transforma desastre em glória e assina feito histórico na Clássica de San Sebastian”


Por: José Morais

Remco Evenepoel voltou a provar por que é uma das figuras mais dominantes do ciclismo moderno. O belga da Red Bull–BORA hansgrohe escreveu neste sábado um capítulo épico da Clássica de San Sebastian ao conquistar a sua quarta vitória, tornando-se o maior vencedor da história da prova e superando o lendário Marino Lejarreta. O feito, porém, veio embalado por drama: um furo inesperado quase o tirou da disputa, mas acabou servindo como combustível para uma das recuperações mais impressionantes da temporada.

 

Um percurso brutal e uma corrida imprevisível

 

A edição de 2026 apresentou um trajeto agressivo, com sete subidas categorizadas antes da dupla decisiva Jaizkibel e Erlaitz, que tradicionalmente moldam o desfecho da clássica basca. Após esse bloco montanhoso, restava apenas a curta e explosiva ascensão de Murgil, com seus 2,1 km a 10,1% o ponto perfeito para separar os verdadeiros candidatos à vitória.

O ritmo foi intenso desde cedo, com ataques constantes e um grupo de fugitivos formado por Bart Lemmen, Michael Leonard, Sean Quinn, Jay Vine e Maxim Van Gils. A corrida parecia encaminhar-se para uma seleção natural… até que o azar bateu à porta do favorito.

 

O furo que quase mudou tudo

 

A 50 km da meta, Remco Evenepoel sofreu um furo que o obrigou a trocar de bicicleta em plena aproximação de Erlaitz. Sem apoio imediato da equipa, o belga teve de escalar a subida sozinho, com um atraso que chegou a 40 segundos em relação ao grupo dos favoritos.

Enquanto isso, nomes como Richard Carapaz, Matteo Jorgenson, Giulio Ciccone, Felix Gall e Enric Mas endureciam o ritmo na frente. A corrida parecia escapar das mãos de Remco Evenepoel, mas o campeão mundial de 2022 no estava disposto a aceitar esse destino.

Graças à indecisão tática do grupo líder e ao seu ritmo avassalador, Evenepoel conseguiu reintegrar-se ao pelotão da frente a 34 km do fim, acompanhado por Darren Rafferty, Jan Christen, Pello Bilbao e outros perseguidores.

 

O duelo final: Remco vs Carapaz

 

Com o grupo reunificado, a Red Bull assumiu o comando e endureceu o ritmo. Na subida de Murgil, Van Gils abriu caminho e Evenepoel lançou o ataque decisivo. Apenas Richard Carapaz conseguiu seguir a roda do belga, formando uma dupla de luxo para o sprint final em San Sebastian.

Carapaz tentou resistir, mas Remco Evenepoel mostrou por que é um dos melhores finalizadores do pelotão. Lançou o sprint com autoridade e cruzou a meta isolado, garantindo a vitória e o recorde histórico da prova.

Ben Tulett completou o pódio após alcançar o grupo perseguidor, enquanto Giulio Ciccone e Louis Barré ficaram sem forças para reduzir a diferença.

 

“Quero ser campeão mundial”

 

Exausto, mas radiante, Remco Evenepoel admitiu que esta foi a vitória mais difícil das quatro:

“Foi a mais complicada. Depois de Jaizkibel furei, e sabíamos que Erlaitz estava logo ali. Tive de ser paciente. A equipa fez um trabalho incrível Pellizzari ajudou-me a aproximar e Van Gils esperou por mim. Sem eles, não teria sido possível.”

O belga agora planeia descansar antes de regressar às corridas no Canadá, com um objetivo claro no horizonte:

“Quero ser campeão mundial.”

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