sexta-feira, 7 de agosto de 2026

“Tour de France Feminino: Mont Ventoux vira palco de virada épica: Niewiadoma arrasa na subida e toma a amarela"


Por: José Morais

A sétima etapa do Tour de France Feminino transformou o Mont Ventoux no centro de uma reviravolta monumental. Kasia Niewiadoma, da Canyon–SRAM, lançou um ataque feroz ainda a 10 km do topo e, completamente isolada, cruzou a icónica paisagem lunar com 1min16s de vantagem, assumindo a liderança geral e deixando Marlen Reusser (Movistar) sem resposta.

 

A escalada que decidiu tudo

 

O dia, com 146,8 km entre La Voulte-sur-Rhône e o gigante da Provença, prometia explosões e cumpriu. As equipas dos nomes fortes controlaram as fugas e chegaram compactas ao início da subida final. A Movistar puxou o ritmo para proteger Reusser, mas a suíça rapidamente ficou sem apoio. Pauline Ferrand-Prévot, campeã em 2025, foi uma das primeiras a ceder, sinal de que 2026 não lhe sorri da mesma forma.

Com o grupo reduzido às favoritas, Demi Vollering (FDJ–Suez) tentou impor a sua lei com um ataque a 11 km do topo. Niewiadoma e Reusser responderam, mas a polonesa não esperou: acelerou novamente um quilómetro depois e abriu um fosso que nunca mais seria fechado.

 

Falta de colaboração e consequências

 

Reusser e Vollering, marcando-se mutuamente, hesitaram em trabalhar juntas e Niewiadoma aproveitou. A vantagem cresceu de forma constante, transformando a etapa numa demonstração de força e estratégia.

Nos metros finais, Vollering ainda deixou Reusser para trás, mas a suíça acabou ultrapassada por Elisa Longo Borghini (EAU), que veio de trás para garantir o terceiro lugar da etapa.

A espanhola Paula Blasi fez uma subida sólida e terminou em quinto, a 1min48s da vencedora.

 

Classificação geral após a etapa

 

1. Kasia Niewiadoma líder

2. Demi Vollering +15s

3. Marlen Reusser +29s

4. Elisa Longo Borghini +2min59s

7. Paula Blasi +4min32s

 

Perfil da etapa rainha

 

Quatro subidas categorizadas antes do Ventoux aqueceram as pernas:

Grande Limite 6,6 km a 5%

Colombier 3,2 km a 6,4%

Suzette 3,9 km a 6,4%

Mont Ventoux 15,7 km a 8,8%

O cenário estava montado para uma decisão explosiva e foi exatamente isso que aconteceu.

 

O que vem pela frente

 

A oitava etapa, entre Sisteron e Nice (171,9 km), promete ser menos brutal, mas longe de tranquila. A segunda metade é rápida, com pequenas subidas que podem provocar cortes inesperados antes do decisivo domingo.

“Matthew Brennan dispara para nova vitória em Briviesca e Gall segura a liderança, Afonso Eulálio perdeu mais de 26 minutos, e Iúri Leitão, da Caja Rural, mais uns segundos”


Por: José Morais

Matthew Brennan voltou a impor a sua velocidade irresistível na Volta a Burgos. O britânico da Visma–Lease a Bike conquistou esta sextafeira a quarta etapa, repetindo o triunfo em sprint e reforçando a sensação de que é, neste momento, o homem mais rápido do pelotão. Felix Gall manteve a liderança geral, enquanto os portugueses Afonso Eulálio e Iúri Leitão viveram um dia difícil, cedendo largos minutos.

 

Etapa marcada por fuga longa e combativa

 

Logo no primeiro quilómetro surgiu a fuga do dia: Josh Burnett (Burgos BH) e os ciclistas da Caja Rural Javier Ibáñez e Nil Aguilera abriram quase cinco minutos de vantagem, suficiente para liderarem grande parte do percurso entre Palazuelos de Muñó e Briviesca.

Ibáñez destacouse nas contagens de montanha, passando em primeiro no Alto de Coculina e no Alto de La Varga, enquanto Aguilera acabou absorvido pelo pelotão. A 29 km da meta, Ibáñez ficou sozinho na frente, mas a resistência terminou 17 km depois, já com o pelotão lançado para um sprint inevitável. A sua entrega valeulhe o prémio de combatividade.

