segunda-feira, 13 de abril de 2026

“Van Aert vence Paris‑Roubaix e presta homenagem comovente a Michael Goolaerts: “Ganhei por ele”


Por: José Morais

A ParisRoubaix de 2026 ficará marcada não apenas pela intensidade da corrida, mas pela carga emocional que acompanhou Wout van Aert até ao velódromo. O belga, de 31 anos, conquistou finalmente a clássica que sempre sonhou vencer e fê-lo com uma dedicatória que tocou o mundo do ciclismo.

O triunfo, arrancado num duelo feroz com o campeão do mundo Tadej Pogacar, teve um destinatário muito claro: Michael Goolaerts, colega de equipa que perdeu a vida durante a edição de 2018, aos 23 anos, após sofrer uma paragem cardiorrespiratória provocada por uma queda.

“Isto significa tudo para mim. Sonho com este momento desde 2018. Nesse dia perdi um companheiro, o Michael, e prometi a mim mesmo que um dia ganharia aqui para apontar ao céu por ele”, afirmou Van Aert, visivelmente emocionado, logo após cortar a meta.

 

Uma vitória construída na persistência

 

A relação de Van Aert com a ParisRoubaix nunca foi simples. Quedas, azares mecânicos e lesões sucessivas adiaram durante anos o sonho de levantar o troféu de pedra. O belga não escondeu que, por várias vezes, pensou em desistir da ambição.

“A sorte nunca esteve do meu lado nesta corrida. Hoje também não esteve, mas recusei-me a desistir. Muitas vezes deixei de acreditar, mas no dia seguinte voltava a levantar-me e a tentar outra vez”, confessou.

A chegada ao velódromo, lado a lado com Pogacar, foi o culminar de um plano que Van Aert diz ter ensaiado “milhares de vezes” na preparação. “Sabia que, se chegasse aqui, tinha uma hipótese real. Executei o sprint exatamente como o tinha imaginado”, explicou.

 

Pogacar empurrou-o ao limite

 

O esloveno, campeão do mundo, foi o grande rival do dia e obrigou Van Aert a ir “ao inferno e voltar”, como o próprio descreveu. “Ele é um campeão enorme. Tornou a corrida duríssima, mas isso tornou a vitória ainda mais especial”, sublinhou.

 

Uma homenagem que transcende o desporto

 

Ao dedicar a vitória a Michael Goolaerts, Van Aert reabriu uma ferida que o pelotão nunca esqueceu. A morte do jovem belga, em 2018, marcou profundamente a comunidade ciclística e, em particular, os corredores da então equipa Vérandas Willems–Crelan.

“Esta vitória é para o Michael, para a família dele, para os amigos e para todos os que correram ao lado dele”, declarou.

A imagem de Van Aert a apontar para o céu, logo após cruzar a meta, tornou-se imediatamente simbólica um gesto que uniu memória, dor e redenção desportiva.

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