Por: Miguel Marques
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A Volta a França de 2026 vai
atravessar o Ballon d’Alsace dentro de menos de dois meses, e os preparativos
da etapa desencadearam uma acesa disputa ambiental. A remoção de mais de mil
árvores na zona motivou uma reação imediata de grupos ambientalistas, que
denunciam uma intervenção excessiva em nome do espetáculo desportivo.
Quatro associações da Alsácia
vieram a público, defendendo que as obras foram muito além do razoável. Com uma
mensagem clara - garantir a segurança sem devastar a paisagem -, os grupos
afirmam que a operação infligiu danos desnecessários no ecossistema local.
Não é uma situação inédita no
ciclismo, que frequentemente leva pelotão, caravana e adeptos à alta montanha e
a zonas isoladas, por vezes fortemente protegidas. No outono passado, a chegada
em alto na Bola del Mundo esteve em risco nos quilómetros finais. Acabou por
disputar-se, mas sem público no último e íngreme setor da subida.
Entre as organizações críticas
estão a Alsace Nature, a LPO Alsace, a Gepma e a Bufo. Todas concordam que a
corrida para preparar a estrada antes da Volta não justifica a dimensão do
abate.
Num comunicado conjunto,
questionam tanto o calendário como o modo de execução das obras, sugerindo que
a agenda da corrida se sobrepôs à proteção do meio natural.
Resposta
institucional: segurança e planeamento prévio
As autoridades, porém,
apresentam uma versão muito diferente. O Departamento do Haut-Rhin sustenta que
a intervenção responde a uma necessidade real: adaptar a via ao pico de tráfego
que a corrida irá gerar.
Segundo números oficiais,
foram abatidas 1071 árvores ao longo de cerca de 4,5 quilómetros. Insiste-se
que a operação não está apenas ligada ao evento, mas a critérios de segurança
rodoviária.
Um
projeto antigo com execução acelerada
A responsável regional do
Office National des Forêts, Stéphanie Rauscent, sublinhou que o projeto não é
novo. Explicou tratar-se de um plano concebido há cerca de uma década, agora
executado a um ritmo mais rápido devido à proximidade da Volta a França.
Defende ainda que muitas das
árvores removidas estavam em mau estado ou em degradação, tornando o abate
necessário tanto por razões de segurança como de gestão florestal.
O caso reabre o debate sobre o
impacto dos grandes eventos desportivos no meio natural. Enquanto o Tour
procura garantir segurança e um espetáculo de alto nível, as associações
alertam para o risco de se priorizar a visibilidade mediática em detrimento da
conservação.
Com a etapa a aproximar-se, a
tensão continua a subir no Ballon d’Alsace, agora símbolo de um conflito mais
amplo entre desporto, território e sustentabilidade.

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