segunda-feira, 20 de outubro de 2025

“Oficial: UCI declara as cetonas seguras, mas ineficazes e desaconselha o seu uso no pelotão”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

A UCI clarificou oficialmente a sua posição sobre os suplementos de cetonas, confirmando que não irá impor restrições à sua utilização, mas deixando claro que não recomenda o seu consumo pelos ciclistas profissionais.

Num comunicado divulgado esta segunda-feira, o organismo que rege o ciclismo explicou que "não há razão para a sua utilização", com base nas mais recentes evidências científicas, que não demonstram benefícios mensuráveis no desempenho de resistência ou na recuperação pós esforço.

 

Das promessas iniciais à desilusão científica

 

Os suplementos de cetonas, geralmente em forma líquida e promovidos como uma fonte alternativa de energia, tornaram-se populares no pelotão depois de um estudo de 2016 sugerir ganhos potenciais de resistência e eficiência metabólica.

Várias equipas do WorldTour, incluindo algumas com patrocínios diretos de empresas produtoras de cetonas, começaram a testar a sua utilização, alegando vantagens na ressíntese de glicogénio ou na recuperação entre etapas.

No entanto, a UCI sublinha que a investigação posterior não conseguiu confirmar esses efeitos. "Embora os estudos iniciais tenham apontado para potenciais benefícios ao nível da recuperação e do metabolismo, a investigação mais recente contradisse esses resultados", lê-se no comunicado.

 

A entidade acrescenta:

 

"Como não existem provas convincentes de que os suplementos de cetonas melhorem o desempenho ou a recuperação, a UCI não vê razão para a sua utilização. Por conseguinte, não recomenda a inclusão destes produtos nos planos nutricionais dos ciclistas".

 

Legais, mas desencorajadas

 

Apesar de alguns apelos dentro do desporto para que as cetonas fossem totalmente proibidas, a UCI deixou claro que a sua utilização continua a ser legal e não regulamentada ao abrigo das atuais regras antidopagem. A recomendação tem caráter não vinculativo, cabendo a cada equipa ou ciclista decidir se pretende ou não utilizar o suplemento.

O Movimento para um Ciclismo Credível (MPCC), que defende práticas de competição ética e transparente, há muito que desencoraja as suas equipas associadas a recorrer a cetonas. A maioria das equipas que integram o MPCC mantém essa proibição voluntária, alinhando com os princípios de precaução e transparência do movimento.

 

Fim de uma era de hype?

 

A decisão da UCI surge após uma revisão científica de vários anos, que concluiu que os suplementos de cetonas são seguros, mas ineficazes para oferecer qualquer vantagem significativa em competição.

Com esta posição, a UCI parece querer encerrar definitivamente o debate, sinalizando ao pelotão que a era das cetonas pode ter chegado ao fim, não por razões de doping, mas simplesmente por falta de resultados que justifiquem o entusiasmo inicial.

Para o organismo, a mensagem é clara: o ciclismo de alto rendimento deve continuar a evoluir com base em evidência científica sólida, e não em promessas de milagres metabólicos.

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/oficial-uci-declara-as-cetonas-seguras-mas-ineficazes-e-desaconselha-o-seu-uso-no-pelotao

"Podemos confirmar que teremos a presença do Benfica na Volta a Portugal 2026" João Diogo Manteigas promete regresso do ciclismo ao clube da Luz”


Por: Miguel Marques

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João Diogo Manteigas, de 42 anos, advogado de profissão e candidato à presidência do Sport Lisboa e Benfica, cujas eleições decorrem a 25 de outubro, pela Lista C, apresentou oficialmente o seu programa eleitoral para o mandato 2025-2029, um documento abrangente que assenta em cinco eixos principais: Associativo, Desportivo, Institucional, Empresarial e Infraestrutural. Entre as propostas apresentadas, destaca-se o regresso do ciclismo ao clube, uma das modalidades mais emblemáticas da história benfiquista, e a defesa de um Conselho Fiscal "livre e independente".

 

O ciclismo volta a ser aposta

 

Um dos pontos centrais do programa é precisamente o retorno da histórica modalidade de ciclismo, ausente desde 2008 numa equipa que contava na altura com José Azevedo e Rui Costa, por exemplo que Manteigas considera parte essencial da identidade do Benfica.

"Trata-se de uma modalidade que faz parte da alma e da História do Sport Lisboa e Benfica. Representa esforço, resistência e paixão, valores profundamente enraizados na identidade do Clube. Recuperar esta modalidade será reafirmar o ecletismo benfiquista e a ligação do clube ao território, às estradas e às comunidades de norte a sul do país. É uma modalidade que projeta o Benfica para além dos estádios e pavilhões, com enorme capacidade de mobilização popular e visibilidade nacional. O regresso ao ciclismo exige maturidade estratégica, sustentabilidade e a garantia de que não existirá risco reputacional", relata o documento.

 

Presença confirmada na Volta a Portugal de 2026

 

De acordo com o candidato, o regresso à estrada será feito de forma planeada e sustentável, com salvaguarda da imagem e da estabilidade financeira do clube.

