Por: Miguel Marques
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Adrián Quintela Pacho tem um
nome que denuncia raízes além-fronteiras, mas o percurso que está a construir
no ciclismo faz-se com ambição bem definida e com Portugal sempre presente.
Filho de mãe espanhola, nasceu em Andorra, mas cresceu em Braga, cidade onde
também criou laços. Tem apenas 19 anos, começou tarde no ciclismo competitivo,
mas já soma resultados que mostram que o caminho escolhido pode levá-lo longe.
Antes de se dedicar às
bicicletas, foi o futebol que ocupou grande parte do seu tempo. A pandemia
acabou por afastá-lo do desporto durante algum tempo e só aos 17 anos decidiu
experimentar o ciclismo de forma mais séria. A aposta revelou-se acertada. Em pouco
tempo destacou-se com a camisola do CC Barcelos, chegando mesmo ao título de
vice-campeão nacional de juniores e conquistando a oportunidade de representar
Portugal num Campeonato da Europa.
Desde a temporada passada,
integra a equipa galega Supermercados Froiz, um passo que considera
determinante para a evolução enquanto corredor. A decisão de atravessar a
fronteira não foi por acaso, foi pensada desde cedo como parte do seu plano.
"Sempre quis sair de Portugal, era o meu objetivo desde que entrei no
ciclismo", conta ao Jornal O Jogo.
Para o jovem corredor, a
transição do escalão júnior para sub-23 continua a ser um dos maiores desafios
para quem quer fazer carreira. A falta de competições específicas em Portugal
pesa nas decisões dos atletas que procuram evoluir. "Para se conseguir uma
boa adaptação de júnior para sub-23 temos de sair de Portugal. Cá é um salto
muito grande, depois de juniores vamos diretamente competir com profissionais.
É um problema que temos, poucas corridas do escalão sub-23", explica
Pacho.
A escolha pela formação galega
acabou por reunir vários fatores positivos: proximidade geográfica, qualidade
competitiva e um calendário que permite ganhar experiência em diferentes
contextos. "Muito contente por estar numa equipa que é perto de casa, tem
um nível alto para o escalão e permite, além de ter algumas corridas em
Portugal frente aos profissionais, fazer o calendário espanhol de sub-23",
acrescenta.
No plano desportivo, Adrián
olha para alguns exemplos dentro do pelotão como referências importantes para o
seu crescimento. Um dos nomes que mais o inspira é o poveiro Lucas Lopes,
atualmente a representar a Efapel Cycling, de José Azevedo, cuja trajetória
acompanha com atenção. "Uma inspiração, porque esteve numa equipa
profissional, deu um passo atrás para correr pelos Supermercados Froiz, está
agora na Efapel e já tem valor para uma equipa estrangeira de topo",
destaca.
Dentro da estrada, define-se
de forma simples, mas com margem para evoluir. Ainda em fase de crescimento
físico e competitivo, sabe que o seu perfil pode ganhar novas características
com o passar dos anos. "Sou um trepador. Mas sou jovem e ainda posso mudar
muito", assume.
Nesta fase da carreira, os
objetivos passam por ganhar experiência e afirmar-se gradualmente no pelotão
sub-23. A próxima meta já está bem identificada: destacar-se na Volta a
Portugal do Futuro, uma corrida que encara como oportunidade para mostrar o que
vale. Já no GP O Jogo, competição que decorre por estes dias, o foco está
sobretudo em aprender e ganhar ritmo competitivo, sem pressão excessiva por
resultados imediatos.
Apesar da juventude, as
ambições estão bem definidas e não escondem a dimensão do sonho que alimenta
desde que decidiu apostar no ciclismo. "O meu sonho é chegar ao World
Tour, ou a uma equipa Pro Continental. Poder fazer uma Grande Volta é outro sonho
e neste momento corro com esse objetivo. Não estou a pensar vir para uma equipa
portuguesa. Temos de pensar e acreditar em grande para podermos alcançar os
objetivos", afirma.

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