Por: Letícia Martins
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Este foi o “fim de semana de
abertura” das Clássicas da Primavera, com a Omloop Het Nieuwsblad e a Kuurne -
Brussels – Kuurne. Em França, disputaram-se duas corridas na região de Ardèche,
e em Itália uma prova que agora faz as manchetes dos jornais.
A polémica rebentou após a
meta dos 168 quilómetros do Memorial Polese, ganho por Filippo D’Aiuto, da
General Store – Essegibi – F.lli. O italiano foi desclassificado porque, de
acordo com os regulamentos da UCI, a distância entre as manetes de travão não
cumpria as regras.
60 km a
solo: caiu, continuou e venceu
Filippo D’Aiuto venceu a prova isolado após uma fuga de 60 quilómetros,
mas durante a corrida sofreu um percalço, como explicado num comunicado
publicado pela equipa italiana nas redes sociais.
“O Filippo D’Aiuto iniciou a corrida com a bicicleta corretamente
regulada em todos os seus componentes. A queda que sofreu no setor de gravilha
provocou uma alteração na posição das manetes que, devido ao impacto, ficaram
mais próximas entre si do que o permitido.”
“A equipa toma nota e respeita a decisão do colégio de comissários,
apesar de a criticar veementemente, tendo em conta a excelente prestação de
D’Aiuto, que cortou a meta sozinho após 60 km em solitário”, sublinharam.
Note-se que, desde 2026, as novas regras impõem uma largura mínima total
do guiador de 400 mm e uma distância mínima de 280 mm entre os pontos
interiores das manetes, ou hoods.
D’Aiuto regressou à equipa este ano após uma época na Petrolike em 2025
e mostrou a sua insatisfação numa entrevista ao Ciclismoweb após a corrida. “Eu
venci, não há muito mais a dizer. Caí e, como consequência, as minhas manetes
ficaram viradas para dentro. Tiraram-me a vitória porque as manetes não
cumpriam as regras.”
“É ridículo e os comissários vão parecer ridículos”, continuou D’Aiuto,
explicando que, depois da queda, os oficiais se aproximaram e apontaram para a
bicicleta. “O comissário da corrida disse-me que devia ter parado e trocado de
bicicleta, mas eu só tinha um minuto de vantagem. O que é que podia fazer?
Teria sido impossível”, refletiu o corredor de 23 anos.
A equipa italiana, fundada em 2010, agradeceu o apoio pelas mensagens de
solidariedade e de condenação da decisão dos comissários, e também reconheceu
as equipas dos dois corredores que subiram ao pódio. “Agradecemos à Team Hopplà
e à SC Padovani Polo Cherry Bank pelo gesto de solidariedade durante a
cerimónia do pódio.”
Vencedor
oficial não celebra a vitória
Lorenzo Magli, da Team Hopplà, foi declarado vencedor oficial do dia,
mas recusou subir ao lugar mais alto do pódio durante a cerimónia. “Terminei em
segundo e sinto que terminei em segundo, que o verdadeiro vencedor foi o
Filippo D’Aiuto”, disse Magli. “Ele caiu, pedalou 60 km sozinho, esperou 90
minutos pelas decisões finais e depois tiraram-lhe a vitória. Foi o mínimo que
podia fazer.”
Fica criado um precedente. O incidente ocorreu numa corrida menor, um
evento doméstico em Itália. Mas e se o mesmo acontecer numa Grande Volta? Que
decisões tomarão os comissários se estiver em causa uma Camisola Amarela? A UCI
ditou as regras, veremos para onde conduzem o ciclismo.

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