quinta-feira, 6 de maio de 2021

“João Rodrigues: «Estava tão perto da meta, a vê-la à minha frente, e não ter pernas para dar mais...»”


Português foi segundo atrás de Ethan Hayter na chegada ao Alto da Fóia

 

 Por: Lusa

Foto: Ricardo Nascimento

A Volta ao Algarve perdeu esta quinta-feira um dos principais favoritos, com a desistência do azarado Rui Costa, mas viu João Rodrigues assumir-se como novo candidato nacional, ao ser segundo na Fóia, atrás do britânico Ethan Hayter.

Foi uma jornada de desilusões para as cores nacionais: Rui Costa caiu a descer, e foi forçado a abandonar a prova, com contusões e escoriações, mas sem lesões, e o algarvio da W52-FC Porto foi batido, ao sprint, no alto da Fóia, pelo veloz jovem da INEOS, que subiu à liderança da geral.

Ao cortar a meta, com as mesmas 4:48.43 horas do vencedor, Rodrigues bateu com o punho na perna, frustrado por ter perdido uma vitória que tanto ele como a sua equipa fizeram por merecer.

"Sinto um pouco de desilusão por não ter conseguido vencer. Estava tão perto da meta, a ver a meta à minha frente, e não ter mais pernas para conseguir dar mais para vencer... O homem da INEOS foi o mais forte, quando assim é, não há nada a fazer", reconheceu o vencedor da Volta a Portugal de 2019, que é segundo na geral com o mesmo tempo do surpreendente Hayter.

O britânico, que na véspera tinha sido nono na chegada a Portimão, fez valer a sua ponta final de 'pistard' multimedalhado, e impôs-se a Rodrigues e a Jonathan Lastra, com os três empatados com o mesmo tempo na geral individual.

Antes do sprint no alto da Fóia, a tirada foi animada por Damien Touzé (AG2R), Kenny Molly (Bingoal Pauwels Sauces WB), Clément Carisey (Delko), Xabier Azparren (Euskaltel-Euskadi), Fábio Costa (Efapel), Joseph Laverick (Hagens Berman Axeon), Marvin Scheulen (LA Alumínios-LA Sport) e Samuel Caldeira (W52-FC Porto), que saíram do pelotão ao quilómetro oito dos 182,8 a percorrer desde Sagres.

Com a camisola amarela de Sam Bennett irremediavelmente a prazo, a Deceuninck-QuickStep demitiu-se da obrigação de controlar a corrida e, sem um candidato evidente e declarado para o ataque à liderança da geral, a fuga do dia teve uma vantagem superior a sete minutos até a UAE Emirates assumir a perseguição, apostada em levar o dorsal número 1 à desejada amarela da Volta ao Algarve.

A equipa de Rui Costa, por um lado, e a serra de Monchique, por outro, fizeram a vantagem dos fugitivos cair abruptamente, com a fuga a 'desmembrar-se' à medida que a estrada inclinava rumo à contagem de terceira categoria Alferce e Samuel Caldeira a demonstrar aquilo que habitualmente passa despercebido aos mais desatentos quando trabalha para um líder na Volta a Portugal: que é capaz de 'descarregar' quase qualquer um.

Só Touzé e Molly aguentaram o ritmo do esforçado dragão, com os três a coroarem Alferce (ao quilómetro 156,4) mais de dois minutos antes do pelotão. Mas, seria a descida posterior, inscrita no livro da prova como "perigosa", a reescrever a história desta Algarvia: Rui Costa, à procura do seu primeiro triunfo na prova, após vários lugares cimeiros, caiu e desistiu.

A imagem do campeão nacional de fundo, sentado no chão, em desalento, a ser assistido pela equipa médica, ficará na memória dos telespetadores, mais do que os acontecimentos que se seguiram a esse momento: com a queda do seu líder, a UAE Emirates desapareceu e a W52-FC Porto assomou à frente da corrida, já depois de a fuga ser anulada, a 18 quilómetros do final.

