Por: Miguel Marques
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As clássicas do empedrado
arrancaram oficialmente, mas sem um dos protagonistas de 2025: Mads Pedersen. O
corredor da Lidl-Trek recupera das lesões sofridas numa queda a alta velocidade
na Volta à Comunidade Valenciana, que não só comprometeu a sua campanha da
primavera, como também a vida em casa.
“Íamos a 70, 75 quilómetros
por hora. Numa ligeira curva à esquerda, alguns tocaram-se e seguiram em
frente. Eu não tinha escolha e tive de ir pelo talude”, disse Pedersen no
podcast da Lidl-Trek. “Vi muitos arbustos e esperei por uma aterragem suave, mas
caí cerca de um metro em cima das pedras”.
O resultado foi um pulso
fraturado e uma clavícula fraturada. Longe das câmaras de TV, o dinamarquês
abandonou a corrida e iniciou a sua época de 2026 da pior forma. “Depois pensas
‘fogo, se parti as costas…’ Não estás a pensar em voltar à bicicleta, estás a
pensar quão grave pode ser”. O diagnóstico apontou para várias semanas sem
pedalar e um prazo incerto para regressar à competição.
No seu humor habitual,
Pedersen destacou um problema improvável decorrente das fraturas: “Não
conseguia limpar o rabo, pá. Parti o pulso esquerdo e tinha o braço engessado
até acima do cotovelo. E a clavícula direita estava partida, por isso tinha o
braço ao peito”, explicou. “Estive cinco dias sem conseguir fazer cocó. Quando
aconteceu, foi um parto difícil”.
Regresso
aos treinos
Desde então, o dinamarquês já
voltou aos treinos na estrada, semanas antes do previsto, uma excelente notícia
para a equipa alemã. Ainda assim, Pedersen mantém a cautela quanto ao que pode
fazer e ainda não cumpre as horas ideais na estrada: “Eles passam seis horas
por dia juntos na bicicleta, eu faço um pouco menos”. Quer, porém, voltar a
competir dentro do próximo mês. “Se não acreditássemos nisso, eu não me andava
a matar no rolo em casa”.
Faltam cinco semanas para a
Volta à Flandres, margem que ainda permite evoluir. O dinamarquês está
atualmente em Maiorca a treinar com vários colegas, mas não é claro quando
poderá regressar à competição, nem se provas duras e trepidantes como a
Flandres e, sobretudo, Paris-Roubaix são viáveis logo após uma fratura no
pulso.
“Por isso é que não devemos
entusiasmar-nos demasiado. Estamos a esticar os limites do possível”, avisa.
“Não sabemos como o meu corpo vai reagir. Se fizer as clássicas, serão as
minhas primeiras corridas. Sem ritmo competitivo antes, é uma grande incógnita
como estarão as minhas pernas”.

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