quinta-feira, 30 de outubro de 2025

“Novembro é mês de ciclocrosse no Eurosport e Hbo Max”


Provas de ciclocrosse prometem muitas horas de ação e entretenimento aos fãs

 

Por: Vasco Simões

Foto: Getty Images

O ciclocrosse está de volta às grandes transmissões e novembro será um mês de pura adrenalina no Eurosport e na HBO Max. As pistas mais exigentes da Europa voltam a encher-se de lama, chuva e espetáculo, com os melhores especialistas do mundo a lutarem pela glória em algumas das competições mais prestigiadas do calendário internacional — da Taça do Mundo e dos Campeonatos da Europa às históricas séries X2O Badkamers Trofee e Superprestige.

O calendário de provas promete emoção a cada curva e a cada sprint. Logo no primeiro dia do mês, aproveite o feriado e siga em direto o arranque do X2O Badkamers Trofee, uma série de oito corridas disputadas exclusivamente na Bélgica e que se prolonga até fevereiro de 2026. O mítico Koppenbergcross, em Oudenaarde, será o primeiro teste para homens e mulheres nesta importante competição. A série regressa depois à ação em Lokeren (2 de novembro) e Hamme (16 de novembro).

Nos dias 8 e 9 de novembro, Middelkerke, na Bélgica, recebe os Campeonatos da Europa, uma das provas mais prestigiadas da temporada e um momento-chave para medir forças antes do arranque da Taça do Mundo. É esperada presença portuguesa na competição, depois de, na época passada, a seleção se ter apresentado com nove atletas.

Após o arranque da Superprestige de Ciclocrosse, em outubro, chega a 3.ª etapa do calendário, a 11 de novembro, em Niel, na Bélgica, uma corrida onde a lama e a técnica prometem espetáculo. Quatro dias mais tarde, a 15 de novembro, Merksplas – Aardbeiencross recebe mais uma jornada desta série lendária, com as provas masculina e feminina transmitidas em direto no Eurosport e em streaming na HBO Max.

A Taça do Mundo arranca a 23 de novembro, em Tabor, na Chéquia, naquela que é a primeira de 12 etapas que ditarão o ritmo competitivo até ao início de 2026. Michael Vanthourenhout, atual campeão da Taça do Mundo, parte como favorito, enfrentando adversários de peso como Eli Iserbyt, Toon Aerts e o jovem Thibau Nys. No setor feminino, o duelo entre Lucinda Brand e Fem van Empel promete ser um dos grandes atrativos, com Ceylin del Carmen Alvaradoe Zoe Bäckstedt a surgirem como fortes ameaças ao domínio das favoritas.

Novembro marca o regresso do ciclismo à sua essência mais crua, sem filtros onde cada segundo conta, e o público vive intensamente cada queda, cada ultrapassagem e cada triunfo. Com cobertura total, o Eurosport e a HBO Max voltam a ser o destino obrigatório para quem quer sentir o verdadeiro espírito do ciclocrosse!

 

CALENDÁRIO DE PROVAS – novembro

 

X2O Badkamers Trofee

 

• 1 de novembro – Oudenaarde, Bélgica

• 2 de novembro – Lokeren, Bélgica

• 16 de novembro – Hamme, Bélgica

 

Ciclocrosse Superprestige

 

• 11 de novembro – Niel, Bélgica

• 15 de novembro – Merksplas, Bélgica

 

Taça do Mundo de Ciclocrosse

 

• 23 de novembro – Tabor, Chéquia

• 30 de novembro – Flamanville, França

 

Campeonatos da Europa de Ciclocrosse

 

• 8 e 9 de novembro – Middelkerke, Bélgica

Fonte: Eurosport

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

"É extremamente perigoso, já ninguém trava" Vestiu durante 14 anos a camisola da Sky-INEOS e diz adeus ao ciclismo”


Por: Carlos Silva

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

Depois de 14 épocas no coração de uma das dinastias mais dominantes da era moderna, Salvatore Puccio pendurou a bicicleta. O siciliano de 35 anos põe um ponto final na sua carreira após uma vida inteira ao serviço da Team Sky e mais tarde, da INEOS Grenadiers - admitindo que o ciclismo que agora deixa para trás, sofreu muitas alterações, quando comparado com o que encontrou em 2011.

Em entrevista ao TuttoBiciWeb, Puccio refletiu sobre um pelotão que considera mais rápido, mais tenso e mais perigoso do que nunca.

“É extremamente perigoso e desgastante. Já quase ninguém trava. Se abrandamos por um instante, perdemos quarenta posições e para podermos recuperá-las é brutal”, disse Puccio. “Se deixamos um espaço aberto, há alguém que entra logo. Não é uma questão de mudanças, é mental. Os acidentes que se veem na televisão são apenas um por cento do que realmente acontece dentro do pelotão.”

 

“O ciclismo mudou muito”

 

A decisão de abandonar surgiu no final de uma temporada atribulada, marcada por lesões e por uma reflexão pessoal. Puccio fraturou o pulso antes da Volta aos Alpes, o que o afastou da Volta a Itália, a corrida onde viveu o ponto alto da sua carreira: vestiu a Camisola Rosa em 2013, após a vitória da Sky no contrarrelógio por equipas.

De regresso à competição, percebeu como o ciclismo tinha evoluído.

“O ciclismo mudou muito, é muito mais exigente agora. No último inverno treinava três vezes por dia para me manter competitivo”, contou. “A nutrição também mudou completamente. Antes saíamos para pedalar cinco horas depois de comer uma omoleta. Agora levamos os bolsos cheios de géis e aprendemos a absorver 120 gramas de hidratos de carbono por hora.”

