segunda-feira, 17 de agosto de 2026

“Nairo Quintana fora da Vuelta 2026: o adeus que perdeu o palco principal”


Por: José Morais

A ausência de Nairo Quintana na Volta a Espanha 2026 não é apenas um detalhe de calendário: marca, de forma definitiva, o fim de uma era no ciclismo mundial. O colombiano, um dos grandes escaladores da última década, não integrará o grupo de oito corredores da Movistar que inicia a prova neste sábado, em Mónaco e assim encerra sua última temporada sem disputar qualquer Grande Volta.

 

Um adeus sem palco nas Grandes Voltas

 

A decisão confirma o plano delineado pela equipa ainda no final de 2025: a temporada de despedida de Quintana não incluiria participações em provas de três semanas. Depois de ficar fora do Giro d’Itália e do Tour de França, a Vuelta era a última oportunidade de vestir novamente o dorsal numa grande volta. Com a lista oficial divulgada, essa porta fechou-se de vez.

Apesar disso, Quintana manteve até ao último momento a esperança de alinhar na corrida espanhola. O simbolismo era forte: a ligação histórica com a Movistar, o carinho do público espanhol e o desejo de encerrar a carreira numa prova onde viveu alguns dos seus maiores dias.

 

Uma carreira marcada por feitos memoráveis

 

O colombiano deixa para trás um legado incontornável.

Giro d’Itália 2014 vitória histórica.

Vuelta 2016 triunfo épico sobre Chris Froome, coroado pela lendária ofensiva rumo a Formigal.

 

Tour de França três pódios: 2013, 2015 e 2016

 

A relação com a Volta Espanha sempre foi especial. Foi ali que, há dez anos, Quintana conquistou a camisola vermelha após uma das etapas mais lembradas da década, quando Movistar e Alberto Contador desmontaram Froome num ataque coletivo que entrou para a história.

 

Últimos quilómetros da carreira

 

Sem a Vuelta, Quintana completará a sua despedida em outras provas do calendário, longe das luzes das Grandes Voltas. A Movistar segue para Mónaco com objetivos diferentes, enquanto o colombiano se prepara para encerrar a carreira sem voltar a enfrentar três semanas de competição.

domingo, 16 de agosto de 2026

“O dia perfeito de Rui Oliveira: Vitória, camisola laranja e porto ao peito, o sonho da primeira vitória faz história na Volta a Portugal”


Por: José Morais

Foto: Volta Portugal

Rui Oliveira viveu este domingo um dos momentos mais marcantes da carreira ao vencer a derradeira etapa da Volta a Portugal, numa chegada vibrante à Avenida dos Aliados, no coração do Porto. O corredor da UAE Emirates, natural de Gaia, celebrou como quem cumpre um destino: triunfar “ao lado de casa”, perante família, amigos e milhares de adeptos que transformaram a avenida num corredor de emoção.

A vitória, a primeira da carreira profissional, teve um peso especial para o ciclista de 29 anos, que não escondeu a incredulidade ao cruzar a meta. “É difícil explicar o que sinto. Ganhar aqui, no Porto, na minha terra, é algo que nunca imaginei viver desta forma”, afirmou, visivelmente emocionado, após erguer os braços diante de um público que o empurrou desde os últimos quilómetros.

Além do triunfo na etapa, Rui Oliveira garantiu também a camisola laranja, destinada ao líder da classificação por pontos um objetivo que, revelou, estava traçado desde o momento em que conheceu o percurso final da prova. “Quando soube que a Volta terminava no Porto, falei com a equipa e definimos esta etapa como prioridade. Eles acreditaram em mim desde o primeiro dia. Concretizar isto aqui, com todos os que me acompanham, é simplesmente extraordinário.”

O gaiense fez questão de dedicar o momento à família, aos amigos e ao público português, que o acompanhou de forma massiva. “É impossível pedir mais. Estão todos aqui, é a minha casa. Se alguém me dissesse que a minha primeira vitória profissional seria assim, não acreditava.”

Num gesto de grande sensibilidade, Rui Oliveira dedicou ainda o triunfo à família de Finlay Tarling, jovem ciclista da NSN Development que perdeu a vida na etapa 8. “Foram dias muito duros para todo o pelotão. Esta vitória também é para ele e para quem sofre com a sua perda”, sublinhou, destacando o espírito de união vivido entre os corredores ao longo da competição.

