sexta-feira, 2 de outubro de 2020

“Volta a Portugal Edição Especial Jogos Santa Casa”


Daniel McLay impõe lei do mais rápido em Águeda

Por: José Carlos Gomes

O britânico Daniel McLay (Team Arkéa-Samsic) venceu hoje, em Águeda, a quinta etapa da Volta a Portugal Edição Especial Jogos Santa Casa, uma viagem de 176,3 quilómetros, iniciada em Oliveira do Hospital. Amaro Antunes (W52-FC Porto) continua vestido de amarelo.

Como se previa, a tirada decidiu-se entre os corredores mais velozes do pelotão, num animado sprint, na sempre exigente chegada, em subida, a Águeda. A Team Arkéa-Samsic, que se apresentou na Volta a Portugal com o objetivo de vencer etapas através de McLay, fez um excelente trabalho nos quilómetros finais, lançando o número um da equipa para a vitória.


Daniel McLay não deu a menor hipótese à concorrência, arrancando no momento certo, a 100 metros do risco, para um triunfo autoritário. O venezuelano Leangel Linarez (Miranda-Mortágua) foi o segundo classificado e o italiano Riccardo Minali (Nippo Delko Provence) fechou o pódio da jornada. O pelotão principal cumpriu a etapa em 4h14m46s, à média de 41,520 km/h.

“É difícil controlar a corrida, mas a equipa esteve excelente e levou-me até aos 150 metros finais. Só tive de finalizar o trabalho. Vamos continuar a trabalhar para tentar ganhar nos próximos dias. Na equipa temos três homens muito rápidos, com possibilidade de vencer”, afirmou o primeiro classificado do dia.


A classificação geral individual manteve-se inalterada. Amaro Antunes continua com a Camisola Amarela Jogos Santa Casa no corpo, com menos 13 segundos do que Frederico Figueiredo (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel) e menos 1m13s do que Gustavo César Veloso (W52-FC Porto), que ocupam os lugares imediatos. No alinhamento da geral, os chefes-de-fila da Efapel, Joni Brandão e António Carvalho, foram penalizados em 20 segundos por terem recebido abastecimento irregular na etapa de ontem. Joni Brandão é agora quinto classificado e António Carvalho oitavo.

“Hoje foi um dia de muita cautela. Os nossos homens rápidos fizeram um trabalho soberbo para me protegerem, porque o vento estava terrível. Daqui para a frente, há que ir dia a dia, procurando fugir aos azares. Os adversários vão querer atacar-nos. Nós, coesos e confiantes, jogaremos as nossas cartadas quando assim tiver de ser”, promete Amaro Antunes.

A fuga do dia, iniciada com cerca de metade da etapa, juntou na dianteira Héctor Sáez (Caja Rural-Seguros RGA), Mauro Finetto (Nippo Delko Provence), Anthony Delaplace (Team Arkéa-Samsic), Fábio Costa (Kelly-Simoldes-UDO) e Hugo Sancho (Miranda-Mortágua). Foi uma iniciativa que não interveio nas contas da geral nem sequer das outras classificações. Chegou a ter mais de 3 minutos de vantagem, mas não resistiu à perseguição movida pelas equipas interessadas numa chegada em grupo.


Antes do protagonismo ter sido entregue aos velocistas já um corredor festejara durante a etapa. Hugo Nunes (Rádio Popular-Boavista) conquistou o estatuto de virtual vencedor da Camisola Branca e Vermelha Fidelidade, símbolo de melhor trepador. Luís Gomes (Kelly-Simoldes-UDO) continua em posse da Camisola Vermelha Cofidis, dos pontos, embora sem a garantia matemática de conquista da classificação. Simon Carr (Nippo Delko Provence) enverga mais um dia a Camisola Branca IPDJ, de melhor jovem. Por equipas comanda a W52-FC Porto.

A sexta etapa, neste sábado, celebra o 50.º aniversário da primeira vitória de Joaquim Agostinho na Volta a Portugal. É uma ligação de 155 quilómetros, entre Caldas da Rainha e Torres Vedras. Prevê-se mais uma oportunidade para sprinters, numa jornada em que o vento pode ser aliado das equipas que pretendam surpreender as rivais.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

“O espelho onde Nibali olha”


Por: Gerardo Riquelme

Entre todas as tramas sedutoras do Giro d'Italia, que será lançado amanhã na Sicília, há um superlativo: a tentativa de Vincenzo Nibali de se tornar o mais velho vencedor da camisola rosa. Ele terá 35 anos e 345 dias em 25 de outubro, quando a corrida termina em Milão, longe do recorde de Fiorenzo Magni (1924-2012), que venceu o Giro 1955, seu terceiro, com 34 e 180 dias.

Magni foi o menos reconhecido campeão do ciclismo italiano pós-guerra, ligado ao duelo entre Fausto Coppi e Gino Bartali, cuja rivalidade o regime fascista de Mussolini, com o qual Magni compôs, foi a bandeira. Mas ele também foi um revolucionário deste desporto, pois ele foi o primeiro a trazer um patrocinador de fora do setor, nivea cremes no ano 54.

A Toscana é mais lembrada pela vitória corante no Giro de 1948 e pelo heroico segundo lugar em 1956, atrás de Charly Gaul. O primeiro veio depois de ser ajudado com empurrões de seus companheiros nas rampas dolomitas da antepenúltima etapa, uma armadilha que lhe rendeu para resistir ao ataque de Coppi em geral.