Essa exigência, reconhece, tem um preço. “O pelotão está tão compacto que o caos começa logo no quilómetro zero. Recentemente atingi 84 km/h numa descida e fiquei assustado. Infelizmente, acho que só vai piorar”, acrescenta.

 

Um gregário que simbolizou a lealdade

 

Ao longo de mais de uma década, Puccio foi sinónimo de lealdade e profissionalismo. Desde que se tornou profissional, em 2011, vestiu sempre a mesma camisola - primeiro da Sky, depois da INEOS - tornando-se um pilar silencioso na engrenagem de campeões como Bradley Wiggins, Geraint Thomas, Egan Bernal e Filippo Ganna.

“Sempre vesti a mesma camisola porque me sentia bem nesta equipa. Vi muitos colegas entrarem e saírem, mas eu prefiro a estabilidade e a calma. Não gosto de mudanças”, confessou.

Mesmo sem vitórias individuais, Puccio mede o sucesso de forma diferente. “Cada vitória dos meus colegas é como se fosse minha. Tive a sorte de correr com verdadeiros campeões. Para um gregário isso é tudo. Podes dar tudo o que tens, mas se o teu líder não ganhar, o teu trabalho não conta para nada.”

 

Um novo capítulo no carro da equipa

 

Puccio despediu-se em casa, nas clássicas italianas de outono - Giro dell’Emilia, Tre Valli Varesine e Il Lombardia - e prepara-se agora para uma nova etapa como director desportivo. Já se inscreveu no curso da UCI e não esconde a vontade de continuar ligado ao pelotão.

“Gostaria de passar para o carro da equipa, nem que fosse noutra formação”, revelou. “Inspiro-me em Matteo Tosatto, cheio de carisma e energia, e em Dario David Cioni, mais calmo e ponderado. Gostava de encontrar um equilíbrio entre os dois.”

Com serenidade e sem arrependimentos, Salvatore Puccio fecha um ciclo. “Estou incrivelmente feliz com a minha carreira. Tirando o cansaço, faria tudo outra vez desde o início.”

Um fim discreto, mas digno, para um ciclista que personificou o trabalho invisível que sustenta as maiores vitórias do World Tour.

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/e-extremamente-perigoso-ja-ninguem-trava-vestiu-durante-14-anos-a-camisola-da-sky-ineos-e-diz-adeus-ao-ciclismo

“Vinicius Rangel quebra o silêncio após suspensão: “Foi um erro de comunicação, não batota”


Por: Carlos Silva

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

No final de outubro, veio a público um novo episódio relacionado com doping ou neste caso, com falhas de localização, que segundo o regulamento da UCI equivalem a uma violação das regras antidopagem. O protagonista é o brasileiro Vinicius Rangel, antigo ciclista da Movistar Team, atualmente ligado à Swift Pro Cycling.

O organismo que rege o ciclismo anunciou a suspensão de 20 meses, datada de 28 de outubro de 2025, depois de Rangel ter falhado três controlos fora de competição num período de 12 meses. De acordo com o Código Mundial Antidoping, os ciclistas devem manter permanentemente atualizados os seus dados de localização para permitir testes inopinados - três falhas equivalem a uma infração, mesmo sem qualquer resultado positivo.

 

“Houve uma falha de comunicação”

 

Aos 24 anos, Rangel veio agora explicar publicamente a sua versão dos acontecimentos, sublinhando que tudo se tratou de um mal entendido administrativo e linguístico.

“Houve uma falha na comunicação com a UCI, também por causa da língua, que só pode ser o francês e o inglês”, começou por afirmar.

“Por questões completamente fora do meu controlo e por dificuldades de linguagem e de adaptação a um sistema que ainda estava a aprender a gerir, acabei por ser penalizado pela UCI por falhas nos controlos de localização”, acrescentou o ciclista, campeão brasileiro de estrada em 2022.

O corredor fez questão de negar qualquer intenção de ludibriar o sistema.

“Sempre procurei seguir as regras, honrar o desporto e competir de forma justa, com o mesmo respeito e dedicação que sempre me guiaram desde o início da minha carreira. Mas admito que cometi erros nos processos, erros que me ensinaram muito. Aprendi a importância de prestar atenção a todos os pormenores também fora da competição.”

 

Uma carreira travada por um erro burocrático

 

Vinicius Rangel era apontado como uma das maiores promessas do ciclismo brasileiro. Formado em estruturas espanholas, destacou-se cedo pelas suas qualidades em terreno acidentado e capacidade de sacrifício. Em 2022, conquistou o título nacional e tornou-se o primeiro ciclista da Movistar a usar as cores do Brasil no World Tour.

Depois de três épocas na equipa espanhola, decidiu regressar ao Brasil em 2025 para representar a Swift Pro Cycling, equipa continental com ambições de crescimento internacional. O caso agora revelado interrompe essa trajetória e mantê-lo-á afastado até 2027.

 

Vinicius aceita sanção

 

Vinicius Rangel não poderá voltar a competir até abril de 2027 e aceitou a sanção imposta pela UCI:

"Esta pausa será um período de aprendizagem, de reforço e de crescimento. Voltarei mais forte, mais preparado e ainda mais empenhado em contribuir para a limpeza, a transparência e a melhoria do ciclismo. O desporto é sobre ganhar, mas também é sobre lições. E esta é uma das coisas mais importantes da minha vida", concluiu.

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/vinicius-rangel-quebra-o-silencio-apos-suspensao-foi-um-erro-de-comunicacao-nao-batota

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