 

Sprint explosivo decide a etapa

 

Nos quilómetros finais, Visma e Red BullBORAhansgrohe controlaram o ritmo para preparar a chegada. A 600 metros da meta, David González tentou surpreender pela direita, seguido por Laurence Pithie, mas Brennan surgiu pela esquerda com uma aceleração fulminante que deixou todos sem resposta.

1.º Matthew Brennan

2.º Laurence Pithie

3.º David González

Tudo em aberto para a decisão nas Lagunas de Neila

 

A classificação geral permanece nas mãos de Felix Gall, que defenderá a camisola roxa na etapa de sábado: 137 km entre Caleruega e as míticas Lagunas de Neila, onde a alta montanha decidirá o vencedor da edição de 2026.

 

Dia duro para os portugueses

 

Os portugueses tiveram uma jornada para esquecer:

Afonso Eulálio (Bahrain Victorious) terminou em 149.º, a 26m15s.

Iúri Leitão (Caja Rural) foi 151.º, a 26m48s.

Na geral, Eulálio caiu para 146.º, a 27m08s, enquanto Leitão desceu para 151.º, a 33m30s.

“João Almeida em queda livre: acidente obriga a abandono no Tour da Polónia e lança dúvidas sobre papel crucial na Volta Espanha”


Por: José Morais

João Almeida vive um dos períodos mais difíceis da carreira. O português da UAE Team Emirates, apontado como favorito ao triunfo no Tour da Polónia prova que venceu em 2021 abandonou a corrida após uma queda violenta na quarta etapa, comprometendo a preparação para a Volta a Espanha, onde estava previsto ser o principal apoio de Tadej Pogacar nas etapas de montanha.

 

Caos na montanha e uma queda que mudou tudo

 

Entre 30 e 40 ciclistas foram ao chão numa descida rápida e molhada entre Zagan e Karpacz, obrigando à neutralização da etapa durante 40 minutos. A UAE perdeu três homens de uma só vez: Benoît Cosnefroy, Juan Sebastián Molano e o próprio Almeida, todos envolvidos no incidente.

Apesar de continuar em prova, visivelmente ferido com um grande arranhão na perna esquerda e o equipamento rasgado João Almeida terminou 16 minutos atrás do vencedor Bart Lemmen. No dia seguinte, a equipa confirmou o abandono imediato do português.

 

Uma temporada para esquecer

 

Depois de um 2025 brilhante, com vitórias nas gerais da Romandia, Suíça e Itzulia, além do pódio na Vuelta e da vitória sobre Vingegaard na Angliru, 2026 tem sido um pesadelo para Almeida.

Volta à Comunidade Valenciana e Volta ao Algarve: início aceitável.

Uma doença prolongada tirou-o de Paris–Nice.

Regressou na Volta a Catalunha, mas sem capacidade para lutar pelas primeiras posições.

Um vírus afastou-o do Giro d’Itália, o grande objetivo da época.

No Tour Auvergne-Rhône-Alpes, voltou a mostrar que ainda não recuperou o nível habitual.

O regresso ao Tour de França foi descartado.

A queda na Polónia surge como mais um golpe numa temporada marcada por problemas físicos e falta de ritmo competitivo.

 

“O asfalto era gelo”: Almeida descreve o acidente

 

Em declarações ao site Naszosie.pl, o português explicou:

“Não foi um bom dia. Tenho dores no joelho e no tornozelo, mas acho que vou ficar bem. Evitei fraturas.”

E sobre as condições da descida:

“O asfalto era praticamente gelo. Estava super escorregadio, impossível fazer qualquer coisa.”

A UAE confirmou que não há fraturas e que os três ciclistas regressam a casa para recuperar.

 

E agora, a Volta Espanha?

 

Os planos iniciais passavam por usar a Vuelta a Burgos como preparação para a Volta a Espanha, mas a equipa optou por levá-lo ao Tour da Polónia decisão cuja lógica permanece pouco clara.

A presença de João Almeida na Vuelta não está descartada, mas a queda e o abandono levantam dúvidas sobre a sua capacidade de desempenhar o papel de ajuda de luxo para Tadej Pogacar nas etapas decisivas.

Ficha Técnica

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