Por: José Morais
O cicloturismo português
atravessa um período de evidente retração. Os calendários oficiais, outrora
preenchidos de norte a sul do país, apresentam-se hoje quase vazios. Na
Federação Portuguesa de Ciclismo, a oferta é escassa e pouco divulgada; na
Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta, o cenário não
é muito diferente, com pouco mais de uma dezena de eventos alguns já adiados.
Neste contexto de perda
gradual, revisitamos dois passeios emblemáticos que marcaram os tempos áureos
da modalidade. São memórias que resistem ao tempo e que recordam o vigor de
grupos que, entretanto, desapareceram, como tantos outros.
O primeiro é o passeio do
grupo “Sol Nascente”, de Oeiras, descrito num artigo publicado em
2005 na Revista Super Ciclismo. Se ainda estivesse ativo, o evento teria hoje
chegado à sua 32.ª edição, não fosse a interrupção provocada pela pandemia.
Realizado tradicionalmente em julho, integrava um mês repleto de iniciativas,
num calendário que refletia a vitalidade do cicloturismo nacional.
O segundo é o passeio dos “Amigos
do Pedal”, do Tojalinho, em Loures. Um grupo acarinhado pela comunidade, que
organizava um dos eventos mais antigos do calendário, realizado em agosto. Caso
tivesse sobrevivido até aos dias de hoje, estaria a celebrar a 38.ª edição. Tal
como o Sol Nascente, também este grupo ficou pelo caminho, deixando apenas
lembranças de um tempo em que a modalidade mobilizava centenas de
participantes.
Para muitos cicloturistas,
estas memórias são mais do que nostalgia: são um espelho do que o cicloturismo
já foi, do que é atualmente e do que poderá vir a ser em 2027. A reflexão
impõe-se e, infelizmente, as expectativas parecem mais negativas do que positivas.
Até lá, fica o convite para
recordar e, quem sabe, repensar o futuro da modalidade.
Votos de boas pedaladas.

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