Por: José Morais
A Paris‑Roubaix de 2026 ficará marcada
não apenas pela intensidade da corrida, mas pela carga emocional que acompanhou
Wout van Aert até ao velódromo. O belga, de 31 anos, conquistou finalmente a
clássica que sempre sonhou vencer e fê-lo com uma dedicatória que tocou o mundo
do ciclismo.
O triunfo, arrancado num duelo
feroz com o campeão do mundo Tadej Pogacar, teve um destinatário muito claro:
Michael Goolaerts, colega de equipa que perdeu a vida durante a edição de 2018,
aos 23 anos, após sofrer uma paragem cardiorrespiratória provocada por uma
queda.
“Isto significa tudo para mim.
Sonho com este momento desde 2018. Nesse dia perdi um companheiro, o Michael, e
prometi a mim mesmo que um dia ganharia aqui para apontar ao céu por ele”,
afirmou Van Aert, visivelmente emocionado, logo após cortar a meta.
Uma
vitória construída na persistência
A relação de Van Aert com a
Paris‑Roubaix nunca foi simples.
Quedas, azares mecânicos e lesões sucessivas adiaram durante anos o sonho de
levantar o troféu de pedra. O belga não escondeu que, por várias vezes, pensou
em desistir da ambição.
“A sorte nunca esteve do meu
lado nesta corrida. Hoje também não esteve, mas recusei-me a desistir. Muitas
vezes deixei de acreditar, mas no dia seguinte voltava a levantar-me e a tentar
outra vez”, confessou.
A chegada ao velódromo, lado a
lado com Pogacar, foi o culminar de um plano que Van Aert diz ter ensaiado
“milhares de vezes” na preparação. “Sabia que, se chegasse aqui, tinha uma
hipótese real. Executei o sprint exatamente como o tinha imaginado”, explicou.
Pogacar
empurrou-o ao limite
O esloveno, campeão do mundo,
foi o grande rival do dia e obrigou Van Aert a ir “ao inferno e voltar”, como o
próprio descreveu. “Ele é um campeão enorme. Tornou a corrida duríssima, mas
isso tornou a vitória ainda mais especial”, sublinhou.
Uma
homenagem que transcende o desporto
Ao dedicar a vitória a Michael
Goolaerts, Van Aert reabriu uma ferida que o pelotão nunca esqueceu. A morte do
jovem belga, em 2018, marcou profundamente a comunidade ciclística e, em
particular, os corredores da então equipa Vérandas Willems–Crelan.
“Esta vitória é para o
Michael, para a família dele, para os amigos e para todos os que correram ao
lado dele”, declarou.
A imagem de Van Aert a apontar
para o céu, logo após cruzar a meta, tornou-se imediatamente simbólica um gesto
que uniu memória, dor e redenção desportiva.

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