Por: José Morais
Eddie Dunbar voltou a mostrar
classe nas rampas da Vuelta a España e conquistou uma vitória memorável na
exigente chegada a Peñas Blancas. O irlandês foi o mais forte nos momentos
decisivos da 19.ª etapa, superando novamente Santiago Buitrago, enquanto Primož
Roglič, Richard Carapaz e os restantes candidatos à camisola vermelha ficaram
sem argumentos para alterar o rumo da classificação geral.
A ligação entre Vélez-Málaga e
Estepona, numa jornada de 210,8 quilómetros, começou sob enorme intensidade.
Durante largos quilómetros, as tentativas de fuga sucederam-se sem sucesso, com
o pelotão a responder a praticamente todas as investidas. Entre os corredores
mais inconformados estiveram Nelson Oliveira, Kevin Vermaerke, Steven
Kruijswijk, Bruno Armirail, Anders Johannessen, Andreas Leknessund e Jasha
Sütterlin.
A luta pela formação da escapada prolongou-se muito para além do esperado. Só após várias ofensivas e mudanças constantes na frente da corrida é que um grupo mais numeroso conseguiu ganhar margem suficiente para sonhar com o triunfo da etapa.
A grande sacudidela surgiu
ainda longe da meta, quando Richard Carapaz decidiu assumir riscos e lançou um
ataque a cerca de 95 quilómetros do final. O equatoriano tentou surpreender os
adversários e contou com a colaboração de James Rafferty para alimentar a
ofensiva. A movimentação obrigou as equipas dos homens da geral a endurecer o
ritmo e a perseguir sem tréguas, acabando por neutralizar a ameaça antes da
subida decisiva.
Com a corrida novamente
controlada, os fugitivos recuperaram terreno e entraram nos quilómetros finais
com uma vantagem suficientemente confortável para discutir a vitória entre si.
Foi então que Peñas Blancas
fez a seleção natural. A Bahrain Victorious assumiu as despesas da perseguição
e preparou o terreno para Santiago Buitrago. O colombiano respondeu com um
ataque poderoso a cerca de 13 quilómetros da meta, conseguindo apenas a companhia
de Eddie Dunbar e Gloag.
A batalha pela etapa ficou reduzida a um grupo restrito, mas o desfecho acabaria por repetir um filme já visto nesta edição da corrida. Buitrago tentou novamente fazer a diferença nos quilómetros finais, mas não conseguiu deixar para trás os rivais. Quando a meta já estava à vista, Dunbar lançou o golpe decisivo. A cerca de 500 metros do final, acelerou de forma demolidora, ultrapassou o colombiano e seguiu isolado para celebrar o primeiro triunfo da Q36.5 Pro Cycling nesta Vuelta.
Na luta pela classificação
geral, também houve momentos de tensão. Primož Roglič foi o primeiro a testar
os seus adversários na subida final, provocando uma seleção que deixou na
frente nomes como Enric Mas, Félix Gall, Richard Carapaz e Oscar Onley.
Apesar das tentativas, nenhum
dos favoritos conseguiu encontrar a explosão necessária para abrir diferenças.
O ritmo foi perdendo intensidade e vários corredores regressaram ao grupo dos
principais candidatos. Já perto da meta, Carapaz procurou ainda surpreender com
uma última aceleração, mas Félix Gall respondeu de imediato e anulou qualquer
possibilidade de alteração significativa.
Assim, a etapa terminou sem
mudanças relevantes na luta pela camisola vermelha. Enric Mas conservou a
liderança da Volta a Espanha e continua a controlar a corrida quando faltam
apenas duas etapas para o seu encerramento.
O dia voltou a sorrir à fuga,
que contou novamente com a presença de Ivo Oliveira. Contudo, foi Eddie Dunbar
quem transformou a oportunidade em glória, derrotando Santiago Buitrago pela
segunda vez nesta edição da prova e prolongando a frustração do colombiano nas
chegadas em alto.
Entre os portugueses, João
Almeida voltou a enfrentar um dia complicado na alta montanha. O corredor
português terminou na 135.ª posição, a 34m13s do vencedor. Já Ivo Oliveira,
depois de integrar a escapada que marcou a etapa, foi o último classificado, cruzando
a meta com 35m56s de atraso.
Na classificação geral, João
Almeida ocupa o 96.º lugar, a 3h03m57s de Enric Mas, enquanto Ivo Oliveira
segue na 121.ª posição, a 3h42m07s da liderança.



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