Por: Miguel Marques
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A 4.ª etapa do UAE Tour trouxe
exatamente a tensão prometida. Após um dia a ritmo implacável e 2.360 metros de
desnível acumulado, tudo ficou em aberto até ao último quilómetro, antes de
Jonathan Milan impor ordem com um sprint dominante em Fujairah.
O italiano escolheu o momento
com precisão, lançou de longe, passou pelos sobreviventes da fuga e resistiu ao
pelotão em aceleração. Foi uma vitória construída no controlo contínuo da
equipa e na frieza final, após um desfecho que por instantes ameaçou fugir ao
guião.
Ataque de
cinco anima um dia a alta velocidade
A fuga inicial de Georg
Steinhauser, Stefan De Bod, Lorenzo Milesi, Patrick Gamper e James Knox
formou-se após uma primeira hora agressiva e teve uma margem sempre vigiada.
Com mais de 2300 metros de
desnível distribuídos por terreno ondulado, sem grandes rampas, a etapa fez-se
a ritmo excecional. A Lidl-Trek assumiu a dianteira no pelotão, com a Bahrain -
Victorious a colaborar na defesa do líder Antonio Tiberi.
Gamper venceu os dois sprints
intermédios, evitando que segundos de bonificação interferissem na geral.
Atrás, o andamento manteve-se estável, com a diferença a oscilar entre um e
dois minutos durante grande parte da tarde.
O cenário mudou nos 30
quilómetros finais, quando várias equipas de sprinters se comprometeram
totalmente na perseguição.
Queda
baralha planos para o sprint
A pouco mais de 30 quilómetros
da meta, uma queda na cauda do pelotão desorganizou vários comboios. Fabio
Jakobsen, Robbe Ghys, Daan Hoole e Ethan Hayter estiveram envolvidos.
Jakobsen e Hoole regressaram à
bicicleta, mas Ghys foi depois confirmado como desistente, deixando a corrida
com o braço esquerdo imobilizado, indício forte de clavícula fraturada.
Apesar do percalço, as equipas
de sprint reorganizaram-se rapidamente. A Lidl-Trek, a INEOS Grenadiers e
outras retomaram a perseguição, reduzindo a diferença de forma consistente.
Fuga
resiste, mas a aritmética impõe-se
Dentro dos 10 quilómetros
finais, os quatro fugitivos ainda mantinham 25 segundos. As largas avenidas de
Fujairah permitiam ao pelotão vê-los ao fundo, mas a margem mostrou-se
renitente. A 5 km do fim, sobravam 20 segundos.
O pelotão rodava perto dos 60
km/h, mas o vento de frente e a cooperação entre os líderes semearam dúvidas
por instantes. A 3 km, a diferença baixou para 12 segundos. A 1,5 km, apenas 10
segundos separavam os dois grupos.
A junção consumou-se já dentro
do último quilómetro.
Stefan De Bod tentou antecipar
enquanto a fuga se desfazia, mas o esforço apenas estirou o grupo. No momento
em que os atacantes hesitaram, os comboios passaram em força.
Milan atacou com decisão,
lançou de longe e impôs-se tanto aos restos da fuga como aos sprinters puros
que chegavam por trás. Ninguém conseguiu ultrapassá-lo.
Homens da
geral correm com prudência
Atrás da luta pelo sprint, a
classificação geral manteve-se inalterada. Tiberi terminou em segurança no
pelotão, preservando a camisola vermelha.
Um dia depois da quebra em
Jebel Mobrah, Remco Evenepoel correu com prudência, a dar prioridade à
recuperação antes da próxima etapa de montanha, em vez de arriscar no caos
final.

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