Por: Miguel Marques
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O Paris-Roubaix é uma corrida
onde muitos apenas sobrevivem. Foi o caso de António Morgado, que furou cinco
vezes durante a prova. Ainda assim, conseguiu dar apoio crucial a Tadej Pogacar
e acredita mesmo que o campeão do mundo chegou à pista com um furo na
bicicleta.
“Felizmente, não caí. No fim,
furei cinco vezes. Quatro antes da Trouée d’Arenberg e depois mais uma no
final, por isso foi difícil sequer terminar a corrida”, disse Morgado em
entrevista pós-corrida ao In de Leiderstrui.
O português trabalhou
intensamente nos primeiros setores de empedrado, com a UAE a acelerar desde
cedo para provocar desgaste no pelotão e encolhê-lo. O plano estava bem
encaminhado, até Tadej Pogacar furar e ter de pedalar vários minutos numa
bicicleta neutra.
Morgado esperou pelo líder e
ajudou na perseguição, mas, enquanto o fazia, também furou e, assim, terminou o
seu contributo para o eventual segundo lugar. “Felizmente, consegui trocar de
roda rapidamente duas vezes e também trocar com a minha própria equipa outras
duas”.
“Da última vez que furei, a
Jayco deu-me uma roda, foi simpático da parte deles. Mas sim, esta corrida é…
garantir que chegas ao velódromo. Nem sei se cheguei dentro do controlo de
tempo (chegou a menos de 15 minutos, confortavelmente dentro do limite, em
117º), mas o que importa é que todos estejam bem. Vamos voltar a tentar para o
ano”.
Morgado
sugere furo na bicicleta de Tadej Pogacar
Para a UAE, o que importava
era Tadej Pogacar, mas o plano não se concretizou, repetindo-se o segundo lugar
do ano passado. “Tínhamos um bom plano. Quando saímos dos setores 27 e 26,
tínhamos quatro homens na frente. Furei ali, mas os rapazes fizeram mesmo um
bom trabalho”.
“Não foi propriamente um dia
de sorte para nós. Também ouvi que o Florian [Vermeersch] caiu. A sorte não
esteve do nosso lado, mas devemos estar orgulhosos como equipa. Fizemos tudo
para colocar o Tadej na melhor posição. Segundo outra vez, não é um mau resultado”.
Após a meta, Morgado olhou
para a bicicleta de Tadej Pogacar e deixou uma observação interessante, ainda
por confirmar pelo próprio ou pelo staff da equipa: “Acho que ele teve de
sprintar com um furo. Verificámos a bicicleta e parecia ter o pneu traseiro em
baixo”.
“Estamos mesmo muito
orgulhosos dele, porque também teve de trocar de bicicleta. Quando voltei para
junto dele, voltei a furar. Hoje foi muito duro, mas estou muito, muito
orgulhoso por fazer parte desta equipa. Como disse, vamos certamente voltar”,
concluiu.

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