Por: José Morais
Nos bastidores da 52.ª Volta
ao Algarve, o galês Geraint Thomas abriu o jogo sobre sua transição do pelotão
para a direção esportiva, revelando que ainda está a aprender os meandros do
cargo e até a usar o computador.
“Tenho de aprender a usar o
computador, porque nunca tive um na vida. Esse lado é diferente, mas estou a
desfrutar. Sinto que ainda estou envolvido no essencial deste desporto. Estive
dois dias sem fazer nada e fiquei aborrecido”, contou Thomas, que se aposentou
em setembro passado, aos 39 anos.
Com roupas desportivas, mãos
nos bolsos e uma descontração que supera a de muitos dias de competição, Thomas
cativou os jornalistas, respondendo com paciência e humor a perguntas sobre a
sua nova rotina. “Neste momento, as minhas funções são essencialmente nas
corridas. Tenho estado muito com o Dave [Brailsford] nos últimos meses e sempre
soube que se passavam mais coisas do que aquelas que um corredor tem noção, mas
é agitado”, acrescentou.
O primeiro galês a vencer a
Volta a França (2018) assumiu o cargo de diretor de corridas da INEOS e agora
acompanha diretamente líderes como Oscar Onley, Kévin Vauquelin e Carlos
Rodríguez. “Ajudá-los a planear como vão atingir os seus objetivos, usando toda
a minha experiência e conhecimento. Estou realmente a gostar, é entusiasmante”,
afirmou, referindo-se à importância de orientar cada atleta individualmente.
Quando questionado sobre a
saudade das corridas, Thomas hesitou antes de lançar uma das suas clássicas
ironias: “Não senti quando estive no Tour de Provence, porque o tempo estava
péssimo. Mas tenho, só que ao mesmo tempo não sinto falta do processo de ficar
em forma para correr. Hoje acordei, era dia de corrida, e não tive de vestir-me
novamente de manhã.”
A INEOS estreia na Volta ao
Algarve com uma das formações mais fortes entre as 24 equipas participantes.
Além de Onley e Vauquelin, a equipe conta com Laurens de Plus, terceiro na
edição passada, e com nomes como Filippo Ganna e Thymen Arensman. Thomas destacou
a importância de desenvolver a comunicação e a cooperação dentro da equipa,
sobretudo com os recém-chegados.
“O principal é correrem bem
juntos, comunicarem bem. Dois são recém-chegados à equipa. Há muito a aprender
para todos, não apenas para eles”, disse. Apesar disso, não escondeu a ambição:
“Obviamente, estão a aprender, mas isso não significa que não vamos tentar
ganhar a Volta ao Algarve.”
Recordando seus próprios
triunfos na prova em 2015 e 2016, Thomas elogiou o percurso português: “Tem de
tudo: sprints, subidas duras, contrarrelógio. Portugal é um sítio muito
tranquilo, com bom tempo, mais discreto em termos de viagens do que outras corridas
internacionais.”
O galês também reconheceu o
nível elevado do pelotão desta edição, destacando jovens promissores como Juan
Ayuso, Florian Lipowitz, e João Almeida, de quem é admirador confesso.
Questionado sobre uma possível entrada de Almeida na INEOS, Thomas foi direto:
“Certamente não diria não a isso.”
Entre computadores,
estratégias e a saudade das corridas, Thomas mostra que, mesmo do outro lado da
barreira, continua a viver a adrenalina do ciclismo agora sem precisar de
trocar de roupa para correr.

Sem comentários:
Enviar um comentário