Por: José Morais
Tadej Pogacar ainda nem cruzou
a meta final em Paris e já carrega sobre os ombros uma previsão que poucos
ousariam formular. Aos 81 anos, Eddy Merckx, o maior símbolo da era dourada do
ciclismo, acredita que o esloveno não só vai ultrapassar o mítico registo de
cinco triunfos no Tour de France, como poderá alcançar um feito que nenhum
corredor conseguiu: vencer Giro, Tour e Vuelta na mesma temporada.
Tadej Pogacar,
o herdeiro inevitável
Eddy Merckx, que observa o
ciclismo com a autoridade de quem venceu 525 corridas, não tem dúvidas sobre o
domínio do líder da UAE Team Emirates. Para o belga, Pogacar está prestes a
entrar num território reservado aos gigantes.
“Ele não vai parar no meu
recorde nem no dos outros campeões. Vai ultrapassar todos nós”, afirmou ao
jornal italiano La Gazzetta dello Sport. No domingo, ao garantir o quinto
título, Pogacar igualará Eddy Merckx, Jacques Anquetil, Bernard Hinault e Miguel
Indurain, mas, para o Canibal, isso será apenas o início.
O domínio
nas montanhas que surpreende até Merckx
O belga admite que sempre
reconheceu o talento precoce do esloveno, mas confessa ter sido surpreendido
pela forma como Tadej Pogacar destruiu a concorrência nas etapas de montanha.
“Não esperava que ele fosse
tão impressionante nas subidas. Parece que quebra recordes em todas as etapas”,
comentou Eddy Merckx, visivelmente fascinado com a consistência e a
agressividade do líder do Tour.
O desafio
impossível: Giro–Tour–Vuelta no mesmo ano
Eddy Merckx evita comparações
diretas entre épocas, mas não hesita em apontar Pogacar como o único capaz de
completar o triplete absoluto numa só temporada.
“Se alguém pode fazê-lo, é
ele. Com as condições certas, pode alcançar esse objetivo”, sublinhou.
Para isso, o esloveno
precisaria de uma equipa ainda mais robusta, capaz de controlar três Grandes
Voltas sem desperdiçar energia. Tadej Pogacar já tem Giro e Tour no bolso, e
cresce a especulação sobre a sua presença na Vuelta, entre 22 de agosto e 13 de
setembro.
Evenepoel:
“o melhor entre os mortais”
Eddy Merckx também reservou
elogios para Remco Evenepoel, segundo classificado no Tour, a quem chama “o
melhor entre os mortais”. Considera-o o ciclista mais forte do mundo nos
contrarrelógios, mas admite que nas montanhas a diferença para Tadej Pogacar
continua a ser demasiado grande.
“Não tenho certeza de que
consiga acompanhar Pogacar nas subidas quando ele está no seu melhor”,
reconheceu.
O futuro
já começou
Com Tadej Pogacar a reescrever
a história em tempo real, Eddy Merckx parece assistir ao nascimento de um novo
capítulo do ciclismo mundial um capítulo que, segundo ele, poderá superar até
os feitos mais lendários.

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