Luís Fernandes (Rádio Popular-Boavista) ainda tentou a sua sorte, passando na frente do alto da Pomba, mas o desfecho da segunda etapa foi discutido já nos derradeiros três quilómetros da subida ao ponto mais alto do Algarve, quando, depois de várias tentativas da Arkéa-Samsic, se formou um sexteto na frente, com Elie Gesbert a levar na roda um trio de INEOS (Hayter, Ivan Sosa e Sebastián Henao), Rodrigues e Lastra.

Sem que, lá atrás, alguém conseguisse responder, embora Amaro Antunes (W52-FC Porto) tenha tentado alcançar a dianteira em solitário, os homens da INEOS sucederam-se nos ataques, sempre correspondidos pelo homem da casa, e foram bem-sucedidos na estratégia, demonstrando quererem recuperar o estatuto de 'donos' da 'Algarvia'.

 

"Entrei na última subida algo escondido. Dei por mim na frente, com os meus colegas Sebastián Henao e Ivan Sosa e limitei-me a segui-los. Estava a ser protegido e, no final, arranquei e fui com a máxima força até ao risco. Estava com esperanças de fazer uma boa corrida aqui no Algarve, mas confesso que me correu melhor do que esperava", disse o novo líder da 47.ª edição, que na sexta-feira enfrentará uma jornada tranquila na defesa da amarela, nos 203,1 quilómetros entre Faro e Tavira.

Fonte: Record on-line

“Sérgio Paulinho recebeu o Prémio Prestígio: «É o reconhecimento por toda a carreira»”


Ciclista português termina a carreira esta época e foi homenageado pela organização da Volta ao Algarve

 

 Por: Lusa

O Prémio Prestígio atribuído pela organização da Volta ao Algarve representa para Sérgio Paulinho o reconhecimento por todo o trabalho que fez ao longo de uma carreira que termina esta época, confidenciou à Lusa o veterano ciclista português.

Os adeuses sucedem-se para Sérgio Paulinho, mas a nostalgia da despedida é, pontualmente, superada pela emoção das homenagens, como aquela que esta quinta-feira recebeu da organização da Algarvia: antes do arranque da segunda etapa, em Sagres, foi distinguido com o Prémio Prestígio, unindo o seu nome a um restrito lote no qual figuram apenas grandes do pelotão internacional, designadamente Alberto Contador, Tom Boonen, Fabian Cancellara, Tony Martin, Philippe Gilbert e Vincenzo Nibali.

"É uma sensação ótima. É o reconhecer de todo aquele trabalho que fiz ao longo da minha carreira e, para mim, é bastante gratificante poder receber o Prémio Prestígio aqui, na Volta ao Algarve, uma corrida que é emblemática em Portugal", descreveu à Lusa o ciclista da LA Alumínios-LA Sport, que nesta quarta-feira desistiu durante a primeira etapa da corrida, devido a um problema de saúde.

Ainda assim, o ciclista compareceu esta quinta-feira em Sagres para receber o Prémio Prestígio, outorgado pela organização ao único medalhado olímpico do ciclismo português, que, além da prata conquistada na prova de fundo em Atenas'2004, tem no palmarés vitórias em etapas na Volta a França (2010) e na Volta a Espanha (2006).

Gregário de luxo do pelotão internacional durante uma década, o veterano de 41 anos passou por equipas emblemáticas como Liberty Seguros-Würth (2005-2006), Discovery Channel (2007), Astana (2008-2009) e RadioShack (2010-2011), antes de ingressar na Tinkoff, de onde saiu em 2016 para regressar ao ciclismo nacional.

Hoje, Paulinho sabe que o momento de concluir uma carreira de êxito(s) chegou, embora deixe escapar que "o bichinho" do ciclismo ainda existe.

"A vontade é sempre continuar, mas há um limite para tudo. E este ano já meti na cabeça que o limite chegou e vou tentar desfrutar ao máximo desta última volta ao Algarve, poder desfrutar junto dos meus colegas da LA Alumínios-LA Sport e do pelotão nacional", assumiu à Lusa.

