domingo, 4 de janeiro de 2026

“Orçamentos e salários em alta alargam o fosso no World Tour à medida que os custos disparam rumo a 2026”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

Os dados financeiros mais recentes da UCI confirmam uma tendência conhecida. Os orçamentos das equipas continuam a crescer e os salários dos ciclistas sobem em paralelo, ampliando ainda mais a distância entre as maiores estruturas do pelotão e as formações que competem com recursos muito mais limitados.

Embora o World Tour masculino se mantenha oficialmente com 18 equipas, ainda que não sejam as mesmas dos últimos três anos, os cálculos da UCI baseiam-se num grupo de 20 formações. O estudo inclui duas Pro Teams que, pelas regras atuais, têm entrada garantida em todas as provas World Tour, incluindo as Grandes Voltas e as grandes Clássicas. Alargar a amostra pouco altera a tendência de fundo.

Usando a estrutura tradicional de 18 equipas, o orçamento total subiu de 473 milhões de euros em 2023 para 570 milhões em 2025. Para 2026, com 20 equipas incluídas, projeta-se um total combinado de 663 milhões de euros. Isto eleva o orçamento médio por equipa de 31,6 milhões em 2025 para 33,1 milhões em 2026.

Contudo, as médias escondem disparidades internas significativas. Segundo a La Gazzetta dello Sport, a UAE Team Emirates - XRG e a Team Visma | Lease a Bike operam já perto dos 50 milhões de euros, enquanto Lidl Trek, Red Bull Bora hansgrohe e INEOS Grenadiers estarão na ordem dos 45 milhões.

Um padrão semelhante observa-se no World Tour feminino. Os orçamentos totais subiram de 46 milhões de euros em 2023 para 70 milhões distribuídos por 15 equipas em 2025, e deverão crescer novamente para 80 milhões em 2026. Isto apesar do escalão principal feminino encolher de 15 para 14 equipas.

 

Quanto dinheiro gastam as equipas em salários?

 

Os salários continuam a ser a principal rubrica de custo. Os valores da UCI são brutos e distinguem entre ciclistas independentes e contratados, sendo que os empregados representam 43 por cento do pelotão do WorldTour masculino.

Para 2026, o salário médio dos ciclistas independentes é de 654 000 euros, acima dos 636 000 em 2025 e dos 557 000 em 2023. Os contratados recebem em média 384 000 euros, face aos 366 000 do último ano e aos 300 000 de 2023. Muitos independentes residem no Mónaco ou em Andorra e tendem a ser líderes nas suas equipas, o que ajuda a explicar os valores mais elevados.

No topo da escala, os números são obviamente muito superiores. Tadej Pogacar continua a ser o ciclista mais bem pago do pelotão, com um salário estimado em 8 milhões de euros anuais na UAE Team Emirates, excluindo bónus e patrocínios pessoais que terão elevado o rendimento total para cerca de 12 milhões nesta época.

A transferência antecipada de Remco Evenepoel para a Red Bull - BORA - hansgrohe, um ano antes do fim do contrato com a Soudal Quick-Step, está estimada em cerca de 20 milhões de euros, somando cláusula de rescisão e acordo plurianual.

 

Vaughters toma a palavra

 

Estas dinâmicas alimentam preocupações crescentes sobre a estrutura financeira do ciclismo e a sua sustentabilidade. No Domestique Hotseat Podcast, o CEO da EF Education–EasyPost, Jonathan Vaughters, alertou que o ciclismo está a operar a um nível de custos que as receitas não suportam.

“Certamente, o maior aumento de custos no ciclismo são os salários dos ciclistas e depois todo o apoio periférico, ciência do desporto e afins, que gravita à volta disso”.

Vaughters defendeu ainda que o poder de compra das equipas mais ricas acaba por contaminar todo o mercado. “Uma equipa como a UAE… vamos gastar o que for preciso para ganhar tudo. Isso vai, inevitavelmente, extravasar para o resto do mercado. Vai inflacionar tudo”.

Sublinhou também a dependência do ciclismo do patrocínio, um problema antigo. “Estamos a tentar manter todo o navio apenas com patrocínios, porque estas outras fontes de receita não existem”, apontou Vaughters. “Não temos merchandising coletivo. As equipas não recebem nada dos direitos de media”.

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