“Porto é o primeiro município a associar-se ao centenário da Volta a Portugal”


Fotos: Miguel Simão / FPC - Rodrigo Rodrigues / FPC

O Porto é o primeiro município a associar-se à Volta a Portugal de 2027, ano do centenário da prova. O anúncio foi feito este domingo, após a etapa final da Grandíssima de 2026, precisamente na cidade portuense. 

“Tendo no próximo ano o centenário, faço questão de que o Porto faça parte deste roteiro e somos o primeiro município a dizer que queremos estar na Volta em 2027”, revelou o presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte.

O autarca lembrou o acidente que vitimou o jovem corredor Finlay Tarling, este ano. “Nenhum de nós se esquece de um acidente que marcou esta Volta, e que nos angustia a todos. Mas por vezes há fatores que não controlamos. No que era controlável, acho que esta edição foi um sucesso e temos condições para fazer igual no centenário. Somos o primeiro município a associar-se à Volta em 2027 e tenho a certeza de que muitos outros se associarão”, acrescentou. 

 

Federação já prepara 2027

 

Numa conferência de imprensa de balanço da edição da Prova Rainha do ciclismo nacional que agora termina, o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, também recordou o desaparecimento de Tarling, “numa edição especial para a Federação” devido à falta de tempo para organizar o evento. 


“Tivemos poucas semanas para organizar esta Volta”, reconheceu, antes de continuar: “Queremos agradecer aos municípios, aos parceiros e patrocinadores, que acreditaram no nosso projeto, acreditaram na modernização, internacionalização e na proximidade aos portugueses.” 

“Queríamos abranger todo o território e, com a ajuda do Ezequiel [Mosquera, diretor da prova] conseguimos. Se retirássemos esses segundos que infelizmente não dão para retirar [acidente de Tarling], teria sido perfeito. Estamos a começar a trabalhar para 2027. Queremos fazer mais. Quero agradecer também à RTP pela ajuda, pela entrega e pelo gosto que têm neste trabalho. Permitiram que se desse a conhecer a Volta a Portugal”, rematou. 

A mesma ideia foi partilhada por Ezequiel Mosquera. “Foi um trabalho muito intenso para nós e para a Federação, foi um contrarrelógio. Felizmente, a resposta do público foi sensacional”, disse. 

“Apesar do stress, apesar de termos de fazer tudo a correr, bateram-se recordes de audiência de dez anos, isso significa muito para nós. A única nota negativa foi um lapso de tempo que foi dramático, se não tivesse acontecido o acidente teria sido perfeito. Lamentamos tudo isto, a única opção agora é continuar”, acrescentou. 

 

“Foi uma aposta ganha”

 

Presente na conferência de imprensa esteve também Paulo Sousa. O Provedor da Santa Casa de Misericórdia revelou que a instituição será novamente parceira da Volta no próximo ano.  


“Foi uma aposta ganha. Os Jogos Santa Casa regressam agora de uma forma mais expressiva, com mais proximidade a esta competição. Foi o ano do regresso, e para o ano, quando comemorarmos 100 anos da Volta, os Jogos Santa Casa estão juntos com a Volta a Portugal. É uma forma de retribuir a confiança dos portugueses”, defendeu. 

Por último, o Secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, felicitou a organização por uma “Volta espetacular”, ele que acompanhou esta última etapa ao lado de Cândido Barbosa. 

“O serviço público também se faz desta forma. Quer a Santa Casa de Misericórdia, o Instituto Português do Desporto e da Juventude e a RTP, podem ajudar-nos muito a valorizar e a promover a prática desportiva, como aliás fizeram.” 

“É impressionante a capacidade que o ciclismo tem de atrair o público, para ver os ciclistas a passar à porta da sua casa ou num outro local qualquer. É esta a mensagem que queria deixar, não esquecendo que tivemos um evento muito duro nos últimos dias. Terminamos uma Volta espetacular, fico muito feliz por termos a nossa Federação Portuguesa de Ciclismo a transformar a Volta. Estou seguro de que no próximo ano, no centenário, vamos ter mais um grande evento desportivo”, antecipou. 

A edição de 2026 da Volta a Portugal Jogos Santa Casa chegou este domingo ao fim, depois de 11 dias de competição e de uma passagem por várias regiões do país. Alexis Guérin tornou-se o primeiro francês a vencer a Grandíssima.

Ficha Técnica

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