"Depois de discussões avançadas com uma equipa nacional, podemos confirmar que teremos a presença do Emblema do Sport Lisboa e Benfica na Volta a Portugal de 2026. Tratar-se-á de um modelo competitivo, financeiramente equilibrado, com foco na formação e que a médio prazo trará novamente resultados e troféus para o nosso Museu", pode ainda ler-se no programa.

O regresso do Benfica ao ciclismo, caso a candidatura de João Diogo Manteigas seja vitoriosa, representará a reintegração de uma das modalidades históricas do clube, que marcou várias gerações e ajudou a construir o ecletismo que distingue o emblema encarnado no panorama desportivo nacional.

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/podemos-confirmar-que-teremos-a-presenca-do-benfica-na-volta-a-portugal-2026-joao-diogo-manteigas-promete-regresso-do-ciclismo-ao-clube-da-luz

"A UCI precisa de regulamentar algumas coisas, introduzir um limite salarial" - Diretor da Arkea acredita que o colapso da sua equipa mostra que é necessária uma mudança no ciclismo”


Por: Ivan Silva

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O desaparecimento da equipa Arkéa- B&B Hotels marcou um dos momentos mais sombrios do ciclismo francês nos últimos anos. Após duas décadas no pelotão profissional, a estrutura bretã vai encerrar portas no final da época de 2025, deixando para trás não só uma história de resistência, mas também um alerta profundo sobre o estado económico da modalidade.

O diretor-geral Emmanuel Hubert, que liderou a equipa desde a sua fundação, descreveu a decisão como um golpe emocional devastador. “Fechar uma equipa ao fim de vinte anos é muito triste. Para mim, é algo doloroso, mas não consigo deixar de pensar nas 150 pessoas que trabalham connosco. Somos uma família, passamos mais tempo juntos do que com as nossas próprias famílias.”

Apesar das tentativas de última hora para encontrar investidores, nenhuma parceria viável surgiu. “As últimas semanas foram complicadas. A certa altura parecia que íamos conseguir, que alguém estava pronto para investir, mas no final, nada aconteceu. Neste momento, não penso no meu próprio futuro, a minha prioridade é encontrar soluções para os meus funcionários.”

 

“Um desporto de extremos”

 

Para além do impacto humano, Hubert apontou o desequilíbrio financeiro crónico do ciclismo moderno como a principal causa da derrocada. “O ciclismo dá visibilidade às empresas, e isso é bom. Mas a verdade é que algumas equipas podem investir quatro vezes mais do que outras, e isso cria inevitavelmente desigualdade desportiva.”

O dirigente ilustrou o contraste com um exemplo direto: “A equipa da Emirates pode dar-se ao luxo de colocar cinco ou seis ciclistas a apoiar uma superestrela como Pogacar no final de uma corrida como a Lombardia. Isto mostra bem o poder destas equipas e o fosso que separa as estruturas.”

Segundo Hubert, as equipas francesas lutam pela sobrevivência num sistema que privilegia as superpotências económicas. “Quando olhamos para o estado atual das equipas francesas, é evidente que estamos a lutar pelas migalhas.”

 

Reformar o modelo económico do ciclismo

 

O dirigente defende que a UCI precisa de agir para impedir novas falências e criar um sistema mais equilibrado. “A UCI devia regulamentar algumas coisas, introduzir um limite salarial, por exemplo, e definir regras mais claras sobre as transferências. Quando Kevin Vauquelin muda de equipa, a minha estrutura não recebe um único euro, nada.”

Hubert foi mais longe, apelando à reinvenção do modelo de negócio. “O ciclismo precisa de um novo formato. Temos de rentabilizar melhor o merchandising e o mundo digital. Os direitos televisivos não resolvem tudo, mas são importantes. As equipas devem abrir as portas às câmaras, dar mais acesso aos adeptos e criar novas fontes de receita, tal como fazem os clubes de futebol.”

O seu discurso ecoa uma preocupação crescente: o ciclismo continua a oferecer um produto global com retorno limitado para quem o sustenta financeiramente.

 

Um sinal preocupante para o ciclismo francês

 

O colapso da Arkéa - B&B Hotels deixa uma lacuna importante no cenário nacional, já fragilizado pela falta de crescimento das estruturas francesas no WorldTour e no ProTeam. Hubert teme que, sem mudanças profundas, outras equipas possam seguir o mesmo caminho. “Há alguns anos, quando uma equipa fechava, era provável que surgisse uma nova. Já não é assim. Hoje há mais fusões do que criações. E o verdadeiro perigo é que as bases do desporto estão a desaparecer, vemos cada vez menos equipas de jovens e de formação, que são essenciais para manter viva a pirâmide de talentos.”

À medida que o pelotão francês se reestrutura, o desaparecimento da Arkéa simboliza um problema que ultrapassa fronteiras: o de um desporto cada vez mais polarizado, em que as super-equipas sobem mais alto enquanto as fundações por baixo delas se fragmentam.

O aviso de Hubert à UCI e aos organizadores é claro, sem uma reforma estrutural e económica, o ciclismo corre o risco de perder o seu equilíbrio competitivo e a sua identidade de base.

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