Esse limite, assevera, não é mental, "porque a vontade de andar de bicicleta, de treinar, levantar cedo para treinar continua a mesma".

"Mas nós, ciclistas, começamos a sentir quando chega aquele momento em que o corpo já começa a chegar ao limite. E eu começo a sentir isso. Já era para ter sido no ano passado, mas devido à pandemia gostava de terminar a carreira de um modo diferente", confessou o veterano, que também já tinha sido distinguido com o prémio 'Espírito de Sacrifício' na edição especial da Volta a Portugal, no ano passado.

Fonte: Record on-line

“José Azevedo fica com "responsabilidades mínimas" na Delko após Volta ao Algarve”


Projeto que abraçou com ambição 'obrigado' a reestruturar-se

 

 Por: Lusa

Foto: DR

A 47.ª Volta ao Algarve será a última prova de José Azevedo antes de passar a ter "responsabilidades mínimas" na equipa francesa Delko, após o projeto que abraçou com ambição ter sido 'obrigado' a reestruturar-se.

Passaram apenas oito meses desde que o mais conceituado diretor desportivo português falou, com entusiasmo, à Lusa sobre os motivos que o levaram a aceitar integrar o projeto da então Nippo Delko Provence, apostada em consolidar-se no escalão Pro Continental e chegar à Volta a França, mas, hoje, a realidade é outra.

"O projeto tinha uns objetivos, uma ambição. No final do ano, houve patrocinadores que saíram, o presidente da equipa, que também é o dono da Delko, assumiu o projeto e, nesta altura, ele tem de redimensioná-lo numa estrutura diferente da que ele inicialmente planeava. Nessa restruturação, a equipa irá fazer alguma redução no seu programa, pelo que, logicamente, há uma reorganização no 'staff'. Eu faço a Volta ao Algarve e, a partir daí, sigo contratualmente ligado à equipa, mas com umas responsabilidades mínimas", resume à Lusa.

José Azevedo prefere não espraiar-se sobre o que falhou, remetendo eventuais esclarecimentos para o manager da formação francesa, mas vai dizendo que, "por diversos fatores, não foi possível atingir o que inicialmente era o objetivo".

"Eu quando entrei, tinha essa ambição [levar equipa ao Tour]. Não foi possível atingir os objetivos que o dono da equipa tinha em mente. Não sei se no futuro a equipa poderá lá chegar. A equipa vai continuar, os ciclistas vão continuar no ativo, é apenas uma restruturação que vai existir e, dentro dessa restruturação, as minhas funções passam a ser mais reduzidas", pontua.

Depois do conturbado final da Katusha, na qual esteve seis anos, os três últimos como diretor-geral, o desafio apresentado na primavera do ano passado pelo então novo dono da Nippo Delko Provence convenceu José Azevedo a regressar antes do esperado ao ciclismo, e, embora recuse falar de "desilusão", o antigo ciclista, de 47 anos, assume que, "logicamente, ninguém gosta destas situações".

"Acho que ninguém que está neste projeto está contente, todos nós gostamos de ver as coisas a crescer. Desilusão não vou dizer que seja, porque o dono da equipa foi correto com todos nós -- nisso há que elogiar, porque foi uma pessoa aberta, outro poderia encobrir a situação. A partir daí, mostrei-me também disponível para haver um acordo entre nós. E, agora, é pensar no futuro", declara o poveiro, que até domingo comandará a Delko na 'Algarvia'.

Sem negociações ou convites em cima da mesa -- "isto aconteceu tudo há pouco tempo" -, o quinto classificado do Tour2004 e do Giro2001, que começou o seu percurso como diretor desportivo na RadioShack em 2010, trocará o lugar ao volante nas corridas por essa Europa pela cadeira de comentador da Eurosport, que ocupa desde o ano passado e que, esta temporada, o levará a 'percorrer' as três grandes Voltas.

"E depois, tenho em mente projetos, a título individual e pessoal", conclui, sem querer adiantar pormenores.

Fonte: Record on-line

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