Por: Miguel Marques
Em parceria com: https://ciclismoatual.com
Djamolidine Abdoujaparov foi
um dos sprinters mais icónicos da década de 1990 e também um dos mais
vencedores. Tricampeão da camisola verde na Volta a França (e vencedor da
classificação por pontos nas outras duas Grandes Voltas), a sua carreira ficou
marcada pela maior corrida do mundo, onde somou 9 vitórias, mas também terminou
na Grand Boucle, por aquilo que acredita ter sido consequência das ações da sua
equipa.
“Se me chamavam isso, é porque
o sentiam… Nunca fiz ninguém cair por minha culpa. Nunca fui desleal”, ripostou
Abdoujaparov em declarações à Gazzetta dello Sport. O sprinter uzbeque,
anteriormente identificado como soviético até ao fim de 1991, era conhecido
pelo seu estilo peculiar de sprint, que hoje lhe valeria várias
desclassificações, dada a tendência para serpenteares em plena aceleração.
Nesse mesmo ano de 91, protagonizou a célebre queda, sozinho, embatendo nas
barreiras nos Campos Elísios quando envergava a camisola verde.
“Foram ditas e escritas tantas
incorreções, que ainda estão na internet”, contrapõe. “No circuito de
Paris–Champs-Élysées, na volta anterior, deixaram a passagem das barreiras
aberta, a dos [espectadores]. Tinha sido deslocada mais de um metro, por onde entravam
os carros das equipas e da polícia. E eu acertei em cheio”. Na altura,
argumentou-se que perdera o controlo da bicicleta após passar por cima de uma
lata de Coca-Cola, algo que nega. “A lata de Coca-Cola não teve nada a ver com
isso. Vejam bem esse sprint e perceberão”.
Agora com 61 anos, acredita
que os sprints no pelotão atual são bastante diferentes e que já ninguém lança
a velocidade isolado como ele fazia nos seus anos de sucesso. “Não vejo um
sprinter como eu agora, não existe. Fazia tudo sozinho. Mesmo o Cipollini,
nessa altura, tinha comboio. Eu nunca tive”.
Abdoujaparov
acredita que foi sacrificado pela equipa
Assinala também as diferenças
financeiras no pelotão atual. “Agora, basta vencer uma etapa na Volta a França
e podem dar-te um milhão… Esse dinheiro nunca o vi”.
Uma suspensão por doping em
1997 terminou a sua carreira em plena Volta a França, quando corria pela Lotto
- Mobistar. Acredita que a razão do teste positivo a clenbuterol esteve na
equipa e que foi encenado.
“Tinha um bom contrato, mas um
diretor desportivo não me queria, fez tudo para me afastar e deixaram de me
pagar”, conta. “Depois, um dia, um massagista deu-me um produto que tomei sem
pensar. Testei positivo, mas a equipa soube um dia antes de ser oficial.
Estranho”.
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