Por: José Morais
A justiça deu razão à
Federação Portuguesa de Ciclismo e abriu caminho a uma nova etapa na
organização das principais provas do calendário velocipédico nacional. O
Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa rejeitou a providência cautelar
interposta pela Podium Events, que pretendia travar a rescisão do contrato de
concessão da Volta a Portugal e assegurar a organização da edição deste ano.
Na decisão, a juíza considerou
“improcedente o presente procedimento cautelar”, afastando a tentativa da
empresa de suspender os efeitos da cessação contratual. A Podium Events tinha
avançado com a ação a 10 de dezembro, defendendo a continuidade do vínculo que
ligava as duas entidades até 2026 e alegando a necessidade de impedir atos que
considerava ilícitos.
Contudo, a federação já havia
comunicado, um mês antes, o fim antecipado da concessão, justificando a medida
com “incumprimento reiterado das obrigações contratuais e de pagamento”.
Segundo a decisão judicial, acumulavam-se faturas vencidas e não liquidadas,
apesar das sucessivas interpelações. O montante em dívida terá atingido
praticamente o equivalente a uma anuidade, com especial agravamento ao longo de
2025, sem qualquer indício de regularização.
Com o diferendo judicial
resolvido nesta fase, a federação avançou rapidamente para garantir
estabilidade organizativa e anunciou uma nova parceria estratégica com a
empresa espanhola Emesports, liderada pelo antigo ciclista galego Ezequiel
Mosquera.
O acordo prevê não apenas a
organização da 87.ª edição da Volta a Portugal, mas também de outras provas
estruturantes do calendário nacional, como a Volta ao Algarve e a Volta ao
Alentejo, reforçando uma estratégia de internacionalização e profissionalização
do ciclismo português.
A edição de 2026 da Volta a
Portugal já tem datas marcadas e irá para a estrada entre 5 e 16 de agosto, num
momento que se antevê determinante para consolidar um novo ciclo de
credibilidade, rigor financeiro e ambição desportiva. A federação aposta agora
numa gestão mais robusta e numa visão estratégica que pretende devolver à
principal prova do calendário nacional o protagonismo e a estabilidade que
marcaram a sua história.

Sem comentários:
Enviar um comentário