A organização sancionou Magni, que era um alpinista discreto, com dois minutos e o campiníssimo, considerando que a sanção era muito menor, optou por deixar a corrida no dia seguinte. A sua chegada a Milão veio entre vaias. Os entusiastas de Coppi eram legião e em Magni, ele também ponderou que ele havia se juntado às Brigadas de Duce Negra em 1943 na Guerra Civil.

Ele até havia sido julgado em 1945 pela Batalha de Valibona, da qual foi absolvido pela confissão a favor do ciclista Alfredo Martini, que havia lutado no lado partidário. Nibali (EFE)O segundo, no Corsa em que defendeu a vitória de 1955 e que foi sua última edição, ganhou o respeito de todos os torcedores, no final da corrida com a clavícula quebrada e o úmero, por caminhos caídos.

A clavícula esquerda faturou na etapa 12, na descida de Volterra. Os médicos o convidaram-no a sair, mas Magni aproveitou o dia de folga e foi contra o relógio de 45km entre Livorno e Lucca. O braço esquerdo não tinha força para gerar energia com o guiador, e seu mecânico inventou um remédio, com uma câmara de bicicleta cortada, ele criou um sistema para puxar com os dentes, tentei atacar a Gália nos dias seguintes, mas era impossível.

 

Magni, numa entrevista dias depois

Quatro dias depois, o número quebrou, ele perdeu a consciência, já dentro da ambulância, ele pediu para voltar para a corrida. O pelotão esperou por ele e não perdeu tempo. Sem raios-X, ele chegou ao estágio 18, que acabou no Monte Bondone após 242 km.

Em um dos dias mais de mais destaque no ciclismo, com neve e frio terrível, houve 60 abandonos, incluindo o de Pasquale Fornara, que era o líder. O Gaulês ganhou o palco e vestiu de rosa. Magni ficou em terceiro aos 12:15 minutos e ficou às 3:27 na geral "Tentei atacar a Gália nos dias seguintes, mas era impossível", lembrou Magni numa entrevista. No dia seguinte à conclusão do Giro, ele soube que o úmero também havia sido quebrado.

Durou 24 horas, ele cortou o gesso com uma lâmina para treinar. Além disso, o italiano transcendeu por suas três consecutivas Flanders Tours (1949 a 51) - com rodas de madeira e não-alumínio, e por ser o ciclista que liderou o Tour de 1950 quando, na etapa de Aspin, Bartali foi expulso após uma queda de trepadores franceses fartos do domínio italiano, o que motivou que, no final do dia, os dois tempos transalpinos optaram pela retirada.

Fonte: Marca

“Giro: Ruben Guerreiro quer “ganhar uma etapa” na estreia em Itália”


Depois do 17.º lugar final na Volta a Espanha de 2019, então com a Katusha-Alpecin, na sua estreia em grandes Voltas, o ciclista português, de 26 anos, mudou-se para a Education First.

O português Ruben Guerreiro (Education First) assumiu hoje o objetivo de "ganhar uma etapa" na 103.ª edição da Volta a Itália em bicicleta, que arranca no sábado, na sua estreia no Giro.

Depois do 17.º lugar final na Volta a Espanha de 2019, então com a Katusha-Alpecin, na sua estreia em grandes Voltas, Guerreiro, de 26 anos, mudou-se para a Education First, que aposta em oito ‘flechas' apontadas a vitórias em etapas.

"As sensações são boas e tenho alguma liberdade na equipa. Se houver mais disponibilidade física, tentarei aproveitar um pouquinho na geral, mas sem pensar muito nisso", admite à Lusa.

Ainda assim, este foi o plano, no geral, para a Vuelta de 2019, na qual o madeirense, de 26 anos, ficou várias vezes próximo de vencer uma etapa e acabou por terminar nos 20 melhores.

"Essa é a minha forma de correr, e a equipa dá-me liberdade. A condição também é boa e vou tentar vencer uma etapa", reforça.

Além das boas pernas, há algumas oportunidades, sobretudo com "subidas de cinco, 10 ou 15 quilómetros", durante as duas primeiras semanas, que admite enquadrarem-se com as suas capacidades.

"Vou tentar aproveitar antes de chegar a última semana, que é realmente muito difícil", confessa.

Guerreiro esteve nos Mundiais de Imola por Portugal, mas abandonou, e tem como melhor resultado esta época, marcada pela pandemia de covid-19, um 17.º lugar na Volta à Lombardia, que chegou depois de correr o Tirreno-Adriático, conhecida ‘antecâmara' do Giro, no qual foi segundo na sétima etapa.

"No Tirreno, estive a trabalhar para a equipa nos primeiros dias, mas no fim mostrei que estava bem, e corridas como a Lombardia foram um pouco de preparação", comenta.

Pela frente, o grande objetivo para a época, e já o era quando estava inicialmente marcada para maio, num contexto pandémico em que "não vai ser nada como antes", mas no qual espera que as pessoas "respeitem na estrada" e possam "vibrar" pela televisão, por prometer "um grande espetáculo, com muitos bons corredores, além do próprio percurso".

A 103.ª edição da Volta a Itália em bicicleta arranca no sábado, com um contrarrelógio em Palermo, terminando em 25 de outubro em Milão, em novo ‘crono', ao cabo de 21 etapas e um total de 3.497,9 quilómetros.

Além de Ruben Guerreiro, também João Almeida vai marcar presença na prova, ao serviço da belga Deceuninck-Quick Step, compondo o duo de portugueses entre os inscritos.

Fonte: Sapo on-line

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