Por: Miguel Marques
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O primeiro bloco de corrida da
Volta a Itália 2026 terminou no Corno alle Scale e nada muda. Pelo menos para o
prodígio português Afonso Eulálio. O jovem de 24 anos sobreviveu aos primeiros
testes de montanha de camisola rosa, mantendo uma margem sólida de dois minutos
sobre Jonas Vingegaard, que continua a reduzir, dia após dia, a vantagem de
Eulálio. Mas o primeiro verdadeiro dia de descanso deste Giro pertence a
Eulálio.
“Antes de mais, é perfeito
chegar ao dia de descanso com a camisola rosa”, sublinhou Eulálio,
entusiasmado, numa entrevista na meta. “Era um dos objetivos da equipa e
lutámos todos por isto”.
Longe de esperar por um golpe
final, Eulálio não se esconde no fundo do pelotão durante as etapas, exibindo a
rosa dia após dia. E no topo de hoje, ainda enfrentou alguns dos sérios
candidatos à geral para chegar em quinto, a 41 segundos de Vingegaard. “Sobre
hoje, este top cinco é uma loucura. Lutei com o grupo dos favoritos, com os
homens da geral, e é surreal… Ainda me estou a habituar”.
“Toda a equipa me ajuda
sempre. Todos fazem o seu trabalho na perfeição, todo o staff, todos os
corredores. No final, o Damiano foi incrível. Esteve a proteger-me… é o Damiano
Caruso. Na minha primeira corrida profissional de sempre [Circuito de Getxo em
2020], o Damiano venceu… e agora tenho o Damiano a ajudar-me. Nem tenho
palavras”.
Hora de
reabastecer
Eulálio leva cinco dias de
camisola rosa, mas após o dia de descanso, espera-o um verdadeiro teste às suas
capacidades e à sua fortaleza mental com um contrarrelógio de 42 quilómetros.
Como se adivinha, o “crono” não é a disciplina preferida do trepador português.
A expetativa é que o atual segundo classificado, Jonas Vingegaard, anule os
2:24 para Eulálio no exercício individual, mas ainda há muito em jogo para o
jovem líder da Bahrain - Victorious.
Embora esta já seja a segunda
participação de Eulálio numa Grande Volta, a experiência é muito diferente da
do Giro do ano passado, quando o português correu maioritariamente fora dos
holofotes, explica:
“Vivemos todos os dias sob
pressão total. Acabamos a etapa, depois temos todas as entrevistas, a viagem
para o hotel, o jantar muito tarde… depois acordamos, abrimos as malas,
voltamos a fechá-las. Por isso, primeiro é aproveitar o dia de descanso e levar
tudo com muita calma. Vamos tentar encontrar um bom café e, depois, vamos ver o
percurso com a equipa e dar tudo no contrarrelógio. Não é a minha melhor
disciplina, mas temos de lutar.”
O que há
para lá da camisola rosa
Embora os seus dias de rosa
pareçam estar a chegar ao fim, Eulálio terá muitas outras oportunidades para
deixar marca neste Giro, com várias etapas de alta montanha na segunda e
terceira semanas desta edição. Há alguma etapa em particular que desperte o interesse
de Eulálio?
“Duas semanas ainda vão ser
muito longas. Há dias que já parecem longos, e noutros podes perder dez
minutos. Temos é de ir dia a dia.”

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