terça-feira, 13 de janeiro de 2026

“Este não é o adeus que Eli Iserbyt merece” Antigo campeão do mundo levanta dúvidas sobre a cirurgia à artéria femoral”


Por: Ivan Silva

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

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Para Bart Wellens, a notícia de que Eli Iserbyt nunca mais voltará a competir em ciclocrosse soou a mais do que um anúncio de retirada. Soou errado. Demasiado súbito. Demasiado inacabado.

No seu Crossprofessor, no Het Nieuwsblad, o antigo campeão do mundo deixou claro que o que mais dói não é apenas a saída de Iserbyt, mas a forma como foi empurrado para fora. “Este não é o adeus que o Eli merece”, escreveu Wellens após a notícia de que Iserbyt nunca mais voltará a competir. “É horrível ter de se despedir da sua paixão desta forma.”

Para um corredor que moldou corridas, épocas e rivalidades durante anos, sair em silêncio por uma porta médica parece, aos olhos de Wellens, profundamente injusto. “Vamos sentir a sua falta, o Michael Vanthourenhout vai sentir a falta do companheiro. O Eli foi sempre um corredor que marcava a corrida, alguém que dava pimenta e fogo ao ciclocrosse.”

É assim que Iserbyt será lembrado dentro da modalidade. Não só como vencedor, mas como presença constante na frente, alguém que obrigava os outros a reagir, perseguir e adaptar-se. Lama, areia, frio cortante ou calor de verão, lá estava ele, semana após semana, a marcar o ritmo do inverno.

 

Um campeão forçado a parar

 

A carreira de Iserbyt construiu-se na consistência e agressividade. Das camadas jovens ao escalão elite, tornou-se um dos nomes definidores da sua geração, somando vitórias de peso na Taça do Mundo, em provas nacionais e campeonatos. Não era uma estrela intermitente que brilhou uma vez e desvaneceu. Era uma constante. Isso torna o fim ainda mais difícil de aceitar.

traumática única, mas um processo longo e desgastante relacionado com a artéria femoral, o principal vaso que irriga a perna. Fluxo sanguíneo reduzido, dor sob esforço e perda de potência tornaram, pouco a pouco, impossível competir. Seguiu-se a cirurgia, mas o alívio nunca foi pleno.

Wellens liga o caso de Iserbyt a uma tendência preocupante. “Depois da Laura Verdonschot, o Eli é já o segundo corredor que perdemos esta época após uma operação à artéria femoral. E isso faz-me levantar questões.”

Para Wellens, o problema não é apenas o aumento de lesões, mas a frequência com que uma cirurgia específica aparece. “Esse procedimento estará mesmo perfeito? Tornou-se um pouco uma moda. Na verdade, não quero dizer muito porque também não sei tudo sobre o assunto.”

O que sabe é que Iserbyt já sofria muito antes da decisão final. “O que sei é que na época passada o Eli já andava com dores, mas os resultados dele não eram assim tão maus.”

Essa frase é reveladora. Iserbyt não se estava a apagar lentamente. Mesmo a sofrer, continuava competitivo, relevante, dentro da história. O fim não chegou porque o nível baixou. Chegou porque o corpo já não podia suportar, com segurança, o que a cabeça ainda queria fazer.

 

Um adeus que nunca aconteceu

 

Na maioria das carreiras, há uma última época, uma volta de despedida, um último aplauso. Iserbyt não teve isso. Não houve tournée de despedida pelos traçados lamacentos, nem oportunidade para os adeptos perceberem que o viam pela última vez. Em vez disso, houve um veredicto médico, uma porta fechada e silêncio onde antes havia ruído.

É por isso que as palavras de Wellens cortam tão fundo. Não se trata de medalhas ou números. É uma questão de dignidade.

Para um corredor que deu tanto de si ao ciclismo, que definiu corridas e rivalidades durante anos, ser forçado a parar por uma artéria que não sarou é brutalmente injusto. O adeus nunca aconteceu. E, para muitos no ciclocrosse, é isso que mais dói.

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